sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Para alguns é certo: não existirá outra vida


 
 
Logo no início do filme Millennium um industrial bandido fala a imprensa, com todas as forças, - como é comum a todos desse naipe – não como se estivesse ofendido por ser acusado de ladrão desonesto, por ter desviado recursos ou coisa que o valha em seus negócios espúrios, mas, seguindo a linha do que vimos esta semana pelo Zé Genuino, afirma inocência, e, é claro, que é mais uma vítima, porém, que mesmo assim continuará lutando pela justiça no seu País.

Nas declarações, o bandido do filme tenta se defender, (também, como é de praxe) afirma nada dever, e mesmo que entenda a situação do jornalista que tentou desmascará-lo, nada pode fazer a não ser esperar, afinal todos sabem como funciona: a toda reação há uma reação, e a todo o ato ou a todo o passo mal dado é sabido que as consequências virão; isto é inevitável, declara de forma contundente; a sempre clara demonstração de quem se diz com a consciência tranquila por nada dever. Porém, como de costume, este engodo falacioso de fanfarrão desesperado acaba dando certo, e não raro é comum que a patuleia aceite, mesmo quando condenado, como assistimos esta semana no caso citado, quando o meliante busca com seu cinismo, plantar a semente da dúvida naqueles mais incautos.

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Lendo uma revista que a mim nada diz, mas é o que se tinha À mão no momento. Em mais uma reportagem onde é levantada a suspeita sobre se o Vladimir Putin é ou não o facínora que alguns milhões consideram. As linhas desfilam uma série de situações onde tudo leva a crer que ele possui muitíssimo mais do que recebeu como “ditador” (como alguns a ele assim se referem devido a sua truculência) da Rússia neste período que soma pouco mais de uma década como o principal membro da política daquele país.

 O montante que o autor da matéria julga ser seu espólio é tão vultuoso que alguém criativo, não sei se da própria revista,  ou esta copiava de algum outro lugar, o que acredito ser mais provável, (dada a moral duvidosa da mesma), fez um trocadilho mudando a expressão “nababesco” por “putinesco” numa clara alusão de que quando nos referimos ao Putin é bem possível que estejamos lidando com valores que ultrapassam aqueles do tempo dos nababos.

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Um conhecido meu, ligado a estes lances de espiritual, desenvolveu uma teoria bastante interessante sobre estes tipos que fazem mil e uma peripécias para elevarem seus nomes o mais longe possível na história (desse país; desculpem, não resisti) que, para conseguirem isto não se preocupam se alguém pagará algum preço alto a custas desta ascensão.

Conta ele, que todos estes indivíduos não acreditam que exista outra vida – mesmo quando em alguns casos precisem posar de santo próximo a algum vigário. Tudo, para eles, resume-se a esta absurda existência chamada “Vida na Terra”. Entendem estes desavisados que dentro de centenas de bilhões de outros pontos de tamanho consideráveis já descobertos no universo; a despeito de que cientistas há séculos insinuam a existência de mundos paralelos, de portais e de outros povos concorrentes ao nosso dentro do que alguns chamam de Todo, (como concorrentes não se trata necessariamente de contrários) a imensa maioria, e dentre eles, os aproveitadores oportunistas, entendem que este medíocre grão de pó chamado Terra é o início e o fim de tudo.

Dentro, de posse deste pensar, a maioria deles entende que o que há para ser feito tem que ser feito dentro destas, talvez, com sorte, oito décadas de existência; segundo meu colega mais um ato falho, afinal não é muito inteligente imaginar, acreditar que somos inseridos em um mundo onde o homem existe a milhões de anos, e a cada um é dada apenas uma ínfima cota de vida.

Sendo assim, alguns desta turma de incrédulos, (sobre o fato de que: há mais) sai a cometer o maior número de ações possíveis para perpetuar seu nome na história, afinal, pasmem, para estes, o nome ficará, a alma, o espírito, não, ou seja, é importante para estes que ignoram; que trabalhem o seu nome, que construam seja lá o que for para que seus nomes vigorem no panteão dos heróis, embora uma série deles esqueça ou não acredita que a alma, o espírito, não padecerá com o corpo, (indubitavelmente eles então, continuarão existindo, independente de crerem ou não nesta máxima, e, quem sabe, este seja o seu maior castigo), porém não é difícil fazer uma alusão sobre o histórico destes heróis, onde se pode entender que alguns deles verdadeiramente parecem já não a possuírem mais, no caso aqui, com relação a alguma corja tal qual os personagens descritos, é quase impossível entender que um homem com algum tipo se sentimento que advém da alma seja tão insensível aos anseios ou as necessidades daqueles que sofrem a sua volta.

No caso do comandante russo, como exemplo, independentemente se algum dia alguma luz ilumine o que dita a imprensa mundial sobre seus desmando; como se pode entender que um homem com algum resquício de espírito roube e mate, ou se isto não for provado, pode se refestelar como um bilionário acima do bem e do mal enquanto um povo inteiro continua sofrendo as consequências do ato deste único facínora e, neste  caso em particular, estamos a nos referir a um estado político que carrega o agravante de que esta situação vem se arrastando a séculos.

Meu amigo, que é enfronhado em estudos e pesquisas sobre o assunto “depois daqui”, há mais de três décadas, conclui que é muitíssimo difícil compreender o comportamento humano, principalmente no que se refere ao desconhecido, ao que depende mais do sentimento para a tomada de decisão, ou seja, quando não existe um material sério indicando o caminho, as pessoas de espírito fraco, no mais das vezes escolhem a forma mais fácil de sobreviver, mas de preferência uma que os coloque em vantagem sobre as demais. É a partir deste ponto que se separam os materialistas, aqueles que entendem que tudo aqui nasce e morre, tudo se resume em físico, que a evolução está acontecendo como um eterno e absurdo processo onde o homem é, em seus parcos anos de existência frente a este universo, apenas mais uma matéria animada que faz parte deste acontecimento apenas aí, durante este curtíssimo espaço de tempo, e que, se ele não escrever, não registrar sua marca durante este curtíssimo período, seu nome desaparecerá para sempre como o seu mísero corpo.

É certo que existam outras situações tantas, afinal estamos a falar de comportamento humano, e dentro deste assunto, temos aqueles conhecidos como: covardes, fracos e medrosos; que ao aproveitar a oportunidade de nascer próximo a uma população que nutre um pouco de respeito uns pelos outros, estes tipos desleais, aproveitam para espoliar o entorno, entendendo o momento propício; oportuno, mas este é outro caso, embora tudo desemboque no mesmo estado geral final – todos acabarão por enfrentar suas consciências.

Voltando então a tese do meu amigo, ele tem certeza de que a dúvida das pessoas sobre a existência de uma alma ou espírito, ao longo do tempo transforma-se em realidade, porque geralmente estas pessoas acabam por eliminar, mesmo que de forma velada, a moral, o compromisso com uma moral coletiva, com a ética, com o companheirismo desinteressado, ou seja, eles somente farão parte de um grupo, se aquele grupo de alguma forma mantiver ou perpetuar seu estado de ganho, o contrário, seria perda de tempo para estes que entendem o quanto é curta a vida – analisando-a sobre o contexto aqui descrito.

 E realmente é curta, conclui meu colega pesquisador. Garante ele que estes pobres coitados que tem na vida física seu maior patrimônio (não maior que o fruto de seus “ganhos”), acabam por materializar – isto mesmo; através de um intrincado processo cerebral de voltar seu pensamento para algo que realmente acredita – estes estado de vida única e material, e isto então, realmente, os condenará a uma única vida, e de alguma forma inexplicável estas pessoas sentem – num verdadeiro paradoxo, afinal estes nada sentem durante a vida – que serão finalmente, apenas seus nomes a perpetuarem-se, elas, suas almas, seus espíritos estarão verdadeiramente condenados a um lugar que não é preciso sentimento ou crença para que exista: o inferno.

 Isto acontece, inevitavelmente, porque a alma persistirá para todo o sempre, porém estes anormais, com o poder de seus pensamentos funestos de toda uma vida, conseguem atrofiar seus espíritos e é então por isso que condenam sua existência eterna às províncias do abismo.

É claro que aqui há contestações sobre o estudo, afinal o inferno remete a religião, e necessariamente a nós ocidentais, a Deus, porém descobriu-se, em escritas antiquíssimas que o inferno não é uma exclusividade dos cristãos, e nem de qualquer outra religião ou seita, o inferno é tão diverso quanto às formas destes bandidos transvestidos que aqui se camuflam para perpetuarem seus nomes.

Estão certos eles então sobre a não continuidade da alma, estão certos eles então sobre tentarem de todas as maneiras ilícitas fazer com que ao menos seus nomes para sempre aqui existam, mesmo que linkados a falcatruas, ao banditismo que inexoravelmente farão par aos seus nomes sempre que citados.

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