Durante os protestos de
ontem na sessão do congresso, em que iria ser votada a meta fiscal, o senhor Arlindo
Chinaglia, contrariado e tão exaltado quanto a segurança, pergunta a uma mulher que integrava o pequeno grupo, quanto ela
estava recebendo para participar do levante.
Imediatamente e bastante acomodado em frente a televisão,
respondi a minha esposa que essa era uma pergunta muito burra, afinal, quem é
que em sã consciência se disporá a protestar contra o estado de mãos abanando,
apenas por ideologia; hoje não existe mais isto senhor Chinaglia.
Vai longe a época do sentimento pátrio, da pureza, do ser
incauto que lutava por algum ideal imaginário, agora é: ou se recebe para isso,
ou é por algum interesse muito grande que as pessoas se deslocam de seus
afazeres para tentar alguma coisa contra vocês. Pode ficar tranqüilo deputado,
a menos que você queira aparecer ou pagar mico, como é o caso.
*
Pauta do dia de ontem:
Tumulto faz Renan
suspender sessão do Congresso que votaria meta fiscal
Presidente do Congresso
determinou retirada de manifestantes das galerias.
Devido ao conflito, ele
marcou reinício da sessão para as 10h desta quarta.
O presidente do Congresso
Nacional, senador Renan Calheiros (PMDB-AL), decidiu na noite desta terça-feira
(2) suspender – e retomar às 10h desta quarta – a sessão destinada a votar o
projeto de lei que altera a Lei de Diretrizes Orçamentárias a fim de que o
governo não seja obrigado a cumprir neste ano a meta de superávit primário
(poupança para pagamento dos juros da dívida pública).
O motivo da suspensão foi
um tumulto iniciado depois que Renan Calheiros determinou a retirada das
galerias de manifestantes contrários ao projeto (veja no vídeo ao lado). Ele
deu a determinação à Polícia Legislativa após a deputada Jandira Feghali
(PCdoB-RJ) protestar contra supostas ofensas à senadora Vanessa Grazziotin (PC
do B-AM), que discursava da tribuna. De acordo com a deputada, a senadora foi
xingada de "vagabunda" por manifestantes, mas, segundo o líder do
PSDB na Câmara, deputado Antonio Imbassahy (BA), eles gritavam "Vai para
Cuba".
Antes de adiar a sessão
para esta quarta, Renan suspendeu temporariamente os trabalhos – durante cerca
de uma hora – na expectativa de reiniciá-la depois que os policiais
legislativos retirassem os manifestantes. Mas isso não foi possível. Um
conflito nas galerias envolveu manifestantes, policiais e até mesmo
parlamentares.
O projeto que altera a
meta fiscal é considerado prioritário pelo governo. Nesta segunda-feira, a
presidente Dilma Rousseff recebeu líderes de partidos aliados ao governo e fez
um apelo para que a proposta seja aprovada. A redução da meta permitirá ao
governo fechar as contas deste ano sem descumprir a Lei de Responsabilidade
Fiscal. Parlamentares de oposição são contrários ao projeto. Eles argumentam
que a "manobra" é decorrência do desequilíbrio das finanças públicas
e acusam o governo de, em ano eleitoral, ter gastado mais do que podia.
Ou
Manifestantes balançam
carro de Sarney e impedem desembarque
O senador José Sarney
(PMDB-AP) foi impedido nesta quarta-feira (3) de desembarcar na chapelaria do
Congresso, entrada principal do prédio, quando chegava para acompanhar a
votação da manobra fiscal que o governo tenta aprovar para fechar as contas do
ano.
Os manifestantes
balançaram o carro do peemedebista e deram tapas na lataria. O senador ficou
visivelmente assustado. Ele desistiu de descer no local e seguiu para outra
portaria do Congresso.
A Polícia Militar e a
Polícia Legislativa reforçam a segurança. O acesso está sendo liberado apenas
para funcionários e pessoas autorizadas.
Mais cedo, manifestantes
também cercaram o carro do vice-presidente da Câmara, deputado Arlindo
Chinaglia (PT-SP), e cobraram a liberação das galerias do plenário, local que permite
ao público acompanhar as votações.
Após ouvir gritos de
“ditadura!, ditadura!”, Chinaglia
perguntou quanto os manifestantes estavam recebendo para permanecer no local.
Irritado, o petista desistiu de desembarcar e se dirigiu a outra portaria.
Depois do episódio, o
deputado reconheceu que reagiu de forma alterada. “Fui abordado por algumas
pessoas de forma provocativa. Acusaram-me de tudo e mais um pouco. Cheguei ao
limite e respondi de forma baixa”, explicou o petista.
GRAVATA
Agredida com uma gravata
por um dos agentes do Congresso na sessão tumultuada de ontem, a aposentada
Ruth Gomes de Sá, de 79 anos, voltou a protestar nesta quarta. Com uma bandeira
do Brasil enrolada no corpo, ela disse que vai seguir com as manifestações.
“Não vou desistir nunca”.
A senhora apresentou cópia
do Boletim de Ocorrência que registrou contra a Polícia Legislativa.
Cobrado por parlamentares
da oposição sobre a agressão à aposentada, o presidente do Congresso, senador
Renan Calheiros (PMDB-AL), disse que não respondia por excessos de seguranças e
de deputados.
“Como presidente do
Congresso, não me cabe tratar de excesso da Polícia nem dos deputados que foram
para galerias bater nos policiais, invocando a condição de mandatários.