... porém
na ação, totalmente inábil.
“O que
preferem:
o rito ambiental ou trazer água para a população?”
Secretário Benedito Braga
*
Este é o
mote do que vivemos/vivenciamos hoje; como nos aproveitarmos de um momento
caótico, criado por nós mesmos no passado, e então, o que não era permitido,
agora se faz urgente! Este é o processo, tudo em caráter de urgência, de medidas
protetivas ao que antes não se era possível ouvir falar; não era permitido nem
ao mesmo tocar. Agora passamos por sobre toda e qualquer leis de meio ambiente,
éticas ou sagradas para salvar a população ou interesses, devido aos desmandos
do passado.
Como
exemplo, as medidas de liberação de verbas do governo diante de catástrofes e
urgências de toda ordem; não existe fiscalização alguma agora. Pegamos o que
for possível para salvar o estado eminente e depois veremos por que isso tudo
se deu quando sempre o sabíamos; assim como o sabemos que ninguém irá pagar o
prejuízo a não serem todos (aqueles que não sabem disso).
E tudo isso
são favas contadas, mais do mesmo. O que deveria indignar é o fato de que não
há a mudança; não há a conscientização; não há o convencimento real de que
sempre foi assim e é justamente por isso que assim continuaremos.
*
“O que
preferem: o rito ambiental ou trazer água para a população?”
30/03/15 -
Em meio à pior crise de abastecimento enfrentada pela Grande SP, o secretário
estadual Benedito Braga (Recursos Hídricos) diz que a gestão Geraldo Alckmin
(PSDB) teve de escolher: levar água para a população no período de seca ou
respeitar o rito ambiental tradicional para dar andamento a obras emergenciais.
Foi
escolhida a primeira opção, de acordo com ele.
"Se
fossem respeitados os ritos, não teríamos condições de prover essa água à
população em julho [de 2015]", afirma o secretário, que diz que deverão
ser usados "atalhos" para cumprir as exigências.
Em
entrevista à Folha, o secretário, que assumiu a pasta em janeiro em meio à
crise de abastecimento, avaliou como muito reduzidas as chances de um rodízio
de água neste ano.
Para Braga,
que é professor de engenharia hidráulica da USP e presidente do Conselho
Mundial da Água, as pessoas que torcem pelo rodízio querem ver uma
"situação realmente ruim" em SP.
Entre as
principais obras emergenciais previstas para este ano está a ligação entre dois
mananciais, o Rio Grande e o Alto Tietê. Outras deverão reverter rios da Serra
do Mar, alguns em área de Mata Atlântica, para abastecer os reservatórios da
Grande SP.
Folha - Um
rodízio neste ano está completamente descartado em São Paulo?
Benedito
Braga - Em função das condições que prevalecem nos nossos sistemas de
armazenamento, as chances de termos um rodízio são bastante baixas --e nós
estamos trabalhando da forma mais conservadora possível, não fazendo hipóteses
de que vamos ter grandes chuvas daqui para frente.
É
importante observar que, depois dessa crise, não temos uma condição de
previsibilidade [de chuvas] muito boa, como tínhamos antes.
Então, não
podemos garantir que não vamos ter rodízio. Temos tudo preparado para tomar as
decisões dependendo da condição do clima que prevalecer neste ano. Tudo vai
depender de como vem a estação seca [de abril a setembro].
Qual deve
ser o custo da crise neste ano para a população?
O custo não
será diferente do que está sendo agora. Durante este ano, nós teremos ainda que
adotar medidas de redução de pressão que incomodam as pessoas, porque é uma
situação fora do normal.
É muito
importante termos em conta que a situação que vivemos é muito melhor do que uma
situação de rodízio.
Haverá um
custo muito menor do que aquele que teríamos se implantássemos o rodízio
[interrupção completa do fornecimento de água].
O balanço
financeiro da Sabesp relativo a 2014 mostrou que o lucro da empresa caiu pela
metade. Essa queda será repassada ao consumidor?
O que houve
foi uma queda no lucro [de R$ 1,9 bilhão para R$ 903 milhões]. A redução do
lucro era esperada, em função da redução do consumo e da concessão de bônus.
Não tem
como repassar para a população, isso é um resultado que tivemos em função da
crise da água.
Mas essa
queda poderá impactar as obras programadas para este ano?
Não. O
custo dessas obras não é exagerado. Há previsão orçamentária e não há atraso
nenhum nas obras sob o ponto de vista físico e financeiro.
Pela
urgência das obras, a questão ambiental não está sendo atropelada?
Nós temos
uma situação em que, se fossem seguidos os ritos tradicionais do setor
ambiental, nós não teríamos condições de prover essa água à população em julho.
Então, a
questão é uma escolha. O que vocês preferem: seguir o rito ambiental ou trazer
água para a população?
O governo
fez a escolha?
Fez a
escolha de seguir o rito dentro da emergência. E, dentro da emergência, você
tem atalhos para o setor ambiental. Tudo está sendo feito dentro da mais
absoluta regra da lei e da ordem.
A única
coisa é que isso teve que ser feito de uma forma mais rápida. E o rito, dentro
dessa forma mais rápida, é diferente das obras tradicionais, em que você tem o
relatório de impacto ambiental, audiência pública e assim por diante.
Mas a
Cetesb faz todas as análises, (...) e o governo não está fazendo nada fora da
lei.
Está sendo
feita uma obra de emergência, mas dentro de todos os ritos da lei de licitações
e da lei ambiental.
As chuvas
recentes fizeram com que o governo estadual recuasse na transparência em
relação à crise, como não informar o real risco de um rodízio? Não são os
mesmos erros do ano passado?
Não, não há
erros nem em 2014 nem em 2015 e não haverá erros em 2016. Trabalhamos com uma
boa expectativa de passar este ano, mas nos preparando para o pior, que é um
plano de contingência.
Estamos
fazendo tudo dentro da mais absoluta técnica. Não existe falta de
transparência, porque informamos diariamente a situação dos reservatórios da
região metropolitana. Não há nenhuma falta de transparência.
Como o
senhor classifica a atual situação?
Nós estamos
caminhando para ocupar minimamente o volume morto, o que significa que ainda é
uma situação muito difícil. Nós gostaríamos que o reservatório estivesse
praticamente cheio.
Mas, com
essa reserva que estamos acumulando e com as obras que estamos trazendo, temos
a possibilidade de superar a crise, mas não é ainda uma situação confortável.
O sr. disse
que não houve erros em 2014. Como eleitor, mesmo fora do cargo, o sr. se sentiu
atendido pelas declarações do governo sobre a crise?
As decisões
tomadas foram corretas. Em 2014, ainda havia o final do ano como uma época em
que normalmente há as chuvas e os reservatórios enchem.
Então,
tomar uma medida como o rodízio, como muita gente queria, eu sempre fui
publicamente contra. Entraram com o incentivo econômico [bônus para quem
economizar], depois com as válvulas redutoras de pressão. E foi tudo muito
lógico.
Mas a
sobretaxa veio só depois da eleição...
Não quero
entrar nesse detalhe de sobretaxa [pagamento adicional para quem extrapolar o
consumo médio]. O que estou dizendo é que o que foi feito em 2014 foi certo.
Esse
negócio de dizer que o governo errou não está certo. Talvez, as pessoas que
insistiram muito em rodízio queriam ver uma situação realmente ruim. Seria
fácil fazer o rodízio, é só fechar a manivela. O duro é fazer o que a Sabesp
fez: colocar válvulas e sofrer o impacto econômico de colocar o bônus.
Então o sr.
acha que ter negado que haveria desabastecimento e que seriam usados os dois
volumes mortos foram medidas acertadas?
O resultado
foi muito bom. Não tivemos desabastecimento, tivemos 1% da população impactada
com as medidas. Portanto não tenho crítica.
Mas há
problemas de desabastecimento em alguns bairros na periferia de São Paulo...
Não se pode
negar que haja uma crise hídrica. É como em uma guerra dizer: "Você vai me
matar com uma uma [arma calibre] 45 ou com uma 22?". É querer colocar
regra em meio a uma situação muito complicada. É querer que todo mundo tenha
água quando tivemos um ano de 2014 que teve 50% menos água que a mínima de
1953.
A tarifa
hoje é muito barata?
São Paulo
tem uma das menores tarifas do Brasil. Tem 21 Estados que praticam tarifas
acima da tarifa da Sabesp.
Acho que o
custo da água, em função da dificuldade de encontrar novos mananciais e dos
custos operacionais... Acho que a tarifa hoje no Estado é aquém do necessário.
A crise
traz algum benefício?
Acho que
sim. O pessoal no Sudeste não sabia que tinha que fazer a barba abrindo e
fechando a torneira. O nordestino já sabia disso há muito tempo. A crise trouxe
essa consciência.

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