quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Dúvida



Por algum motivo que não sabemos o porquê; escolhemos, optamos por esta ou aquela gama de ocupações, as mais diversas possíveis: seguir para o barzinho após o trabalho, para casa, para a casa de amigos ou mais que isto; um futebolzinho, uma passadinha nas lojas, um cafezinho ou um Happy hour, já em casa há outra série de divisões, brincar com os filhos, lição de casa com eles, uma namoradinha na esposa, cuidar do jardim, leitura, filmes etc.

Tenho enumeras atividades em casa, porém uma que não deixo passar em branco é me atualizar dos acontecimentos no mundo. Enquanto observo a movimentação externa; – vizinhos – bem poucos interessados no que se passa no mundo. Por sua vez, se fico sem ação quanto ao desinteresse alheio, falta algo se não estou conectado com as notícias do momento.

E digo que por mais que fique de saco cheio com tanta barbaridade, com tantas notícias absurdas e ações sem um mínimo de bom senso que se amontoam nas páginas dos jornais, ainda assim insisto, continuo atento ao movimento.

Mas uma dúvida bastante séria ocorreu-me na data de ontem, ao somar as últimas notas do ano do governo e as suas novidades para o próximo. Da prorrogação da divulgação do balanço da Petrobrás para janeiro, da alta do Dólar no ano, do PIB, da Inflação, do novo extintor para os carros, do Salário Mínimo, somado tudo a minha condição atual quase dá um desânimo.

Então pensei, será que é melhor continuar assistindo às notícias mesmo entendendo que muito do que nos é apresentado é fruto de uma negociação, de uma obrigação para manter tudo “funfionando”, ou por saber disso: que uma porcentagem enorme do que ouço é conversa para boi dormir, - em se tratando de hoje, afinal sei que não poderia ser diferente. Então não estaria perdendo meu tempo ouvindo o que na verdade são medidas que apenas servem para arrastar um estado que nem de longe é o ideal de agora?

O que é melhor fazer; qual é a atitude mais sábia; assistir, inteirar-se de uma série de mentiras provisórias, ou, sabendo disso, desligar por completo de me manter atualizado - afinal não é dar prova de total insanidade continuar ouvindo o que entende não ser a verdade apenas para saber que está sendo enganado?   

Não estará optando por uma decisão mais acertada o vizinho que fica no boteco enchendo a cara de cachaça? Ele ao menos, por não saber nada, talvez sofra menos que eu que tenho a pretensão de estar mais atualizado que ele

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Paternalismo por paternalismo!?!



“Qualquer governo é melhor que a ausência de governo.
O despotismo, por pior que seja, é preferível ao mal maior da anarquia,
 da violência civil, da morte violenta.”

Thomas Hobbes

*

Quantas vezes; bons e maus homens prestaram atenção nesta máxima?

E a que pretexto dela se utilizaram?

Quantos governos se apoiaram nela inventando, moldando significados por conta de interesses exclusivos; e o farão para todo o sempre?

E quantos governantes não souberam refrear seus instintos frente a essa rédea solta, que podem ser autorizados na crueza de seu sentido mais direto, e descarrilaram para, justamente, o abismo que Sir Thomas Hobbes tenta evitar?

Ou

E quantos dela se aproveitaram como o faço agora por entendê-la pronta, propícia, a despertar um manancial criativo por assim também o ser?

Hobbes vê como solução o aparecimento dominador de uma figura temerosa... então tento trazer isso para os nossos dias; para o nosso país, e emprego o meu espírito mais isento procurando vislumbrar uma sociedade organizada, ainda que acuada por esta figura. Mas, infelizmente, me é impossível conjecturar sua aplicabilidade hoje. Ainda que entenda: fosse melhor isso a suportar essa renca de calhordas chauvinistas que insistem com suas faces sínicas por terem garantido à sombra, que não há nada que possamos fazer. Não porque vivamos distante demais do século XVI; XVII, mas porque estamos todos suficientemente domados. Viemos nos acovardando e nos dessocializando no que se refere a união. Jamais estivemos tão próximos no que diz respeito à aglomeração, e nunca estivemos tão distantes uns dos outros no quesito luta por direitos. As tradições e costumes foram trabalhados intencionalmente a nos arrastar para a individualidade mentirosa. A disposição de leis, hábitos e costumes tidos como sérios e honestos, somado a comportamentos voltado ao modismo vulgar vaidoso, mostrou-nos e o faz diariamente, insistindo no quão únicos somos, e, sem perceber, nos tornamos individualistas e superficiais por conta da azáfama imposta por um sistema político econômico que a isso nos obriga, no entanto vem par e passo, há séculos, sendo milimetricamente estudado por comandantes que insistem em embalagens pomposas cujo destaque são as agora combalidas, liberdade e democracia, quando jamais estivemos tão reféns, exatamente da oposição ao que remete estes símbolos máximos de uma sociedade sadia a que deveríamos ter direito. 

*


A despeito da época em que escrevo este manifesto, - é certo que muito do dito não faz mais sentido por razões óbvias – ao longo destes séculos, após o sábio filósofo declarar suas análises, foi por milhares contestado, porém acredito que nenhum de seus detratores sofreu realmente: como um ente a parte do status quo, do estado vigente; afinal é acertado afirmar que apenas aqueles que estiveram sempre amparados por estudiosos e proprietariados, tiveram e têm interesse em contestar esse pensador, porque, a parte maior jamais poderia imaginar que antes um Leviatã com mão de ferro e calcado na correção do que séculos de governos libertinos que contestavam o monstro enquanto seus governos de barbárie nem organizaram a sociedade nem prepararam, com seus desmandos absurdos, um estado com bases sólidas ainda agora, tão distante das primeiras constituições que se queriam efusivamente democráticas na sua justeza quando agora esclareceu-se: na prática, não vingou.      

domingo, 14 de dezembro de 2014

Venina veneno



Ouvia na infância que a criança é o futuro do Brasil. Penso agora que poucas frases somam redundância e clichê quanto essa; entendo hoje que ela é uma frase tão redundante quanto inadequada, afinal a criança será o futuro em si, ou seja, não há como ser diferente, mas também não há como cobrar que o professor de escola pública haja diferente, se o fazem ainda hoje, como posso cobrar o feito há meio século.

Mas é ela que me veio à mente nesta última semana em meio às noticias do tumultuoso e contínuo desastre chamado também de petrolão. Este novo novelão não apenas, e naturalmente, se arrasta como todos os imbróglios políticos deste país, como, diferentemente, traz por mais tempo que de costume, novidades a cada capítulo; o desta semana foi muito interessante.

Venina Velosa, que combina com “vela” e com “velar”, desculpem a associação ridícula, mas ela é providencial, -“providencial” também é – afinal, ainda que tudo o que jamais foi dito em público sobre a lama de um país faça com que todos os culpados sejam arrolados no processo, é possível que com a entrada dessa senhora nas discussões, relatando ações e novas denúncias impossíveis de refutar, não tenhamos a justiça conclusiva do caso, e ainda assim, corremos o risco de que muitos envolvidos escapem sem atingir a média mínima de condenação do país nestes casos; que por sinal, é baixíssima.

Então, somente recorrendo ao Altíssimo, mesmo que através de trocadilhos podres.

Volto á criança...

Diferentemente da criança que ouvia e quando assimilava acreditava que a coisa ia acontecer, posso afirmar hoje que passado quase quatro décadas dos meus tempos de escola, não tenho e não temos mais motivo algum para acreditar no futuro prometido – está mais fácil acreditar nas previsões pessimistas.

 Porém, ainda que não seja ouvido, quero fazer um apelo aos senhores que há quatro décadas eram crianças iguais a mim e que hoje frequentam os postos mais queridos deste pais, os políticos. Vocês também passaram por essa fase de acreditar que poderiam mudar o país, e hoje vocês tem esse poder nas mãos. O façam. Lembrem dessa frase infantil e, de posse dela, atuem, hajam, com o espírito de uma criança que na sua pureza acredita que pode fazer a diferença ainda hoje, e hoje vocês podem.

Não é culpa do Lula, da Dilma ou de todos os corruptos; a culpa é daqueles que detém o poder o podem fazer a diferença – vocês que já foram as crianças. Ouvindo as vozes de pessoas maduras e inteligentes que anunciam, até fora de nossos muros, que a continuar nestes trilhos, o futuro de nossas crianças, ainda que elas mudem seus pensamentos, como nós o fizemos, será muitíssimo difícil. Apelo ao mínimo de caráter que possa existir na classe política brasileira que descubram também que assim como vocês tiveram inteligência suficiente para se entocarem aí, consigam entender que podem também ser inteligentes para tirar o país dessa enrascada que apenas a vocês é benéfica; provem a nós que existe vida inteligente na política brasileira, honrem a criança que vocês foram.


É a nossa geração, no comando de vocês, que pode arregaçar as mangas e tomar a luta como uma causa que nos honre; façam a diferença... e façam história... mudando-a para melhor.

überricos




Parece que o número mágico é 67. Sites e órgãos oficiais anunciam que 67 pessoas detêm um patrimônio referente à metade do planeta. E como se esse fosse um número apocalíptico, parece ter acendido algum tipo de sinal de alerta, pois todos estão há um tempo maior do que o normal, comentando o fato.

Não é possível que alguém leigo trace um comentário significativo sobre essa informação, até porque isso não é novidade, afinal a concentração de renda é velha conhecida do mundo, e ainda mais, de nós brasileiros.

O que resta ao resto maior que prossegue com decência sua vida é assistir; aceitar, esperar, trabalhar, pois sabe que, inconformado ou não está sob o mesmo céu que esse número ínfimo.

Para mim resta isso tudo acima e escrever essas bobagens aqui, apenas para registrar que sei parte do que está acontecendo.

Não sou do tipo que fica perdendo tempo imaginando como vivem esses caras. Muito menos sofro com esse tipo de poder alheio. Apenas penso que isso não parece ser bom e que não deveria ser assim.

Cito aqui minha esposa, super espiritualizada, que, em outra feita, ao ser informada sobre a atitude de alguns ricos, saiu-se com essa; “eles são tão pobres que só tem dinheiro”.

É assim, para os mais inteligentes resta o espirituoso, o humor, o sarcasmo, as sacadas inteligentes. Para os também pobres de espírito; sobram o recalque, a inveja, o ficar sonhando com a mentira de como deve ser viver sem problemas, como essas pessoas; como se o dinheiro resolvesse tudo.

Lembro aqui também do meu amigo Amal que, acertadamente, proclama: “com dinheiro, elimina-se apenas os problemas da pobreza; os problemas apenas mudam de lado”, mas sei que a maioria diz a isso, “e daí” e saem com aqueles jargões ensebados de pobre de espírito, de pobre que se pudesse ser rico é exatamente isso que faria: ser apenas rico. 

Do meu lado, – também quero registrar um trocadilho de pobre - digo que a coisa perdeu o sentido porque o homem perdeu o sentido da coisa. Lendo as notícias entendo que não há muito mesmo o que fazer, é esperar, como citei acima, ou tentar, como insiste a mídia com suas frase motivadoras levanta-defunto; “que não devemos parar de perseguir nossos sonhos; determinação, foco, e ao final você também poderá concluir que o importante é ter tentado”, e essa baboseira toda.

Não quero dizer que as pessoas devam desanimar; isso pioraria tudo. Não é esse o caso, afinal nada está tão ruim que não possa piorar, - utilizando-me do padrão do nosso grupo menos criativo - e digo mais, nessa mesma linha de raciocínio: nós humanos somos os campeões em adaptação; acabaremos nos adaptando se as previsões pessimistas dos especialistas tomarem forma.

      É isso; e eu vou comprar gás na vendinha que hoje é dia de maionese

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Câmara de comércio



       Durante os protestos de ontem na sessão do congresso, em que iria ser votada a meta fiscal, o senhor Arlindo Chinaglia, contrariado e tão exaltado quanto a segurança, pergunta a uma mulher que integrava o pequeno grupo, quanto ela estava recebendo para participar do levante.

        Imediatamente e bastante acomodado em frente a televisão, respondi a minha esposa que essa era uma pergunta muito burra, afinal, quem é que em sã consciência se disporá a protestar contra o estado de mãos abanando, apenas por ideologia; hoje não existe mais isto senhor Chinaglia.

        Vai longe a época do sentimento pátrio, da pureza, do ser incauto que lutava por algum ideal imaginário, agora é: ou se recebe para isso, ou é por algum interesse muito grande que as pessoas se deslocam de seus afazeres para tentar alguma coisa contra vocês. Pode ficar tranqüilo deputado, a menos que você queira aparecer ou pagar mico, como é o caso.

*

Pauta do dia de ontem:


Tumulto faz Renan suspender sessão do Congresso que votaria meta fiscal

Presidente do Congresso determinou retirada de manifestantes das galerias.

Devido ao conflito, ele marcou reinício da sessão para as 10h desta quarta.

O presidente do Congresso Nacional, senador Renan Calheiros (PMDB-AL), decidiu na noite desta terça-feira (2) suspender – e retomar às 10h desta quarta – a sessão destinada a votar o projeto de lei que altera a Lei de Diretrizes Orçamentárias a fim de que o governo não seja obrigado a cumprir neste ano a meta de superávit primário (poupança para pagamento dos juros da dívida pública).

O motivo da suspensão foi um tumulto iniciado depois que Renan Calheiros determinou a retirada das galerias de manifestantes contrários ao projeto (veja no vídeo ao lado). Ele deu a determinação à Polícia Legislativa após a deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ) protestar contra supostas ofensas à senadora Vanessa Grazziotin (PC do B-AM), que discursava da tribuna. De acordo com a deputada, a senadora foi xingada de "vagabunda" por manifestantes, mas, segundo o líder do PSDB na Câmara, deputado Antonio Imbassahy (BA), eles gritavam "Vai para Cuba".

Antes de adiar a sessão para esta quarta, Renan suspendeu temporariamente os trabalhos – durante cerca de uma hora – na expectativa de reiniciá-la depois que os policiais legislativos retirassem os manifestantes. Mas isso não foi possível. Um conflito nas galerias envolveu manifestantes, policiais e até mesmo parlamentares.

O projeto que altera a meta fiscal é considerado prioritário pelo governo. Nesta segunda-feira, a presidente Dilma Rousseff recebeu líderes de partidos aliados ao governo e fez um apelo para que a proposta seja aprovada. A redução da meta permitirá ao governo fechar as contas deste ano sem descumprir a Lei de Responsabilidade Fiscal. Parlamentares de oposição são contrários ao projeto. Eles argumentam que a "manobra" é decorrência do desequilíbrio das finanças públicas e acusam o governo de, em ano eleitoral, ter gastado mais do que podia.

Ou



Manifestantes balançam carro de Sarney e impedem desembarque

O senador José Sarney (PMDB-AP) foi impedido nesta quarta-feira (3) de desembarcar na chapelaria do Congresso, entrada principal do prédio, quando chegava para acompanhar a votação da manobra fiscal que o governo tenta aprovar para fechar as contas do ano.

Os manifestantes balançaram o carro do peemedebista e deram tapas na lataria. O senador ficou visivelmente assustado. Ele desistiu de descer no local e seguiu para outra portaria do Congresso.
A Polícia Militar e a Polícia Legislativa reforçam a segurança. O acesso está sendo liberado apenas para funcionários e pessoas autorizadas.

Mais cedo, manifestantes também cercaram o carro do vice-presidente da Câmara, deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), e cobraram a liberação das galerias do plenário, local que permite ao público acompanhar as votações.

Após ouvir gritos de “ditadura!, ditadura!”, Chinaglia perguntou quanto os manifestantes estavam recebendo para permanecer no local. Irritado, o petista desistiu de desembarcar e se dirigiu a outra portaria.

Depois do episódio, o deputado reconheceu que reagiu de forma alterada. “Fui abordado por algumas pessoas de forma provocativa. Acusaram-me de tudo e mais um pouco. Cheguei ao limite e respondi de forma baixa”, explicou o petista.

GRAVATA

Agredida com uma gravata por um dos agentes do Congresso na sessão tumultuada de ontem, a aposentada Ruth Gomes de Sá, de 79 anos, voltou a protestar nesta quarta. Com uma bandeira do Brasil enrolada no corpo, ela disse que vai seguir com as manifestações. “Não vou desistir nunca”.

A senhora apresentou cópia do Boletim de Ocorrência que registrou contra a Polícia Legislativa.

Cobrado por parlamentares da oposição sobre a agressão à aposentada, o presidente do Congresso, senador Renan Calheiros (PMDB-AL), disse que não respondia por excessos de seguranças e de deputados.


“Como presidente do Congresso, não me cabe tratar de excesso da Polícia nem dos deputados que foram para galerias bater nos policiais, invocando a condição de mandatários.