Jamais pensei em fazer
deste um trabalho sério. E assim termino; basta – alinhavando – observar o
título.
Quase
todos os textos ou frases aqui registrados são pequenas explosões, pequenas
catarses, provocadas, mais, de indignações repentinas e algumas vezes até
descuidadas, por representar um primeiro jorro de impropriedades originadas
do assistido, do lido, do observado no externo.
Em
algumas situações, muito do contexto final não passa disso – aliás, este era o
objetivo primeiro: um momento/divã, um momento de expelir o veneno interno
formado da indignação, do acinte a inteligência, da falta de vergonha, da
pachorra, do abuso, da falta de cuidado, da falta de critério, do
descompromisso geral, do entender ótimo o medíocre, do entender aceitável o que
não passa de lixo, da injustiça, para com um grupo ou todo um estado de coisas
– na linguagem colocada em forma de opinião, que considero, toda própria.
A
pretensão única era a de falar para eu próprio, uma espécie de meditação, uma
espécie de beliscão, como se eu precisasse disso para acreditar, ver, manter-me
acordado do que estava acontecendo. Como se as palavras aqui dispostas, as
ideias formatadas: mantivessem-me alheio, fora, não comungando com os absurdos
assistidos.
Portanto,
isto tudo aqui (da primeira postagem até agora) é do autor para o autor, porém
o fato de fazer este “registro público” faz do autor um esnobe, por se entender
digno de observação, (ou querer-se observado) – aqui um primeiro e mais
importante sinal de que este trabalho de “análise” precisa cessar.
Se
é do autor para o autor, como bem disse um amigo: “ele pode ser feito no caderno”;
ou seja, se ele ajuda, se é para servir como um tipo de meditação, ele pode ser
continuado dentro, apenas, de quatro paredes.
Ponderei
estes aspectos, tanto interno quanto externo e cheguei a um último, mais
poético, mais valoroso - ainda que bastante salpicado (empanado?) de esnobismo.
Ouvi, em algum momento recente, que um respeitado indivíduo pararia com sua
coluna devido ao fato de não haver mais sentido escrever sobre uma de suas especialidades.
Apreciava o cara na época; e passei a fazê-lo com mais respeito a partir de
então, por admirar a sua atitude – que entendi como ousada e original -, assim,
encontrei nele também: um motivo a mais para encerrar este momento - quem sabe
até para mostrar respeito com tudo o que foi feito. Comentou também, esse
colunista, que em determinada situação perde a graça. Não reafirmo apenas isso,
mas acrescendo que todo esse processo acaba cansando; fica essa situação de
repetição. Os únicos que não se enchem, não se fartam, não se incomodam com a
repetição são estes calhordas sínicos que insistem em se aproveitar da situação
caótica instalada, que, ainda que lhes proporcionem os excessos; é um estado de
coisas que sobrevive agonizando.
Somo
às palavras dele o fato de não haver sentido em manter este espaço. Vivemos um
estado onde, para haver mudança é preciso ou algum tipo de lavagem cerebral,
pois a piada rápida apenas diverte por alguns segundos. E a crítica ali
inserida, fará apenas com que as pessoas riem, alguns se admirem e uma boa
parte nenhum dos dois; ou que aconteça uma catástrofe, porém é certo que mesmo
delas o resultado continua sendo um “chocolate”[1] a favor
da minoria estável no sentido de se aproveitarem do ocorrido e pouco fazer para
amenizar o massacre sofrido pelo volume maior de atingidos.
Aliás,
este que era para ser um espaço de análise; onde eu faria um contato com minha
caneta ou o meu teclado e então espaireceria, voltava às boas com a minha
revolta, vem acontecendo exatamente o contrário; ao ver as barbaridades
avolumando-se nas páginas dos jornais, mais vontade ainda, mais indignação,
mais revolta tem rondado meu espírito.
Definitivamente, não está dando certo, não estou tendo
resultado com este exercício (remédio) auto aplicado. Por outro lado posso
estar contribuindo com os excessos, e isto não está parecendo ser bom nem está
resolvendo o problema de ninguém.
Aprendi que nossos atos são poderosos, mesmo os mais insignificantes,
e deles, todos, resultam energias, assim, se uma proposta que era para
transformar algo ruim em bom não se mostra eficaz, a inteligência manda, a
natureza sã procura um caminho outro para sanar o problema.
De maduro, às portas do velho; recordo-me do início, na
chegada em Curitiba, no primeiro emprego. Tinha o privilégio de semanalmente deliciar-me
com a coluna do Millôr. Fui iniciado através das páginas da Folha de Londrina,
onde havia uma coluna semanal deste mestre inabalável.
Aprendi com ele a desconstruir o sistema, de métrica, rima e
estética – jamais que isso tudo não era importante, porém que não era nada
importante. E a construir uma consciência crítica em um cidadãozinho de
dezenove anos, super interiorano. Afirmo que as ideias do Millôr foram
responsáveis por algo que alguns filósofos afirmam ser o dever de todo o homem:
Dar um passo para fora da coisificação.
Ainda hoje tenho os recortes. Fazia-o, escondido da chefa.
Lia e relia aqueles garranchos, aquele amontoado de palavras que vista ao longe
não faziam sentido algum – muitos nem de perto o viam – por destoar da
formatação comum de um sistema jornalístico que hoje, parece, é a única ética
que mantém: a estética afinada, trabalhada, exageradamente cobrada antes de ser
apresentado ao leitor. Com suas torturas na escrita ele mostrava as torturas do
sistema humano (peço perdão aqui por copiar ou parafrasear um ideias do meu
amigo Amal), político, social, religioso et
Cetera.
Tentei algo aqui, porém não consigo desvencilhar-me da emoção,
do sentimento. Que me desculpe o Millôr, mas ele fazia tudo parecer tão
profissional. Parece-me que tudo o que faço descamba para o pessoal, ainda que
consiga manter-me alheio a tudo sem mover outras partes do corpo a não ser a
mão que escreve.
Venho
também, ao longo da última década, naturalmente, observando aqueles que
compactuam do meu pensar, ainda que não imaginem a minha existência, e portanto,
ao ler alguns destes textos com suas opiniões contundentes, destas pessoas que
considero imparciais, que, me parece, buscam uma equanimidade de pensamento
voltado ao equilíbrio da convivência social, fazerem uma demonstração clara e
visceral, e até estarrecedora do país e do mundo, e nada acontece.
Ninguém
houve ou dá vazão a estas verdadeiras sumidades, a estes visionários que entendem;
que conhecem; que sabem do que estão falando por terem estudado, e não por mero
interesse de partido, seja ele qual for. Se a estes não se dá crédito, de que
adianta ser mais um a demonstrar o que ninguém quer saber? O que estarrece
ainda mais, é que estes textos, não são encontrado apenas em páginas aleatórias
da internet, ou de pretensos apóstolos do insolucionável, em sites de
comentários tolos, nada, podemos encontrar boas ideias nas páginas de jornais e
revistas altamente tendenciosos, – mesmos os mais importantes do país ou do
mundo - o que aguça ainda mais a nossa revolta, afinal, muitos tem acesso ao
texto, e ainda assim nada é posto realmente em discussão.
Despeço-me então, pedindo perdão a alguém que tenha se
sentido desconfortável com alguma colocação ou até a um que outro que observava
a construção das ideias - nosso exercício - com algum interesse, fazendo uma
última observação, aludindo a um foro que poderia asserenar os ânimos,
relembrando então algumas doutrinas que advertem que nossa existência no
planeta não foge muito de uma espécie de experiência; que tudo o que vivemos
não passa de uma prática. De ações que nos levam a por em prática um cabedal de
informações disponível a todos, somado a inteligência, ao conhecimento
adquirido de cada individuo. Levando em consideração esta verdade, me parece
bastante oportuno abandonar meus excessos aqui; com as minhas observações, que
mais é um repetir que instiga o mal que promulga o bem. Assim, não posso deixar
de anotar que algumas das experiências que viemos provocando, que ainda que pareçam
– confiadamente - aceitáveis, por aqueles que as excitam: é certo que flertam
demasiado, com perigos insondáveis.
*
Pra
completar, uma frase que encontrei dia destes folheando uma destas revistas de
hall de consultório e atribuída ao primeiro ministro de Luxemburgo, Jean-Claude
Junckler, “Todos sabemos como superar a
crise europeia; apenas não sabemos como fazer isso e ganhar a próxima eleição”.
Esta declaração; entendo ser, ainda que se destine particularmente ao campo
político, a síntese também do panorama sócio econômico brasileiro e mundial,
devido, principalmente a falta de comprometimento com o futuro do estado. Todos
querem colher os louros de seus feitos; ninguém mais faz nada pensando em
continuar tendo seu nome honrado, apenas, postumamente.
[1]
A
expressão chocolate é usada quando um time goleia o outro com certa
facilidade dando um vareio, um banho, uma surra; quando vence com folga, e comenta-se
que o placar foi elástico com dribles desconcertantes e restou ao time
adversário, praticamente, ficar só olhando.

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