Quem assistiu ao Programa Livre da TV Cultura de ontem
(13/05) onde o bastante lúcido Mario Vargas Llosa deu uma grande demonstração -
se comparado ao que o comum considera opinião inteligente – com palavras e
conhecimento de o quanto a nossa civilização está próxima, a continuar neste
processo de mero coadjuvante autômato, de finalizar a construção da derrocada total
de toda uma espécie.
Por certo que não nos auto extinguiremos, mas jamais
voltaremos a ser como éramos: pessoas com sentimento e senso crítico. E ainda
menos, seres detentores de sensibilidade. Para alguns, assim como para nós que
construímos esta opinião, isto é um fim; um termo, e dos mais deprimentes.
A
cada dia mais caminhamos para o ser fantoche, a pessoa comandada; programada
para pensar o que pode, ou o que é melhor ser pensado. Sem discernimento algum
fora do comando regular; padrão. Alheios, teremos nossos pensamentos
direcionados por um sistema mecânico pré determinado. Não conseguiremos
transformar as máquinas em pessoas, e sim, definitivamente nos transformaremos
em robôs frios e insensíveis, e, como já afirmam acertadamente alguns
cientistas: aos poucos haverá uma mescla e logo teremos espécimes de difícil
avaliação sobre se se iniciou como humano ou inicialmente, foi montado.
O
orwellismo assustou por sua narrativa denunciar um sistema imposto; opressor e
de castração total. O que deveria assustar agora é justamente o oposto. Não
existirá castração, não existirá opressão, o que regula agora é uma espécie de
fartura ilusória, uma sensação de que tudo está muito bem, uma espécie de
comunidade feliz, comunidade do bem, onde, se todos assumirem este estado de
bem estar, não é preciso se preocupar com nada, é o paraíso. Tudo ficará bem, e
isto acontecerá logo, assim que todo o comando souber como conter a violência
com medidas duras, assim que muito dinheiro for investido na paz de seus
cidadãos, isto nos dará uma sensação de tranquilidade, porém não mais haverá o
exercício do pensamento, esta será uma perda irreparável, pois tudo virá
mastigado, enlatado, ainda mais descartável; pronto. Não precisaremos mais nos
incomodar com coisa alguma.
E
a exemplo de hoje, deveremos entender os maiores absurdos para ancestrais que
de alguma sorte pudessem assistir em que nos transformamos, como ações
absolutamente normais. A cada dia mais teremos enraizado em nosso pensamento a
consciência de que é assim que é – não há necessidade de luta, não há
necessidade de discórdia ou revolução, tudo está rodando direitinho como determina
os criadores do sistema mecânico perfeito. Ao menos uma opção do que foi
escrito terá dado certo: finalmente poderemos nos entender como iguais.
Que as palavras de analistas como as ditadas pelo senhor
Llosa assustam e pouco serão ou são levadas a sério, é previsível, porque a
própria história demonstra que todo aquele que tentou enfrentar, apenas com
argumentos contraditório as regras do establishment, não teve sucesso algum. E
quando muito, ou muitíssimo mais tarde foram analisar os compêndios abandonados
e apenas arquivados como histórico: entendeu-se, - sem que houvesse mais tempo
para a mudança – que aquelas eram palavras a serem creditadas, aquelas foram
ideias bastante pertinentes ao momento obscuro que culminou com a vida absurda
que se vivia (vive) então.
Por sua vez, ao ouvirmos a narração afirmativa do escritor,
embora sucinta e resumida, não podemos deixar de concatenar seu pensar acertado
com o nosso analisar mais profundo, e então, tentamos casá-las, também, a nossa
maneira. E entendemos que é apenas desta forma que será possível aceitar como
viável o continuar deste nosso plano momento.
Não
é possível encontrar literaturas de fácil entendimento ou claras, devido à
dificuldade do assunto para corroborar nosso pensamento. Por este fazer
referência às dobraduras do universo, Multiverso ou sobre o paralelismo que se
dá com uma constância ainda incompreensível para muitos dos maiores cientistas
e pesquisadores da área.
Isto
se dá, para estes estudiosos, principalmente devido à falta de ferramentas que
possibilitem, que consigam encontrar fugas, ou formas de sobrepor, suplantar a
referência comum a eles, ou seja, nossas referências são inócuas frente ao
universo abissal que se desdobra incompreensível e invisível fora de nosso
parco domínio mental. E isto se torna ainda mais incrível ou fantástico de se
expor quando nossas referências precisam ser tolhidas ainda mais pelos
incompreensíveis limites da ciência que exige a prova de tudo. Existem milhares
de centenas de exemplos de sucesso que alavancaram a abertura da mente comum e
consequentemente o desenvolvimento por ter se lançado no fantástico sem os benditos
colchões salva vidas, mas trava-desenvolvimento chamado regras pré
estabelecidas que tratavam do: somente é passível de crédito se pode ser
provado.
De
posse disso tudo é fácil entender, depois de prestar atenção em algumas
palavras do senhor Llosa que nosso universo atual caminha a passos largos para
o que podemos denominar uma espécie de bagaço de cana, onde mesmo que ainda se
constitua uma matéria prima rica em propriedades, não passam de restos
limitados; e não é mais possível uma reversão do processo para que então se
obtenha materiais nobres. A única solução possível é se arranjar com o que
sobrou, porém a gana de alguns manufaturadores continua em alta, e mais uma vez
o que precisa ser feito, a única opção é continuar sobrevivendo; adaptando-se
de posse de uma mentalidade imutável no que se refere ao conjunto produção e
consumo sem nunca levar em consideração que continuamos errando em uma rota de
retorno impossível.
P.S.
Assim como o bagaço da cana, o Planeta Terra vem sendo utilizado de várias
formas inapropriadas, sem a preocupação com o futuro, porém este não é o ponto
principal, afinal isto é matéria, e para suplantar isto temos as maiores
universidades e a cada dia mais nos superamos como seres inteligentíssimos
tecnologicamente falando; é certo que tiramos leite de pedra, significando que
de uma forma ou de outra, sobreviveremos, porém, e com a corroboração do senhor
Llosa, não se pode dizer o mesmo com relação ao desenvolvimento do humano como
humano, como ser pensante, como pessoas preocupadas em evoluir mentalmente no
que diz respeito a valores, por exemplo. Assim, a julgar pelo andar da
carruagem, quando nos dermos conta disto, já não será mais possível que se
obtenha um ganho em massa nesta questão.