“Pagar
com a vida é demais”
Rodrigo Muxfeldt Gularte
Precisamos,
antes de tudo, entender o contexto em que foi dita; pelo prisioneiro
condenado à pena de morte por tráfico de drogas na Indonésia, Rodrigo M. Gularte, a frase.
Entre outras especulações: reclamação! Constatação! Exclamação! Ou ponto final! assumindo,
durante os últimos estertores, durante o vislumbre de toda uma vida que parece
ter sido desperdiçada, não assimilando a condição macro que ali o prendia
amarrado a uma cruz de madeira indefeso a receber os tiros em uma terra
estranha.
Um
caso polêmico gerador de uma possível crise diplomática, que a nós, não parece
digno para tanto.
Afinal, de uma maneira totalmente adversa às
nossas tradições coniventes, devemos enfrentar isso e assegurar: não é o
criminoso que paga pelo crime, entendendo ou não o preço do desviar as leis; absurdo
ou fora do propósito; mas é o estado que, uma vez ministrada à lei, precisa que
ela se cumpra. E era preciso entender que nossas leis são brandas na sua
totalidade. É da nossa cultura permissiva – também - aceitar isso, somado ao
fato de que muitos de nós somos influenciados por aprendizados nascidos da
televisão e do Google, todos sectários dicotômicos e laicos hiatistas, - suas
dificuldades de conhecimento jamais conseguirão juntar os nexos - não conseguem
fazer uma ligação, uma ponte entre o que aconteceu e o porquê – todas as
nuances do caso – do que irá acontecer, não entendem o porquê do desfecho da
sena quando estão acostumados apenas a vida das novelas ou dos jornais
tendenciosos que, em se tratando de Brasil, existe um senso comum sendo
respeitado – aceito -, nunca uma lei mais dura.
O
correto, - ou não seria correto? - estabelecer leis mais duras e então ministrá-las
aos facínoras, aos corruptos, aos criminosos hediondos, mesmo a contra gosto –
é certo que assim sempre será enquanto utilizarmos erroneamente o termo compaixão
- destes desequilibrados, e jamais comutá-las, ao invés de legislá-las
imaginando que um dia o próprio legislador lá estará e então fazê-las brandas
para que o ato continue sendo incentivado, ou num incentivo ao ato – enquanto
houver esse disparate o todo comum jamais transmutará a injustiça.
A
lei precisa ser dura, enérgica e violenta, somente assim ela dissuade o transgressor
a pensar minimamente antes de agir, e depois, uma vez praticado o crime, é
necessário que ela seja aplicada em todo o seu rigor, afinal não é culpa da lei
aplicada ser aplicada, mas do facínora que a sabia e ainda assim afrontou o
sistema, e, caso não soubesse, o que é quase impossível hoje. Deveria ter se
inteirado antes do assassínio.
Compete
ao sistema ter ferramentas, aparelhar o estado decentemente para punir com
justiça, aí então tudo estará bem.
Estas
são palavras estranhas ao sistema usual brasileiro e em muitos países, porém é
nosso desabafo no encerramento material desse caso, agora restará apenas à
polêmica e a hipocrisia, os livros, filmes, documentários e tudo mais que puder
fazer com que alguém ganhe algum com a história original.
Hoje, para uma parcela que prima pela justiça,
é quase um dever acreditar que o país precisaria ser constituído de leis
ainda mais duras do que no passado. Aprendemos errado com a forma enganosa que
as leis foram praticadas na idade média, por exemplo. Sabemos dos desmandos que
lá havia, porém são patentes os desregramentos assistidos hoje. Tudo por conta
de que aprendemos apenas a abrandar as leis, quando deveríamos ter aprendido
que as leis do passado prejudicaram muitos inocentes por falta de
aparelhamento, da conivência ignorante e nivelada entre os comandantes e os
aplicadores dos suplícios. Quando nossa necessidade era na apreensão que: não
eram as leis que estavam erradas, é claro que elas precisariam se ajustadas,
mas o foram de forma a acreditar que se faziam demais punitivas, quando o erro
está em não saber aplicá-las, não utilizar o aparelhamento na forma da lei, da
justiça, mas utilizando-se quase sempre de sentimentos contra o malfeitor ou
sobrecarga de poder sem o devido preparo. Cabe apenas ao executor ser, incondicionalmente
imparcial, talvez esta seja outra das nossas maiores dificuldades de aprendizado.

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