Ao ler o artigo de Monica Baumgarten de Bolle; A morte
da borboleta azul esta semana, onde o site destaca a frase: "Dilma matou a
borboleta azul; restou ao Brasil a lagarta vermelha", resolvi escrever as
palavras a seguir aqui no meu divã/exercício. Ninguém é obrigado a concordar
comigo, porém é certo que não estou de todo errado.
*
Os defensores dos “ismos” que estão por vir precisam
tomar mais cuidado em relação às ideias a serem defendidas, mas principalmente,
aos integrantes que pretendem nomear para empunhar suas bandeiras, para que em
algum momento futuro esses movimentos consigam manter-se como organizações de
respeito por um período útil maior ou que, somado a inutilidade de sua
existência, evitem que seu histórico seja pontuado ou atrelado a acontecimentos
que façam parelha com piadas e comentários cômicos ou pitorescos entremeados ou
distantes da seriedade antes tentada.
O lugar comum destas bandeiras, que se aninha também
entre seus pecados capitais, está em suas escolhas em relação aos símbolos
icônicos e ostentados com orgulho; os indivíduos que por defenderem apenas uma
meia dúzia de palavras bem colocadas ou ideias da moda e pretensas inovações e
revoluções passageiras, são erigidos aos púlpitos e defendidos como exemplos;
apresentados como se representassem o modelo exemplar que veio para ficar,
quando se esquecem de que o homem tem por natureza esconder sua verdadeira
natureza...
Somando ao fato de que jamais nos
convenceremos, - muito por conta de historiadores que buscam valorizar ao levar
suas pesquisas quase além de seus egos inflados, seguidos por consumidores de
canapés entremeados em rapapés que convencem apenas grupos afins - que a
cultura do “ismo” não passa de um arquivo, um escaninho classificatório, nada
mais que isso, e, se fez ou não história é outra questão. Porém existirão
sempre aqueles que insistem em carregar esqueletos por simpatizarem com a
antiga ideia proposta, embora isso se dê mais por falta do que fazer ao invés de
olhar para frente com intenções sérias de contextualizar o passado pensando não
o próprio – ou como se ainda fizesse parte dele -, mas o futuro.
Tanto aqueles quanto uma série de outros que, iludidos
por propostas de natureza escusa, se esquecem, repito, que no mais das vezes os
“ismos” se originam de um modismo momentâneo e são vigorados por conta de
outros desatentos permissivos a sua continuidade, ao concordarem com ações que
alimentam estas comunidades. Grupos onde tais ilusões, ou por força da mídia
que dá vazão ao que dá audição, metralha a sociedade com ideias tão improváveis
quanto inaprováveis conseguem, ao atingir o terreno infértil de seus
admiradores, fazer vingar aquilo que ao homem sensato seria inaceitável, muitas
vezes transformando o não ético em lei pétrea.
Uma ideia tornada “ismo” pode ser creditada também
aquele que se auto intitula senhor, pai desta, e, aclamado por toda essa massa
que tenta manter-se ocupada com o que não agrega, dá vida ao monstro ou até
mesmo a uma pequena boa criatividade. O problema reside exatamente no fato de
que seus agregados, seus membros querem, buscam, anseiam torna-la maior por
conta de não parecerem paspalhos aos seus assistentes que precisam ser mantidos
admirando-os.
*
Pensando grosseiramente é possível, através do fenômeno
Dilma, observar porque os “ismos” que se querem sociais evolutivos acabam todos
não encontrando uma forma de impor-se como uma unanimidade perene. É claro que
o feminismo nunca teve essa pretensão, - afinal ela lhe caiu de uma hora para
outra como um presente que ao logo dos anos vem se esfacelando e se mostrando
um presente de grego. Por conta do fato também de que é inegável que a bandeira
feminista precisa aceitar que o ícone Dilma em um espaço de tempo muito breve
pesou bastante no quesito catástrofe; a ideia do movimento como um todo.
Temos que ela não era nada, que o PT convenientemente a
construiu e que, a história irá provar isso. Oportunista, o senhor Lula tentou
transformá-la – e a custa do povo conseguiu por um período maior do que o
Brasil poderia aguentar - em nada mais que uma ponte que costurasse seus dois
mandatos; perpetuando-o no poder o mais que pudesse em um país que se mostrava
minimamente cercado por leis que, se não permitiam que ele se mantivesse no
poder como seus ídolos latinos, dava-lhe condição de mover peças que o
mantinham aqui como o Putin na Rússia; pretensioso não?
E como não dispor de uma mulher para ganhar o público
feminino!?! E mais; uma pessoa que até então era uma técnica - virgem
politicamente - com um histórico que ao ser trabalhado por bons marqueteiros
eleitorais, poderia ser aproveitado mantendo em riste o seu mastro de guerreiro
do nada movimentando a continuidade de seu ego inflado, trazendo a tona, de seu
próprio mundo, essa figura cujo dono seria premiado uma vez mais em seus
megalômanos propósitos politiqueiros.
Mas a história não perdoa e acaba se repetindo. A
história, o tempo são os “carinhas”, mais previsíveis que conhecemos, o
problema somos nós, humanos pretensioso, que acreditamos poder um dia, vestido
de um corpo apenas, vencer o páreo contra estes algozes em apenas uma
existência. Como diz o editorial do FT de Londres, semana passada, que aconteça de forma que o caótico possa ser evitado.
A dona Dilma, entre todas as lembranças negativas de
sua passagem pelo governo, servirá no futuro, também, como mais uma chamada de
atenção a todo aquele que se engraça através da opinião terceira e ostenta,
demonstrando total falta de personalidade, como seu ícone defendido com orgulho
um santo de barro ou do pau oco, como queiram. Triste mesmo é saber que ninguém
aprenderá a lição.
*
Monica Baumgarten de Bolle - A
morte da borboleta azul
A
redução da meta fiscal para 2015, de 1,1% do PIB para mísero 0,15%, não é
vitória dos refratários à austeridade, tampouco derrota de Levy. Como bem disse
o ministro da Fazenda em recente entrevista, a revisão da meta foi fruto de um
Congresso que "não ajuda", um Congresso em crise.
O
que o ministro não disse é que o Congresso hostil reflete o repúdio à sua
chefe, além da completa falta de habilidade política da presidente. Contudo,
não é de hoje que o país está sem meta. Há quatro anos e sete meses, o Brasil
escolheu o caminho que desaguou na pior crise econômica em 20 anos.
A
recessão, o desemprego, a inflação, nada disso é fruto do ajuste fiscal que nem
sequer foi implantado. Os problemas que assombram os brasileiros são o
resultado nefasto de desmandos sobrepostos na condução da política econômica.
Ao
longo dos últimos anos, antes de ser colunista deste jornal, escrevi muitos
artigos sobre a má gestão da economia brasileira. Em um deles, publicado no
"Globo a Mais" de setembro de 2012, tratei da triste história da
borboleta azul.
Fim
dos anos 1970, sul da Inglaterra. Infestação inédita de coelhos ameaçava os
prados verdejantes e as plantações das fazendas da região, levando os
produtores a declarar que uma crise ambiental estava prestes a ocorrer e a
pedir socorro ao governo.
Para
evitar um massacre possivelmente infrutífero de coelhos, já que a taxa de
reprodução dos animais é quase inigualável na natureza, as autoridades
encontraram uma solução "brilhante". Inocularam os bichinhos com um
vírus que os deixava letárgicos, mais suscetíveis aos seus predadores naturais,
menos libidinosos.
Inicialmente,
o experimento foi um sucesso. A população de coelhos caiu, preservando as
plantações e evitando a temida catástrofe. Contudo, a estrada para o inferno é
pavimentada de boas intenções, como diz o famoso aforismo.
Com
menos coelhos, ervas daninhas proliferaram e a grama cresceu mais do que o
normal. O crescimento da grama acabou aniquilando a população de um tipo de
formiga que só sobrevivia alimentando-se da grama mais baixa. Infelizmente,
essa formiga tinha laços estreitos com a borboleta azul, carregando seus ovos
para o formigueiro e cuidando de suas larvas até que se tornassem lagartas
adultas. Sem a proteção das formigas, os ovos da borboleta azul ficaram
expostos aos predadores. Um dia, a borboleta azul sumiu para sempre do sul da
Inglaterra.
A
presidente Dilma Rousseff passou quatro anos inoculando a economia com o vírus
da letargia. Fez transformação radical na condução da política macroeconômica
brasileira, assessorada por renomados "heterodoxos".
Introduziu
medidas protecionistas, piorando a conhecida falta de competitividade das
empresas nacionais. Turbinou o crédito público desarrumando os mercados e
enfraquecendo os juros como instrumento de combate inflacionário. Obliterou a
credibilidade fiscal do Brasil ao permitir "pedaladas" e outras
formas sórdidas para mascarar a implosão dos alicerces das contas públicas
brasileiras. Matou a borboleta azul.
Ao
falar sobretudo isso em 2012, afirmei que mataríamos a borboleta azul e
sobraria a lagarta vermelha, aquela que se transforma, na melhor das hipóteses,
apenas numa mariposa cinza. Dito e feito.