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no início do filme Millennium um industrial bandido fala a imprensa, com todas
as forças, - como é comum a todos desse naipe – não como se estivesse ofendido
por ser acusado de ladrão desonesto, por ter desviado recursos ou coisa que o
valha em seus negócios espúrios, mas, seguindo a linha do que vimos esta semana
pelo Zé Genuino, afirma inocência, e, é claro, que é mais uma vítima, porém,
que mesmo assim continuará lutando pela justiça no seu País.
Nas
declarações, o bandido do filme tenta se defender, (também, como é de praxe) afirma nada
dever, e mesmo que entenda a situação do jornalista que tentou desmascará-lo,
nada pode fazer a não ser esperar, afinal todos sabem como funciona: a toda
reação há uma reação, e a todo o ato ou a todo o passo mal dado é sabido que as
consequências virão; isto é inevitável, declara de forma contundente; a sempre clara
demonstração de quem se diz com a consciência tranquila por nada dever. Porém,
como de costume, este engodo falacioso de fanfarrão desesperado acaba dando
certo, e não raro é comum que a patuleia aceite, mesmo quando condenado, como
assistimos esta semana no caso citado, quando o meliante busca com seu cinismo,
plantar a semente da dúvida naqueles mais incautos.
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Lendo
uma revista que a mim nada diz, mas é o que se tinha À mão no momento. Em mais
uma reportagem onde é levantada a suspeita sobre se o Vladimir Putin é ou não o
facínora que alguns milhões consideram. As linhas desfilam uma série de
situações onde tudo leva a crer que ele possui muitíssimo mais do que recebeu
como “ditador” (como alguns a ele assim se referem devido a sua truculência) da
Rússia neste período que soma pouco mais de uma década como o principal membro
da política daquele país.
O montante que o autor da matéria julga ser
seu espólio é tão vultuoso que alguém criativo, não sei se da própria revista, ou esta copiava de algum outro lugar, o que
acredito ser mais provável, (dada a moral duvidosa da mesma), fez um trocadilho
mudando a expressão “nababesco” por “putinesco” numa clara alusão de que quando
nos referimos ao Putin é bem possível que estejamos lidando com valores que
ultrapassam aqueles do tempo dos nababos.
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Um
conhecido meu, ligado a estes lances de espiritual, desenvolveu uma teoria
bastante interessante sobre estes tipos que fazem mil e uma peripécias para
elevarem seus nomes o mais longe possível na história (desse país; desculpem, não
resisti) que, para conseguirem isto não se preocupam se alguém pagará algum
preço alto a custas desta ascensão.
Conta
ele, que todos estes indivíduos não acreditam que exista outra vida – mesmo quando
em alguns casos precisem posar de santo próximo a algum vigário. Tudo, para eles,
resume-se a esta absurda existência chamada “Vida na Terra”. Entendem estes
desavisados que dentro de centenas de bilhões de outros pontos de tamanho
consideráveis já descobertos no universo; a despeito de que cientistas há
séculos insinuam a existência de mundos paralelos, de portais e de outros povos
concorrentes ao nosso dentro do que alguns chamam de Todo, (como concorrentes
não se trata necessariamente de contrários) a imensa maioria, e dentre eles, os
aproveitadores oportunistas, entendem que este medíocre grão de pó chamado
Terra é o início e o fim de tudo.
Dentro,
de posse deste pensar, a maioria deles entende que o que há para ser feito tem
que ser feito dentro destas, talvez, com sorte, oito décadas de existência;
segundo meu colega mais um ato falho, afinal não é muito inteligente imaginar,
acreditar que somos inseridos em um mundo onde o homem existe a milhões de
anos, e a cada um é dada apenas uma ínfima cota de vida.
Sendo
assim, alguns desta turma de incrédulos, (sobre o fato de que: há mais) sai a
cometer o maior número de ações possíveis para perpetuar seu nome na história,
afinal, pasmem, para estes, o nome ficará, a alma, o espírito, não, ou seja, é
importante para estes que ignoram; que trabalhem o seu nome, que construam seja
lá o que for para que seus nomes vigorem no panteão dos heróis, embora uma
série deles esqueça ou não acredita que a alma, o espírito, não padecerá com o
corpo, (indubitavelmente eles então, continuarão existindo, independente de
crerem ou não nesta máxima, e, quem sabe, este seja o seu maior castigo), porém
não é difícil fazer uma alusão sobre o histórico destes heróis, onde se pode entender que alguns deles
verdadeiramente parecem já não a possuírem mais, no caso aqui, com relação a
alguma corja tal qual os personagens descritos, é quase impossível entender que
um homem com algum tipo se sentimento que advém da alma seja tão insensível aos
anseios ou as necessidades daqueles que sofrem a sua volta.
No
caso do comandante russo, como exemplo, independentemente se algum dia alguma
luz ilumine o que dita a imprensa mundial sobre seus desmando; como se pode
entender que um homem com algum resquício de espírito roube e mate, ou se isto não
for provado, pode se refestelar como um bilionário acima do bem e do mal
enquanto um povo inteiro continua sofrendo as consequências do ato deste único facínora
e, neste caso em particular, estamos a
nos referir a um estado político que carrega o agravante de que esta situação vem
se arrastando a séculos.
Meu
amigo, que é enfronhado em estudos e pesquisas sobre o assunto “depois daqui”,
há mais de três décadas, conclui que é muitíssimo difícil compreender o
comportamento humano, principalmente no que se refere ao desconhecido, ao que
depende mais do sentimento para a tomada de decisão, ou seja, quando não existe
um material sério indicando o caminho, as pessoas de espírito fraco, no mais
das vezes escolhem a forma mais fácil de sobreviver, mas de preferência uma que
os coloque em vantagem sobre as demais. É a partir deste ponto que se separam
os materialistas, aqueles que entendem que tudo aqui nasce e morre, tudo se
resume em físico, que a evolução está acontecendo como um eterno e absurdo
processo onde o homem é, em seus parcos anos de existência frente a este
universo, apenas mais uma matéria animada que faz parte deste acontecimento
apenas aí, durante este curtíssimo espaço de tempo, e que, se ele não escrever,
não registrar sua marca durante este curtíssimo período, seu nome desaparecerá
para sempre como o seu mísero corpo.
É
certo que existam outras situações tantas, afinal estamos a falar de
comportamento humano, e dentro deste assunto, temos aqueles conhecidos como:
covardes, fracos e medrosos; que ao aproveitar a oportunidade de nascer próximo
a uma população que nutre um pouco de respeito uns pelos outros, estes tipos
desleais, aproveitam para espoliar o entorno, entendendo o momento propício;
oportuno, mas este é outro caso, embora tudo desemboque no mesmo estado geral
final – todos acabarão por enfrentar suas consciências.
Voltando
então a tese do meu amigo, ele tem certeza de que a dúvida das pessoas sobre a
existência de uma alma ou espírito, ao longo do tempo transforma-se em
realidade, porque geralmente estas pessoas acabam por eliminar, mesmo que de forma
velada, a moral, o compromisso com uma moral coletiva, com a ética, com o companheirismo
desinteressado, ou seja, eles somente farão parte de um grupo, se aquele grupo
de alguma forma mantiver ou perpetuar seu estado de ganho, o contrário, seria
perda de tempo para estes que entendem o quanto é curta a vida – analisando-a
sobre o contexto aqui descrito.
E realmente é curta, conclui meu colega
pesquisador. Garante ele que estes pobres coitados que tem na vida física seu
maior patrimônio (não maior que o fruto de seus “ganhos”), acabam por
materializar – isto mesmo; através de um intrincado processo cerebral de voltar
seu pensamento para algo que realmente acredita – estes estado de vida única e
material, e isto então, realmente, os condenará a uma única vida, e de alguma
forma inexplicável estas pessoas sentem – num verdadeiro paradoxo, afinal estes
nada sentem durante a vida – que serão finalmente, apenas seus nomes a perpetuarem-se,
elas, suas almas, seus espíritos estarão verdadeiramente condenados a um lugar
que não é preciso sentimento ou crença para que exista: o inferno.
Isto acontece, inevitavelmente, porque a alma
persistirá para todo o sempre, porém estes anormais, com o poder de seus
pensamentos funestos de toda uma vida, conseguem atrofiar seus espíritos e é
então por isso que condenam sua existência eterna às províncias do abismo.
É
claro que aqui há contestações sobre o estudo, afinal o inferno remete a
religião, e necessariamente a nós ocidentais, a Deus, porém descobriu-se, em
escritas antiquíssimas que o inferno não é uma exclusividade dos cristãos, e
nem de qualquer outra religião ou seita, o inferno é tão diverso quanto às
formas destes bandidos transvestidos que aqui se camuflam para perpetuarem seus
nomes.
Estão
certos eles então sobre a não continuidade da alma, estão certos eles então
sobre tentarem de todas as maneiras ilícitas fazer com que ao menos seus nomes
para sempre aqui existam, mesmo que linkados a falcatruas, ao banditismo que
inexoravelmente farão par aos seus nomes sempre que citados.