Quase tornado comum aos que conhecem, pode que Lula perca
todo o ilusório prestígio conquistado, finalmente confirmando para estes a impressão de que
vale menos do que um indivíduo comum. Porém,
ao menos há algo que o partido desse ordinário cidadão fez que preste; eles,
por não possuírem mentes a altura de suas vontades sórdidas, escracharam
algumas das inúmeras brechas existentes no nosso “estado democrático de direito” que podiam tão somente ser
exploradas em (seu) benefício próprio, ou daqueles que se dizem eleitos pelo
povo; o que podemos ou o que nos resta é esperar e torcer para que possamos nos
recuperar antes que o próximo “PT” espolie-nos a vontade, completando assim
esse ciclo ininterrupto do poder contra o povo. (observação asseverada assim
que lido o texto a seguir)
*
Texto cujo link foi nos enviado via e-mail.
O MITO DESMORONA
Engolfado pela maré de más notícias, Lula percebe que não
consegue convencer a Justiça com os mesmos dribles verbais que costuma aplicar
no campo político
Ao longo de 13 anos de julgo petista no País, o
ex-presidente Lula tratou de enriquecer a sua biografia com uma profusão
garbosa de feitos e pitadas de marketing que o converteram em líder impoluto
das massas. Surfou a onda do crescimento econômico fácil gerado na estabilidade
do real. Embalou o sonho da ascensão de classes. Vendeu o projeto aspiracional
de um capitalismo moderno. “Era o cara!”, como dele falou, em um misto de
admiração e deboche, o americano Barack Obama. Lula conseguiu tudo e foi também
bastante eficaz na determinação de se manter na sela do privilégio. De onde
nunca apeou. Mesmo com o passar da faixa, levou junto consigo as facilidades do
poder e a ingerência nos seus bastidores para fazer valer interesses
inconfessáveis. Perceba-se o alcance da responsabilidade do ex-presidente. Foi
ele quem, na solidão do comando, na ansiedade das madrugadas insones, teve de
escolher os bafejados pela regalia. Não houve regra, critério, coisa alguma, a
não ser a opção soberana do petista em traçar os domínios da partilha de
benesses. Quem não se condói de tamanho voluntarismo não possui sensibilidade.
Mal desconfiaram dele, por tempos a fio, seguidores e espectadores da cruzada
de oferendas. E agora, como que por um ato final, abre-se a cortina do
espetáculo. Lula foi desmascarado por ninguém menos que o Procurador Geral da
República. Rodrigo Janot, que ali chegou pelas mãos de seu denunciado, fez
desmoronar o mito. Nas palavras solenes do emissário da justiça, baseadas em
uma avalanche de provas, delações e evidências, “a organização criminosa jamais
poderia ter funcionado sem que o ex-presidente Lula dela participasse”. Pronto.
Ficou afinal delimitado o método de atuação e o responsável. Sacramentou-se nos
autos processuais aquilo que todo mundo sabia. Ou, no mínimo, desconfiava. Lula
alcançou, por mérito e reconhecimento, o olimpo da bandidagem como uma espécie
de “capo” da quadrilha que mais fraudou os cofres públicos. Nunca foi de seu
assecla, José Dirceu, como se quis acreditar, o posto de chefe do bando.
Durante o escândalo do “Mensalão”, Lula protegeu-se alegando estar coberto pelo
manto da mais profunda ignorância. Nada sabia e qualquer acusação o indignava.
Os inquisidores deixaram passar. A sociedade aquiesceu. O Brasil vivia a
opulência do desenvolvimento sem limites.
Do Mensalão para cá muita coisa mudou. O custo dos desmandos
estourou. Ficou evidente. Ninguém mais aceita fechar os olhos a tantos delitos
ou relevar a contribuição hierárquica de malfeitores e beneficiários, por mais
destacado que seja o papel de cada um deles na República – de empresários a
senadores, deputados, tesoureiros, marqueteiros, membros do executivo, muitos
já foram parar atrás das grades, numa faxina moral sem precedentes na história
nacional. Lula, por sua vez, está a um passo de virar réu e de ser enquadrado
na Lei da Ficha Limpa. A denúncia, caso aceita no STF, enterrará de vez as suas
pretensões ao Planalto. Algo impensável para quem de lá saiu, como diz, “nos
braços do povo”. Não é, de todo modo, o único dissabor que ele enfrenta.
Existem inúmeros processos a pesar sobre sua cabeça. Em seis outras frentes de
investigação, o idealizador do PT experimenta a ameaça de derrocada e do apagar
do brilho de sua estrela, com riscos reais e crescentes de terminar os dias na
cadeia. Janot o acusa de obstrução da
justiça, por tentativa de sabotagem na delação do executivo Nestor Cerveró. Há
um pedido de prisão encaminhado à PF. Por todos os lados, rastros
indisfarçáveis de vantagens percebidas no sítio, no triplex, nos quase R$ 30
milhões em palestras, fecham o cerco de suspeitas a sua pessoa. E no
inquérito-mãe da Lava-Jato, Lula ainda desponta ao lado de 69 denunciados,
perfilando na fileira da frente com Eduardo Cunha e Renan Calheiros.
Em muitos momentos dessa escalada, o ex-presidente agiu com
uma truculência digna de nota – registrada em áudios para o estupor da plateia.
Portou-se como um senhor do engenho, típico da era colonial nas suas paragens,
que nada deve de explicações aos serviçais. Distribuiu palavrões. Arrotou
valentia. Trovejou imprecações. Mirou autoridades de várias esferas com uma
incontinência verbal que, em qualquer país do mundo, seria tratada como
desacato. Houve uma circunstância especialmente sublime na cantilena de
desaforos, quando ele tachou de “acovardados” a Suprema Corte, o STJ e o
Parlamento. Aos poucos veio perdendo o “aplomb”. Notou que de nada lhe valia o papel
de vítima. Os inquéritos avançavam. De uns dias para cá, dizem os
interlocutores, Lula tem andado cabisbaixo. Soturno. Não subiu em palanques nas
manifestações do Dia do Trabalho. Tem evitado exposições no mesmo ritmo de
outrora. Quem sabe até tenha caído em si
sobre a gravidade das acusações que lhe pesam. De uma maneira ou de outra, a
autoconfiança foi sendo minada desde a primeira batida policial em sua
residência, quando ele foi levado coercitivamente para prestar depoimento.
Engolfado pela maré de más notícias, Lula está percebendo, a duras penas, que
não consegue convencer a justiça com os mesmos dribles verbais que costuma
aplicar em sua defesa no campo político. Para ele e para os demais, nas barras
dos tribunais, são as evidências que contam.
E é assim que o Brasil vai assistindo a uma verdadeira
ópera-bufa de cenários cambiantes. Com Lula, Dilma, Cunha e Renan estrelando.
Cada um deles repleto de denúncias por crimes variados, muito embora neguem até
o fim culpa ou participação. É preciso um basta! Não existem mais dúvidas sobre
a necessidade de o Brasil ser passado a limpo. Já se vão 10 anos desde as
primeiras apurações – uma década inteira! – com o Mensalão. E desde ali as
coisas pioraram, com práticas criminosas ainda mais sofisticadas. Ficou provado
e registrado que o esquema de pagamento a parlamentares funcionou como uma mera
extensão do gigantesco propinoduto montado para saquear a Petrobras e outras
estatais, cujo intuito maior era o desvio de caudalosos recursos para os fundos
partidários do PT e de siglas aliadas. Nas conclusões da PGR, só Lula, com seu
espectro de influência sobre os demais políticos e controle da máquina, poderia
estar à frente de uma engrenagem tão verticalizada. De mito a menestrel de
maracutaias foi um pulo sem escalas.
Carlos José Marques,
diretor editorial