sexta-feira, 1 de maio de 2015

#não às compras

O verdadeiro terror de toda a classe política não é a banca dos Black blocs mascarados; eles riem para isso. Nem qualquer outra manifestação de repúdio a eles, os políticos; mais eles se engrandecem com elas, é mais ou menos como uma promoção. Tenho certeza, por exemplo, que o nome do Richa no Paraná será logo, logo, será reconhecido nacionalmente, é assim que funciona. “Toca o f...-se e você se promove.”

Então, nada disso; nada de brutalidade, de ânimos exaltados. A única ação que não deixariam os políticos dormir, todos eles, é algo muito simples e dentro da lei; “não às compras”.

É claro que isso não será fácil, afinal, todos estão super estimulados para comprar, mas, experimentem, façamos uma experiência. Unirmo-nos, todos, e comprar o básico do básico, por, ao menos, seis meses. Tenho certeza de que eles iriam se mexer.

Não a restaurantes. Nada de comer fora, não às pizzas, e café da manhã só com pão e manteiga, e nada de cafezinhos durante o dia. Não a viagens, não a guloseimas e supérfluos, não a roupas, use o que você tem em casa. Nada de shopping, nada de cinema, nada de ida aos jogos, nada de eletrônicos, use sua televisão por mais um ano, seu carro por mais seis meses, e não o reforme, ande com ele do jeitão que está. Não troque o colchão, não erga o muro, não ao puxadinho, estenda o prazo da reforma por mais um ano. De preferência, ande de ônibus ou de carona com um amigo ou vizinho engajado. Não consuma frutas nem verduras o máximo que você entender que isso não prejudica sua saúde. Nada de cerveja; de álcool algum - aproveite e dê um tempo no boteco e na sinuca. Nada de refrigerante e de sucos artificiais. Nada de iogurte, de queijo ou leite de caixinha, somente leite de pacote.

Farmácia, só em caso extremo, tente alguns chás com a mãe em casos leves, nada de banho e tosa no totó, nem coleira com chocalho pro gato.

Não comprar mais foguetes nem a camisa para comemorar a vitória do time campeão, nem para a Senhora Aparecida, muito menos pagar o dízimo. Nada de jornais nem revistas, nem livros ou material escolar a mais ou com a foto da Anitta ou do Homem Aranha. Não dê dinheiro para o lanche do seu filho, compre pão francês na padaria e mortadela e explique para ele o que está acontecendo. Diminua as ligações de telefone, e se você não tem telefone, adie a compra. Não marque casamento, formatura, festa de quinze anos ou bodas para esse período, e nem dê presente de espécie alguma por enquanto. Nada de aluguel de carro, de roupa ou de vestido de noiva, use o da sua tia se o casamento já estiver marcado, nada de festa, e, é claro, adie a viagem para quando comemorar um ano de núpcias, comprometa-se, e invente sua forma de não gastar; lembre-se, isso é apenas por um período. Tudo irá mudar a partir de então.

Acredite, adoramos comprar, mas pode ter certeza, o governo aprecia muito mais a sua compra do que você.


Façamos isso por seis meses e entenderemos o que é um governo a mercê do povo.

Nenhum comentário:

Postar um comentário