quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Dúvida



Por algum motivo que não sabemos o porquê; escolhemos, optamos por esta ou aquela gama de ocupações, as mais diversas possíveis: seguir para o barzinho após o trabalho, para casa, para a casa de amigos ou mais que isto; um futebolzinho, uma passadinha nas lojas, um cafezinho ou um Happy hour, já em casa há outra série de divisões, brincar com os filhos, lição de casa com eles, uma namoradinha na esposa, cuidar do jardim, leitura, filmes etc.

Tenho enumeras atividades em casa, porém uma que não deixo passar em branco é me atualizar dos acontecimentos no mundo. Enquanto observo a movimentação externa; – vizinhos – bem poucos interessados no que se passa no mundo. Por sua vez, se fico sem ação quanto ao desinteresse alheio, falta algo se não estou conectado com as notícias do momento.

E digo que por mais que fique de saco cheio com tanta barbaridade, com tantas notícias absurdas e ações sem um mínimo de bom senso que se amontoam nas páginas dos jornais, ainda assim insisto, continuo atento ao movimento.

Mas uma dúvida bastante séria ocorreu-me na data de ontem, ao somar as últimas notas do ano do governo e as suas novidades para o próximo. Da prorrogação da divulgação do balanço da Petrobrás para janeiro, da alta do Dólar no ano, do PIB, da Inflação, do novo extintor para os carros, do Salário Mínimo, somado tudo a minha condição atual quase dá um desânimo.

Então pensei, será que é melhor continuar assistindo às notícias mesmo entendendo que muito do que nos é apresentado é fruto de uma negociação, de uma obrigação para manter tudo “funfionando”, ou por saber disso: que uma porcentagem enorme do que ouço é conversa para boi dormir, - em se tratando de hoje, afinal sei que não poderia ser diferente. Então não estaria perdendo meu tempo ouvindo o que na verdade são medidas que apenas servem para arrastar um estado que nem de longe é o ideal de agora?

O que é melhor fazer; qual é a atitude mais sábia; assistir, inteirar-se de uma série de mentiras provisórias, ou, sabendo disso, desligar por completo de me manter atualizado - afinal não é dar prova de total insanidade continuar ouvindo o que entende não ser a verdade apenas para saber que está sendo enganado?   

Não estará optando por uma decisão mais acertada o vizinho que fica no boteco enchendo a cara de cachaça? Ele ao menos, por não saber nada, talvez sofra menos que eu que tenho a pretensão de estar mais atualizado que ele

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Paternalismo por paternalismo!?!



“Qualquer governo é melhor que a ausência de governo.
O despotismo, por pior que seja, é preferível ao mal maior da anarquia,
 da violência civil, da morte violenta.”

Thomas Hobbes

*

Quantas vezes; bons e maus homens prestaram atenção nesta máxima?

E a que pretexto dela se utilizaram?

Quantos governos se apoiaram nela inventando, moldando significados por conta de interesses exclusivos; e o farão para todo o sempre?

E quantos governantes não souberam refrear seus instintos frente a essa rédea solta, que podem ser autorizados na crueza de seu sentido mais direto, e descarrilaram para, justamente, o abismo que Sir Thomas Hobbes tenta evitar?

Ou

E quantos dela se aproveitaram como o faço agora por entendê-la pronta, propícia, a despertar um manancial criativo por assim também o ser?

Hobbes vê como solução o aparecimento dominador de uma figura temerosa... então tento trazer isso para os nossos dias; para o nosso país, e emprego o meu espírito mais isento procurando vislumbrar uma sociedade organizada, ainda que acuada por esta figura. Mas, infelizmente, me é impossível conjecturar sua aplicabilidade hoje. Ainda que entenda: fosse melhor isso a suportar essa renca de calhordas chauvinistas que insistem com suas faces sínicas por terem garantido à sombra, que não há nada que possamos fazer. Não porque vivamos distante demais do século XVI; XVII, mas porque estamos todos suficientemente domados. Viemos nos acovardando e nos dessocializando no que se refere a união. Jamais estivemos tão próximos no que diz respeito à aglomeração, e nunca estivemos tão distantes uns dos outros no quesito luta por direitos. As tradições e costumes foram trabalhados intencionalmente a nos arrastar para a individualidade mentirosa. A disposição de leis, hábitos e costumes tidos como sérios e honestos, somado a comportamentos voltado ao modismo vulgar vaidoso, mostrou-nos e o faz diariamente, insistindo no quão únicos somos, e, sem perceber, nos tornamos individualistas e superficiais por conta da azáfama imposta por um sistema político econômico que a isso nos obriga, no entanto vem par e passo, há séculos, sendo milimetricamente estudado por comandantes que insistem em embalagens pomposas cujo destaque são as agora combalidas, liberdade e democracia, quando jamais estivemos tão reféns, exatamente da oposição ao que remete estes símbolos máximos de uma sociedade sadia a que deveríamos ter direito. 

*


A despeito da época em que escrevo este manifesto, - é certo que muito do dito não faz mais sentido por razões óbvias – ao longo destes séculos, após o sábio filósofo declarar suas análises, foi por milhares contestado, porém acredito que nenhum de seus detratores sofreu realmente: como um ente a parte do status quo, do estado vigente; afinal é acertado afirmar que apenas aqueles que estiveram sempre amparados por estudiosos e proprietariados, tiveram e têm interesse em contestar esse pensador, porque, a parte maior jamais poderia imaginar que antes um Leviatã com mão de ferro e calcado na correção do que séculos de governos libertinos que contestavam o monstro enquanto seus governos de barbárie nem organizaram a sociedade nem prepararam, com seus desmandos absurdos, um estado com bases sólidas ainda agora, tão distante das primeiras constituições que se queriam efusivamente democráticas na sua justeza quando agora esclareceu-se: na prática, não vingou.      

domingo, 14 de dezembro de 2014

Venina veneno



Ouvia na infância que a criança é o futuro do Brasil. Penso agora que poucas frases somam redundância e clichê quanto essa; entendo hoje que ela é uma frase tão redundante quanto inadequada, afinal a criança será o futuro em si, ou seja, não há como ser diferente, mas também não há como cobrar que o professor de escola pública haja diferente, se o fazem ainda hoje, como posso cobrar o feito há meio século.

Mas é ela que me veio à mente nesta última semana em meio às noticias do tumultuoso e contínuo desastre chamado também de petrolão. Este novo novelão não apenas, e naturalmente, se arrasta como todos os imbróglios políticos deste país, como, diferentemente, traz por mais tempo que de costume, novidades a cada capítulo; o desta semana foi muito interessante.

Venina Velosa, que combina com “vela” e com “velar”, desculpem a associação ridícula, mas ela é providencial, -“providencial” também é – afinal, ainda que tudo o que jamais foi dito em público sobre a lama de um país faça com que todos os culpados sejam arrolados no processo, é possível que com a entrada dessa senhora nas discussões, relatando ações e novas denúncias impossíveis de refutar, não tenhamos a justiça conclusiva do caso, e ainda assim, corremos o risco de que muitos envolvidos escapem sem atingir a média mínima de condenação do país nestes casos; que por sinal, é baixíssima.

Então, somente recorrendo ao Altíssimo, mesmo que através de trocadilhos podres.

Volto á criança...

Diferentemente da criança que ouvia e quando assimilava acreditava que a coisa ia acontecer, posso afirmar hoje que passado quase quatro décadas dos meus tempos de escola, não tenho e não temos mais motivo algum para acreditar no futuro prometido – está mais fácil acreditar nas previsões pessimistas.

 Porém, ainda que não seja ouvido, quero fazer um apelo aos senhores que há quatro décadas eram crianças iguais a mim e que hoje frequentam os postos mais queridos deste pais, os políticos. Vocês também passaram por essa fase de acreditar que poderiam mudar o país, e hoje vocês tem esse poder nas mãos. O façam. Lembrem dessa frase infantil e, de posse dela, atuem, hajam, com o espírito de uma criança que na sua pureza acredita que pode fazer a diferença ainda hoje, e hoje vocês podem.

Não é culpa do Lula, da Dilma ou de todos os corruptos; a culpa é daqueles que detém o poder o podem fazer a diferença – vocês que já foram as crianças. Ouvindo as vozes de pessoas maduras e inteligentes que anunciam, até fora de nossos muros, que a continuar nestes trilhos, o futuro de nossas crianças, ainda que elas mudem seus pensamentos, como nós o fizemos, será muitíssimo difícil. Apelo ao mínimo de caráter que possa existir na classe política brasileira que descubram também que assim como vocês tiveram inteligência suficiente para se entocarem aí, consigam entender que podem também ser inteligentes para tirar o país dessa enrascada que apenas a vocês é benéfica; provem a nós que existe vida inteligente na política brasileira, honrem a criança que vocês foram.


É a nossa geração, no comando de vocês, que pode arregaçar as mangas e tomar a luta como uma causa que nos honre; façam a diferença... e façam história... mudando-a para melhor.

überricos




Parece que o número mágico é 67. Sites e órgãos oficiais anunciam que 67 pessoas detêm um patrimônio referente à metade do planeta. E como se esse fosse um número apocalíptico, parece ter acendido algum tipo de sinal de alerta, pois todos estão há um tempo maior do que o normal, comentando o fato.

Não é possível que alguém leigo trace um comentário significativo sobre essa informação, até porque isso não é novidade, afinal a concentração de renda é velha conhecida do mundo, e ainda mais, de nós brasileiros.

O que resta ao resto maior que prossegue com decência sua vida é assistir; aceitar, esperar, trabalhar, pois sabe que, inconformado ou não está sob o mesmo céu que esse número ínfimo.

Para mim resta isso tudo acima e escrever essas bobagens aqui, apenas para registrar que sei parte do que está acontecendo.

Não sou do tipo que fica perdendo tempo imaginando como vivem esses caras. Muito menos sofro com esse tipo de poder alheio. Apenas penso que isso não parece ser bom e que não deveria ser assim.

Cito aqui minha esposa, super espiritualizada, que, em outra feita, ao ser informada sobre a atitude de alguns ricos, saiu-se com essa; “eles são tão pobres que só tem dinheiro”.

É assim, para os mais inteligentes resta o espirituoso, o humor, o sarcasmo, as sacadas inteligentes. Para os também pobres de espírito; sobram o recalque, a inveja, o ficar sonhando com a mentira de como deve ser viver sem problemas, como essas pessoas; como se o dinheiro resolvesse tudo.

Lembro aqui também do meu amigo Amal que, acertadamente, proclama: “com dinheiro, elimina-se apenas os problemas da pobreza; os problemas apenas mudam de lado”, mas sei que a maioria diz a isso, “e daí” e saem com aqueles jargões ensebados de pobre de espírito, de pobre que se pudesse ser rico é exatamente isso que faria: ser apenas rico. 

Do meu lado, – também quero registrar um trocadilho de pobre - digo que a coisa perdeu o sentido porque o homem perdeu o sentido da coisa. Lendo as notícias entendo que não há muito mesmo o que fazer, é esperar, como citei acima, ou tentar, como insiste a mídia com suas frase motivadoras levanta-defunto; “que não devemos parar de perseguir nossos sonhos; determinação, foco, e ao final você também poderá concluir que o importante é ter tentado”, e essa baboseira toda.

Não quero dizer que as pessoas devam desanimar; isso pioraria tudo. Não é esse o caso, afinal nada está tão ruim que não possa piorar, - utilizando-me do padrão do nosso grupo menos criativo - e digo mais, nessa mesma linha de raciocínio: nós humanos somos os campeões em adaptação; acabaremos nos adaptando se as previsões pessimistas dos especialistas tomarem forma.

      É isso; e eu vou comprar gás na vendinha que hoje é dia de maionese

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Câmara de comércio



       Durante os protestos de ontem na sessão do congresso, em que iria ser votada a meta fiscal, o senhor Arlindo Chinaglia, contrariado e tão exaltado quanto a segurança, pergunta a uma mulher que integrava o pequeno grupo, quanto ela estava recebendo para participar do levante.

        Imediatamente e bastante acomodado em frente a televisão, respondi a minha esposa que essa era uma pergunta muito burra, afinal, quem é que em sã consciência se disporá a protestar contra o estado de mãos abanando, apenas por ideologia; hoje não existe mais isto senhor Chinaglia.

        Vai longe a época do sentimento pátrio, da pureza, do ser incauto que lutava por algum ideal imaginário, agora é: ou se recebe para isso, ou é por algum interesse muito grande que as pessoas se deslocam de seus afazeres para tentar alguma coisa contra vocês. Pode ficar tranqüilo deputado, a menos que você queira aparecer ou pagar mico, como é o caso.

*

Pauta do dia de ontem:


Tumulto faz Renan suspender sessão do Congresso que votaria meta fiscal

Presidente do Congresso determinou retirada de manifestantes das galerias.

Devido ao conflito, ele marcou reinício da sessão para as 10h desta quarta.

O presidente do Congresso Nacional, senador Renan Calheiros (PMDB-AL), decidiu na noite desta terça-feira (2) suspender – e retomar às 10h desta quarta – a sessão destinada a votar o projeto de lei que altera a Lei de Diretrizes Orçamentárias a fim de que o governo não seja obrigado a cumprir neste ano a meta de superávit primário (poupança para pagamento dos juros da dívida pública).

O motivo da suspensão foi um tumulto iniciado depois que Renan Calheiros determinou a retirada das galerias de manifestantes contrários ao projeto (veja no vídeo ao lado). Ele deu a determinação à Polícia Legislativa após a deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ) protestar contra supostas ofensas à senadora Vanessa Grazziotin (PC do B-AM), que discursava da tribuna. De acordo com a deputada, a senadora foi xingada de "vagabunda" por manifestantes, mas, segundo o líder do PSDB na Câmara, deputado Antonio Imbassahy (BA), eles gritavam "Vai para Cuba".

Antes de adiar a sessão para esta quarta, Renan suspendeu temporariamente os trabalhos – durante cerca de uma hora – na expectativa de reiniciá-la depois que os policiais legislativos retirassem os manifestantes. Mas isso não foi possível. Um conflito nas galerias envolveu manifestantes, policiais e até mesmo parlamentares.

O projeto que altera a meta fiscal é considerado prioritário pelo governo. Nesta segunda-feira, a presidente Dilma Rousseff recebeu líderes de partidos aliados ao governo e fez um apelo para que a proposta seja aprovada. A redução da meta permitirá ao governo fechar as contas deste ano sem descumprir a Lei de Responsabilidade Fiscal. Parlamentares de oposição são contrários ao projeto. Eles argumentam que a "manobra" é decorrência do desequilíbrio das finanças públicas e acusam o governo de, em ano eleitoral, ter gastado mais do que podia.

Ou



Manifestantes balançam carro de Sarney e impedem desembarque

O senador José Sarney (PMDB-AP) foi impedido nesta quarta-feira (3) de desembarcar na chapelaria do Congresso, entrada principal do prédio, quando chegava para acompanhar a votação da manobra fiscal que o governo tenta aprovar para fechar as contas do ano.

Os manifestantes balançaram o carro do peemedebista e deram tapas na lataria. O senador ficou visivelmente assustado. Ele desistiu de descer no local e seguiu para outra portaria do Congresso.
A Polícia Militar e a Polícia Legislativa reforçam a segurança. O acesso está sendo liberado apenas para funcionários e pessoas autorizadas.

Mais cedo, manifestantes também cercaram o carro do vice-presidente da Câmara, deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), e cobraram a liberação das galerias do plenário, local que permite ao público acompanhar as votações.

Após ouvir gritos de “ditadura!, ditadura!”, Chinaglia perguntou quanto os manifestantes estavam recebendo para permanecer no local. Irritado, o petista desistiu de desembarcar e se dirigiu a outra portaria.

Depois do episódio, o deputado reconheceu que reagiu de forma alterada. “Fui abordado por algumas pessoas de forma provocativa. Acusaram-me de tudo e mais um pouco. Cheguei ao limite e respondi de forma baixa”, explicou o petista.

GRAVATA

Agredida com uma gravata por um dos agentes do Congresso na sessão tumultuada de ontem, a aposentada Ruth Gomes de Sá, de 79 anos, voltou a protestar nesta quarta. Com uma bandeira do Brasil enrolada no corpo, ela disse que vai seguir com as manifestações. “Não vou desistir nunca”.

A senhora apresentou cópia do Boletim de Ocorrência que registrou contra a Polícia Legislativa.

Cobrado por parlamentares da oposição sobre a agressão à aposentada, o presidente do Congresso, senador Renan Calheiros (PMDB-AL), disse que não respondia por excessos de seguranças e de deputados.


“Como presidente do Congresso, não me cabe tratar de excesso da Polícia nem dos deputados que foram para galerias bater nos policiais, invocando a condição de mandatários.

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

PTbras



                E se todo esse catatau da “ptbras” estiver servindo apenas de boi de piranha?

. . .

                Afinal, se alguém mais poderoso do que você, não sendo alguma espécie de mentor, te explicar algo, não se engrandeça, preocupe-se, provavelmente algum proveito ele está buscando retirar da manobra.

. . .



                São exatamente aqueles que podem criar as leis os verdadeiros desinteressados em que elas sejam realmente aprovadas.

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Dignidade, direitos, espertezas. . .



. . . mas, de arrasto e inegociável, o atraso

Obrigatoriamente e automaticamente a caminhada social deve aparelhar todos os membros indistintamente e independentemente a que tribo pertençam, sobre seus direitos e deveres, isso é água morro abaixo. No máximo, o que o comando maior pode fazer por conta de seu caminhar desajustado para continuar negando-lhes alguns dos primeiros, é engastar medidas paliativas para que vontades ainda contrárias não atropelem o pensar macro, burocraticamente lento que veio sendo costurado há séculos por cabeças que instituíram cada qual a seu modo, muitas vezes a revelia, necessidades e interesses de sua época, se não particulares e indiferentes ao processo contínuo.

  Em contraparte, compreender agora, apenas uma fração do que significa dignidade e então falar apenas dela em refrões de protesto descuidados sem uma base de sustentação condigna, exigindo o que o grupo ouviu que lhes é de direito, sem também a preocupação de que nem toda a música lhes foi devidamente ensinada, não se torna apenas um ato falho como municia os síndicos na inevitável ação que mais uma vez negará, - com bases - dando-lhes o direito de proibir a execução da canção e até de rechaçar com truculência as propostas; fica então – ou continua – subentendido ou não para todos os grupos que uma parte de seus direitos seguem sendo negligenciados; mas, ainda assim, não é essa uma verdade incompleta?

Para se ter dignidade é preciso antes entender todo o processo, e geralmente quem é desrespeitado em seus direitos, de alguma forma falhou nesse aprendizado. Se não isso, é certo que algo capenga.

Queremos exigir o que entendemos ser nossos direitos sem nos preocupar que toda a sociedade em algum nível não é realmente digna da convivência exigida, repito; toda. Portanto isso não se constitui, afinal, um direito pleno ou na sua totalidade. Está mais para um regatear exclusivo, que por desconhecimento ou esperteza volteia camuflado entre a mesquinhez e o desentendimento exigindo respeitos que mais hoje protestam vestidos de valores novos adequados a uma realidade não concretada, baseada nos velhos, quando ainda faziam sentido.

Novidade aqui? Nenhuma. Esse é apenas mais um registro da nossa visão do conjunto, ou seria nossa versão? Apenas mais um pouco do mesmo que ao final, em poucas palavras, resume o que alguns de nós sabemos, mas pouco se pode fazer. Em resumo: enquanto não nivelarmos o conhecimento em bases aceitáveis não será possível paz entre os condôminos.

sábado, 1 de novembro de 2014

Papo de recalcado




PARA ALIMENTAR O CONSUMO - No dia em que multas mais caras começam a ser aplicadas em ultrapassagens indevidas e rachas, por exemplo, temos a abertura do Salão do Automóvel em São Paulo, onde a mídia televisiva aberta instiga seus pobres telespectadores ao apresentar um sonho de consumo de poucos, que alcança mais de 340km/hora e o modelo chinfrim custa R$ 3.500.000 - o série especial ultrapassa os cinco milhões - então me pergunto para que? No Brasil? Tanta velocidade para que? Para filhos de Eike’s atropelarem bicicleteiros e saírem impunes? Ok, ok, eu também adoro automóvel, mas que é um contra senso, é. 

terça-feira, 28 de outubro de 2014

Oposição, até que . . .



É tão confortante o discurso do pós eleição; dá até esperança no leigo. Sofremos nós que não o somos, pois ao final o que se aplica é a máxima da política canalha: pior que o povo que esquece por ignorância é a oposição que esquece por interesse.

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

. . . gol da Alemanha



... e no caminho para o 7 x 1 também na administração pública


Reeleição da Dilma; 

O Brasil terá que engoli-la, só não sei o preço dessa ingestão!?!

terça-feira, 21 de outubro de 2014

Xico vota na Dilma... tb.



Quantas ações precisa cometer um homem para denegrir um passado exemplar de letras e pensamentos admiráveis?

Nesta semana mais uma vez fiquei sem palavras ao verificar o senhor Chico Buarque mendigando votos para a Dilma. Em uma eleição passada, neste mesmo espaço registrei o senhor Paulo Coelho o fazendo.

Como diria o poeta Cazuza: “meus heróis morreram de overdose”, antes isso fosse; será não seria mais digno?

*


Em tempo: Preciso lembrar aqui do J. Lennon com seu sarcasmo mordaz: “Aplaudam, aplaudam”  

sábado, 11 de outubro de 2014

Histórico político



Dada as minhas convicções políticas para esse nosso país que se quer muito mais do que é, e entendendo um pouco do que busca a politicagem de uma forma geral, ainda assim faço dela um laboratório para minhas idéias, e ao ver a chamada de hoje em um site qualquer sobre o senhor Roberto Amaral, é possível afirmar que: ao final, é somente o histórico que nos precede. Essa é fácil. Como estamos em época de eleições, tome como exemplo a opinião contrária de um político ordinário. Ao lermos somente o título da reportagem onde o dito emite sua opinião contrária a algum conchavo eleitoreiro; não é necessário desgastar-se a lendo na íntegra para entender que a sua observação, no mínimo, não passa de alguma contrariedade passada que foi reavivada ao entender-se a parte na negociata ou vendo-se na obrigação de novas manobras para lucrar algum também no negócio.

*

Ainda que isso seja verdade, e inverdades pululam no meio; coloco-o aqui:

PSB optou pelo coronelismo ao apoiar Aécio Neves, diz presidente do partido

Roberto Amaral acusou dirigentes da legenda em Pernambuco de romperem acordo assinado ao não apoiar sua reeleição

O partido de Marina Silva, o PSB, vive um momento de turbulência desde que sua direção decidiu apoiar o presidenciável Aécio Neves (PSDB) no segundo turno das eleições presidenciais. Voto vencido na decisão, o presidente do partido, Roberto Amaral, criticou a deliberação da cúpula socialista, em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo.

Para Amaral, o partido deveria se manter independente no segundo turno. “Quando o Partido Socialista Brasileiro teve a oportunidade de avançar, de se preparar para construir uma proposta de socialismo para o século 21, ele optou pelo patriarcalismo, ou, se quisermos, pelo coronelismo”, disse o dirigente.

No próximo dia 13, o PSB vai eleger um novo presidente. Segundo o jornal, a direção do partido em Pernambuco decidiu lançar candidato mesmo tendo garantido que o apoiaria a reeleição de Amaral. A ala pernambucana da legenda hoje é comandada pelos herdeiros do ex-governador do Estado Eduardo Campos, morto num acidente aéreo em agosto.

“Essa é uma característica da classe dominante pernambucana. Mesmo quando o engenho vai à falência e o filho do dono do senhor de engenho vai morar em Boa Viagem [avenida em área nobre de Recife], ele continua ideologicamente senhor de engenho”, declarou Amaral.

Amaral disse que o presidente do partido em Pernambuco, Sileno Guedes, se comprometeu por escrito em apoiar a sua candidatura a reeleição.

“Tenho um e-mail de 27 de agosto assinado por Sileno Guedes, presidente do partido no Estado, pelo prefeito [de Recife] Geraldo Júlio, dizendo que apoia a minha candidatura”, revelou Amaral, dizendo que a sua busca era por manter o PSB como um partido de esquerda.


O dirigente disse que boatos foram espalhados na imprensa contra ele, dando conta de que Amaral seria um agente do ex-presidente Lula e da candidata à reeleição à Presidência, Dilma Rousseff (PT) no PSB.

sábado, 27 de setembro de 2014

"Heforshe" or sheforall?



Inflacionando os “ismos”. Respeito o trabalho feminista, mas o que precisamos é do manhismo; vivemos a era do homeninismo: do homem que não cresceu.

*

Tenho o feminismo como um absurdo; é claro que respeito todas as mulheres e as suas vontades, mas condeno veementemente qualquer movimento que se faça ou descambe para a provocação burra, para o desafio sem sentido, e vejo que o movimento feminista derivou para a veia podre do combate sem sentido; egocêntrico; perdedor no sentido de que se um ganha o outro perde. Luta boa é aquela onde os dois aprendem; onde os dois entendem ao final que o ponto em comum da disputa pode ser trabalhado e trazer benefícios aos dois; às causas em comum ainda que não entendidas na sua integridade.

Acredito piamente na evolução e entendo o que está acontecendo. E ainda que tenha vergonha de participar disso, acredito que tudo faz parte do processo, porém o que não posso é assistir a tudo e dizer amém. Como diz meu amigo; era preciso que iniciássemos um movimento de conscientização para que algumas mudanças mínimas acontecessem, dando mostras de que a soberba, o orgulho, o divertimento adulto chegou a um limite perigoso e mais desprovido de sentido do que nunca, e então fosse descortinada alguma forma real e verdadeira de consenso sobre os caminhos futuros. Não como a tirada em A vida de Brian – Monty Pyton, onde é visto que o pessoal faz reuniões e gosta de fazê-las porque sabe, que ao promovê-las, (durante sua ocorrência) estão longe o bastante da ação em si.

...

E o homeninismo! Hoje a luta da mulher então perdeu o sentido, porque tudo perdeu o sentido no que se refere a conhecimento conscientizado. Quando o feminismo surgiu ou ao menos surgiu por parte de uma ou outra mulher, por motivos até patológicos, quem sabe? Ser homem, possuir o que o homem possuía, viver como o homem vivia, parecia ser justo, afinal vivia-se uma era onde existiam homens de verdade: altruístas, de inteligência nata, com caráter, cortês, educado, romântico, com classe, portador de uma originalidade genuína, um modelo a ser seguido – não vamos aqui discutir o ponto “igualdade de direitos”, isso é coisa posta; ninguém deve lutar por isso por essa ser a condição natural do existir, o ponto a ser buscado é outro - quase fazia sentido buscar a igualdade.

Mas e agora? Penso ser vergonhoso para a mulher se julgar feminista ou conquistar o que o homem conquistou; essa luta perdeu o sentido e vou explicar por que.

Se você busca a igualdade é porque você se julga diferente, mas até onde isso é ruim, talvez, no caso da feminista, esteja na hora de entender que não há nada de prático parecer-se, igualar-se ao homem. Principalmente se for apenas para receber um salário maior, isso não é desculpa, hoje é só estudar mais... e como estes homens andam preguiçosos. Existe também o fator superação ou em muitas situações, casos onde os homens assumiram sua fragilidade na busca do sustento familiar, assumiram sua preguiça, nesse caso nada mais justo que a mulher fazer a diferença, mas isso não é condição feminista, isso é necessidade.

A mulher se perdeu nas reivindicações, pois o homem já não é modelo algum, o homem que está aí é um menino crescido que trabalha não mais para formar uma família como a conhecíamos, ele traz em seus genes, ou melhor: os hormônios da adolescência invadiram seus genes e o corpo dele está uma bagunça como a sua alma, o seu espírito e suas vontades, então ele ainda quer a mulher desejada, e como ele parou de pensar, não medita, não raciocina, pega todas, até que no seu hipnotismo se pega casado e desfamiliado, mas seus gostos, seus quereres de menino ainda querem um carro, uma moto, um barco como seus amiguinhos de infância o provocavam com a bicicleta mais nova e então precisam desfilar estes bens e pegar mais mulheres porque eles casaram hipnotizados por eles próprios e não houve a transformação total da criança para o adulto, assim eles permanecem neste círculo vicioso de ter hoje dinheiro, mas não ter o que fazer com ele por que as opções de um menino são limitadas e o mundo, por mais atrativo que pareça, busca fazer com que todos permaneça assim também, limitados.

   Aí eu pergunto; é esse modelo de homem que as mulheres querem como bandeira de luta nas suas conquistas femininas? Parece-me tão pouco, para não dizer vergonhoso. O homem se perdeu, está atrasado, egoísta, hipnotizado e mesmo em encontros, tido como de intelectuais, na sua essência, o que podemos assistir, e falo sem medo de errar: é a velha competição insana dos meninos querendo disputar; - ainda são os frangotes buscando vencer em partidas vãs - ver quem é o melhor. Não se sabe mais o que é seriedade.

Esse feminismo que está aí precisa se reciclar ou então ficará no homeninismo, ou seja, no homem que continua menino no pior que isso possa revelar, um menino mimado, com, ou sem dinheiro, - mas com certeza sem rumo – assim como, sem rédea alguma para colocá-lo no devido lugar.

Mulheres; nós precisamos é de mães; mães verdadeiras, que pensem os filhos pensando o mundo – apenas não sei como vocês encontrarão homens para torná-las uma.

*

Manhismo; esse ou ao menos esse é o meu modelo de um novo movimento. Vem de Mãe, “manhe”, “manheeeê”; pois precisamos que a mulher volte a ser novamente uma mãe modelo. Vocês mulheres devem voltar ao que lhes importa mais, viver o verdadeiro papel de mães e tornar seu filhos novamente homens verdadeiros após crescidos. 

Conquistar o que os homens conquistaram não deveria ter graça para vocês; a verdade é que vocês possuem algo que nós jamais conseguiremos: ser mães e educar como ninguém seus filhos, com exclusividade; este orgulho é vosso e deveria ser reverenciado como já foi um dia - conquistar o que outros conquistaram não é conquista é cópia.

O feminismo sempre poderá se considerar um movimento vencedor, porém suas conquistas se perderam na evolução galopante de mais uma luta sem vencedores, e é o primeiro movimento que levará mais de séculos para compreender que perdeu; que sua luta foi inglória, - ainda que mereçam suas adeptas comemorar as conquistas - o consolo é que não foi o único “ismo” que perdeu-se nas idéias de suas defensoras e (em)nas suas ideologias.





A difícil caminhada das legalizações



A legalização do aborto em si, é complexa; porém é de conhecimento de alguns, que no que se refere ao social ético, com ele, teremos um avanço ainda maior na já maltratada responsabilidade feminina em relação à gravidez. Jamais imaginaríamos um grau tão elevado de promiscuidade em tempos tido como evoluído, porém, se legalizarmos a morte; se decretarmos legal que mulheres com auxílio de profissionais do crime assassinem seus filhos: é certo que a falta de conhecimento acentuará apenas o seu lado mais sombrio, que é justamente aquele onde ela terá avalizado este ato hediondo, em muitos casos, por toda a sociedade.

Se muitas mulheres hoje fazem sexo sem um mínimo de responsabilidade entendendo que podem ficar grávidas, o expediente de abrir as pernas a qualquer um terá um empecilho a menos com a legalização do aborto.

A legalização do aborto hoje é quase uma obrigação; o que não podemos imaginar é como isso possa se dar de forma acertada em uma sociedade deseducada e politicamente retrograda como a nossa somado ao narcisismo superficial gratuito, em um momento de extrema ingerência governamental por parte de partidos, governo e justiça, e, a julgar pela imagem da Miley Cyrus acima, isso não é privilégio nosso.

*

Ato pela legalização do aborto reúne mulheres na Cinelândia, no centro do Rio.

Nanna Pôssa - Agência Brasil26.09.2014 - 21h59 | Atualizado em 26.09.2014 - 22h44

Mesmo sob chuva, o protesto chamado “Somos Todas Jandira! Somos Todas Elisângela!”, reuniu, por volta de 18h desta sexta-feira, cerca de 50 mulheres na Cinelândia, no centro do Rio de Janeiro. A manifestação foi organizada pela Frente Nacional contra a Criminalização das Mulheres e pela Legalização do Aborto.


O protesto homenageou Jandira Magdalena dos Santos Cruz, de 27 anos, e Elisângela Barbosa, de 32, que recentemente tiveram a morte confirmada após terem feito aborto de forma clandestina no Rio de Janeiro. “A Jandira e a Elisângela são dois símbolos do que o movimento feminista vem dizendo há muitos anos: é a lei empurra as mulheres à morte. Elas representam todas as mulheres que morrem hoje por abortos clandestinos, mal feitos, por causa de uma lei que criminaliza estas mulheres”, disse a integrante da Associação de Mulheres Brasileira, Rogéria Peixinho.

A militante defendeu o direito de escolha. “Tem muitas questões que leva a mulher a fazer um aborto hoje. Todas as mulheres passam por situação como esta. Nem todas têm acesso hoje aos métodos contraceptivos e, mesmo evitando, nenhum método é 100% e a gravidez acontece. Ser mãe não tem que ser obrigação, tem que ser um desejo. Se ela não deseja, o Estado tem que acolher e não matar esta mulher”.


Editor: Fábio Massalli Direitos autorais: Creative Commons 

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Desculpas



Não, as palavras abaixo não desculpam a nossa presidenta, elas apenas endossam a sua incompetência em gerenciar problemas. A matéria abaixo funciona mais ou menos como no caso de decretar a pena de morte a alguém inocente – mal julgado ou sem julgamento algum como nesse caso, apenas pelo fato de que é assim que funciona - em um estado onde essa lei é aplicável. Essa senhora deveria sim pedir desculpas por mais esse acinte.  A questão é: qual é a diferença se é a ONU, países afins ou não ou um grupo particular de defensores da natureza que sugere o não desmatamento? O que deve prevalecer é a sensatez, e na atualidade senhora presidenta, o bom senso ou um mínimo de inteligência não avalizaria a derrubada de 80 campos de futebol por mês de matas nativas; o que a senhora acha?`


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Em algum site pró governo hoje


Dilma: Brasil não assinou acordo de desmatamento porque não foi consultado e porque fere lei nacional
'Um assessor (dos países proponentes) disse que não nos acharam, coisa um pouco difícil dado o tamanho do país'

NOVA YORK. A presidente Dilma Rousseff afirmou que a proposta de redução a zero do desmatamento em escala global até 2030, que circulou na Conferência do Clima, não é uma resolução do ONU e, portanto, o Brasil não se opôs a um acordo no âmbito da instituição. A iniciativa foi apresentada por Alemanha, Reino Unido e Noruega e organizações e empresas internacionais, informou Dilma.

O Brasil não a assinou, explicou a presidente, porque seu governo não foi consultado e porque o desmatamento zero colide com a legislação brasileira.

Para ser acordo, informou um diplomata brasileiro, a proposta teria de ter sido negociada e transformada em projeto de resolução da Conferência, o que não foi o caso com o texto do desmatamento zero. Menos de 20% dos membros da ONU endossaram a iniciativa.

Dilma ironizou o fato de a proposta de circulado, até o período de encontros preparatórios da Conferência, à margem do Brasil:

- Somos um país com uma grande quantidade de florestas, que temos a melhor política de redução de florestas. Um dos assessores (dos países proponentes) disse que não nos acharam, coisa um pouco difícil dado o tamanho do país.

Dilma explicou que a existência do conceito de manejo florestal na legislação brasileira se choca com a noção absoluta de desmatamento zero. Populações ribeirinhas, por exemplo, têm seu sustento atrelado ao manejo.

- Além de não terem nos consultado, eles propõem algo que é contra a lei brasileira. A lei brasileira permite que nós façamos o manejo florestal, muitas pessoas vivem do manejo florestal, que é o desmatamento legal, sem danos ao meio ambiente, nas beiras, principalmente nas populações tradicionais, você pode ter o manejo florestal. Contraria e se contrapõe à nossa legislação - afirmou Dilma.

Ela disse ainda:


- Ficou visível uma questão que eu queria deixar claro o que acontece. É uma declaração que foi apresentada por alguns países, não foi apresentada pela ONU, não é uma declaração da ONU, sobre florestas. Foi apresentada por três países: Alemanha, Reino Unido e Noruega, algumas ONGs e empresas privadas internacionais. Por que o Brasil se recusou a assinar? Primeiro porque não nos consultaram.

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Ground Zero – set/2014



A barbárie sempre existiu, porém ela advém da nossa falta de instrução, então ela explica-se por si até o desenvolvimento do homem; e porque então vemos perpetuado o nosso instinto animal propenso ao roubo, a matar e exterminar?

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Evoluímos num ascendente, possivelmente inimaginável a nossos antepassados, - talvez, também, graças a eles – porém o aprendizado laico foi negligenciado. A elite mundial, uma nata, uma faixa muitíssimo pequena preocupou-se em buscar o conhecimento e desenvolver pesquisas, algumas delas observando a qualidade produtiva almejando antes a superação financeira, e não vai aqui tipo algum de despeito, muito menos esta é uma carta panfletária, - não sou panfletário e não carrego bandeiras - não é mais hora, não temos mais tempo nem estomago para isso, para estas disputas mesquinhas. Um assim comportar-se – generalizado - acaba explicando o ponto em destaque: o desenvolvimento desordenado vem cobrando um preço, a parte pobre do condomínio não consegue atingir o pensamento, o conhecimento e nem mesmo a educação da parte alta; e ainda que não vai aqui novidade alguma: isso vem se dando em escala mundial, há séculos. Esse desequilíbrio está cobrando seu preço e ao que parece, a médio prazo – falo em níveis de história - nada poderá ser feito, porque, ou não estamos dando a devida importância a essa ocorrência, ou pior – o que é difícil de acreditar -, porque continuamos alheios a essa verdade.

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Existe uma questão intrincada e inexplicável que deveria ser entendida ou ao menos trazida à luz, como agora, que diz respeito a pureza do homem - pureza no sentido de desconhecimento ou pouco conhecimento. Algumas correntes de pensamento, trazidas à discussão poderiam com razão lembrar que ainda que tendesse o homem à brutalidade, era detentor de uma pureza natural nos primórdios e, felizmente, tanto uma quanto a outra continuaram conosco, porém, a despeito de outras vertentes que insistem no aumento da barbárie, é certo que a pureza continua presente, porém ao tocarmos nesse assunto precisamos nos perguntar; como é possível que o homem conserve sua pureza e ainda assim evolua?   

O enunciado tem a intenção de provocar, chamar a atenção para o ponto onde a pureza, o viver despreocupado e aproveitar o sumo do existir é prazeroso. Fazer o que gosta com prazer, um ofício, uma família razoavelmente unida, um “pouco” de ignorância, ou nivelada a ponto de não permitir um delongar de pensamento mais denso, algumas amizades despretensiosas e companheiras em um local onde se possa habitar com frugalidade, ou seja, o existir estoico em alguma instância não é apenas viável, mas querido; e por que então preterimos isso?

 Porque este sonho esse estado utópico não combina com o progresso.
A sociedade, como economia, nem sempre se contenta em permanecer em um estado de autarcia e passa a buscar – se necessário lançando mão de certa agressividade - a superação econômica de grupos concorrentes, em algumas situações sobrepõem-se a isso; como estamos vendo acontecer com o estado russo sobre a modesta Ucrânia.

  E o estado puro! O que aconteceu com ele? O que existia de errado com aquela forma de vida – ou ao menos; por que desviamos (fugindo ou esquecendo) dela de tal maneira? O que acordamos em nós que aflorou uma espécie de gana inaudita, um querer sem par que não apenas busca a mecânica do cômodo possível (não mais possível ou, agora tornado impossível), como se fosse instigado um instinto animalesco jamais imaginado, ou ao menos, visto com mais freqüência em nossos ancestrais lutando pela sobrevivência, despertado ao que parece, apenas para o prazer ou como um capricho somente, para que nos sintamos superior aos demais?

Queima de etapa

Acontece que a disparidade de entendimento, de compreensão entre nós, é nata, não obstante, processo natural da nossa caminhada rumo ao que entendemos por evolução, porém nós mesmos, tratamos, inopinadamente, de dar um salto nessa natureza, fazendo com que, acredito, o natural se perdesse, fosse atropelado pelo querer humano, desequilibrando também nesse ponto, em prejuízo próprio. Ouso um parafrasear irônico à Darwin em sua citação polêmica; acreditando que a natureza não evoluía em saltos até ele.

 Busco aqui compartilhar uma observação pertinente ao nosso agora, quando estamos assistindo uma confluência oportuna de manifestações, tanto boas quanto não, mas a preocupação, a intenção principal, reside no desequilíbrio contínuo dessa equação que pende favorável, inequivocamente, ao segundo grupo e, ainda que dispare a equação que faça entender, perigosamente, a necessidade de toda a degradação fazer algum tipo de sentido, convencendo-nos, portanto de sua inevitabilidade, devemos sempre trilhar nossas decisões para caminhos que apontam para uma resposta indefectível: em determinado nível de avanço toda a situação, por mais perversa que possa parecer sofrerá intervenções ao ponto de reversão, demonstrando a versão inequívoca de que a ordem natural sempre prevalecerá, e que, todas as mazelas sofridas servirão também para a reconstrução; porém é sabido que esse estado reverso somente pode acontecer quando um ou vários grupos chegam a um consenso sobre o fato de que um ponto inaceitável de abjeção foi atingido e medidas outras, muitas, contrárias às velhas correntes, precisarão ser tomadas.

O desentendimento sobre essa lei e o abuso da descontinuidade de um cabresto a corrigir o desgaste aviltante por parte do homem, dispara, inevitavelmente, leis outras de correção a nossa revelia fazendo então com que, naturalmente, mas obrigatoriamente, sofram também as conseqüências, todos aqueles que outrora não tiveram a coragem da correção, e, jamais devemos entender essa máxima como castigo, pois a ordenação é caminho natural como foi lembrado.  

Podemos nos orgulhar dos avanços e pesquisas tecnológicas alcançados, e de jamais desfrutarmos, de tanto conforto, ainda que a diferença mundial entre ricos e pobres continue - vide “tragédia dos comuns”[1] -; mas também o vórtice família, religião e vida social está por um fio (ainda mais fino) do desmantelamento no que se refere à verdade sobre esse tripé, digo, sem a hipocrisia de se estar vivendo bem em sociedade;  tanto quanto as dúvidas sobre onde está a certeza com base nas: razão, ciência e divindade.

A questão é; é possível que aceitemos uma nova questão diferenciando-a de todas até aqui propostas, assumindo a partir de então, apenas sua porção metafísica e não teológica, trazendo-a a contextualização do nosso agora? Que seria: Em que medida (ainda) podemos seguir descuidados ou negar o fato de que o que estamos vendo é a resposta direta da lei de causa e efeito transcendendo espaço e tempo? Quem pode afirmar; concordar; negar ou refletir sobre essa verdade: Deus não castiga; ou, que Deus nem mesmo participa nestas questões insanas que se envolve e desenvolve - medita por inúmeras, (e suas) razões - o homem, mas, jamais por não ser de Seu interesse, e, portanto, assumir que de alguma maneira é mais fácil ou até oportuno incluí-Lo no assunto para justamente não abordá-lo? É hora de assumirmos que a ordem natural cobrará seu preço, como sempre o fez, juntamente com o fato de que não fomos suficientemente cuidadosos no que diz respeito a compilar dados passados e que seguimos em desvantagem e a mercê dos números e estatísticas.  

O mundo é muito maior do que podemos imaginar – mesmo o mais romântico dos cientistas -, e não somos o suprassumo do universo. Tudo até aqui foi muito bem romanceado e acreditamos ou queremos acreditar apenas nos capítulos que nós mesmos criamos onde nos vemos como seres superlativos, convenientemente; nossa soberba então, não nos permite acreditar que estamos sob o arbítrio de Leis Maiores, e o que enfrentamos é parte desse processo: efeito da nossa megalomania desenfreada e contínua. Volto, e preciso ponderar ainda mais uma vez: não sou panfletário, muito menos um intelectualóide piegas perdido no tempo/espaço, bem como não procuro atacar ninguém, justamente por entender os meandros da mente humana e compreender parte de suas patologias, em determinadas situações, ainda melhor que alguns biólogos - sem ofensa.

Todos dizem que a filosofia não dá respostas, não sou filósofo no que se refere ao rótulo. O sou no que diz respeito ao pensamento sério e positivo pragmático, destarte, analiso, avalio, pondero e medito, e agora, falo com convicção que finalmente podemos refletir sobre o continuarmos existindo, vivendo e morrendo e voltando à vida - isso para fazer uso de palavras que podem ser compreendidas, afinal a bem da verdade a morte não existe.

De onde vem essa convicção? Por jamais ser devoto a um único partido em detrimento a outros. Não é mais possível discussão onde ocorram defesas de opiniões de ideologias exclusivistas e excludentes, ou um filonar baseado em leis antigas não reformadas – definitivamente, não mais. Precisamos entender a evolução como um aceitar o que honrados seres e senhores deixaram escrito ou mesmo apenas dito. O tomar partido sem a instrução adequada, é retroceder, é se fechar para o outro, para a inteligência externa, para a evolução que aponta para uma existência que assegure algum tipo de liberdade; é defender interesses herméticos ultrapassados ou passíveis de reformas. O defensor da política exclusiva, padrão, limitada, não pensa o humano como um todo por não entender, por desconhecer a unicidade do existir em prejuízo ao "grupo menor", protegendo, não equivocadamente, mas oportunamente, causas próprias – isso também não é mais aceitável. Os membros das novas comissões, dos novos conselhos precisam estudar todo o processo que desencadeou o gargalo em que nos encontramos e entender, primariamente, que não foi apenas uma opinião, a do seu partido, a da sua raça, a da sua política, a da sua religião que esteve sempre agindo em conformidade com a ordem natural do universo; foi e está sendo, exatamente o contrário.   

Deus não castiga, mas devemos finalmente acreditar que existem leis que desconhecemos – Einstein já o sinalizou[2] - ou preferimos negligenciar; fingir que não sabemos – em troca do tempo imediato (imediatismo; superficialismo) - que inexoravelmente foram aviltadas e virão, fatidicamente, cobrar seu quinhão. Não por vingança, mas devido à ordem natural. É chegada à hora de absorvermos isso – e não há romance aqui -; não é castigo, é a conta.

Entendo também a dificuldade de incluir Deus entre as negociações, até por isso tenho mesclado Ele com Leis Superiores, para aos poucos podermos inseri-Los nos discursos políticos não como um ponto a favor daquele que discursa, mas a todos. É certo que estamos todos de mãos atadas, - esse é o preço da democracia do conchavo; precisamos admitir nosso desconhecimento quanto a nossa crença de que o sistema de troca-troca na confiança não é nada confiável no meio corporativo (devido à multiplicidade de partidos), ele tem um tempo de validade, apenas não vem impresso, justamente por ser determinado pela parte que encontrará alguém que lhe ofereça mais vantagens.

Em um meio que fabrica conluios e negociatas com todos os lados para tentar manter a política da “boa vizinhança” – onde pretensos espertos tidos como os mais fortes enganam seus vizinhos; não quero aqui criar caso, porém era preciso que começássemos a trabalhar com um mínimo de cara limpa, sem a hipocrisia que dita nosso discurso – a democracia dos partidos concede poder a todos e em um mundo dinâmico de pessoas (grupos) dispares não há lealdade; fica tudo muito instável. Essa política dos panos quentes diante das câmeras e acordos escusos ou não em frente aos cofres precisa urgentemente ser revista, e ainda que não seja possível concatenar Leis Superiores com acordos ilícitos, precisamos encontrar uma forma, urgente, para melhorar nossa posição frente a nós mesmo e a nossos grupos afins, precisam, alguns, ao menos, ter a coragem de mentir que não está entendendo nada e partir; porém esse não é o melhor caminho, todos precisam estar juntos nesse realinhamento e usar de forma positiva o que foi aprendido até aqui na degradação da vida humana. 
 
Quando refiro-me a hora chegada posso estar sendo utópico, afinal não serei eu a definir este momento, mas afirmo que estamos passando por um gargalo terrível no que se refere a condição humana. Uma série de itens de pauta[3], discutidos em reuniões de G8 ou G80, está ficando tempo demais sem respostas, e o que assistimos são medidas paliativas de recursos e leis para estancar a hemorragia. São pouquíssimas as respostas definitivas que possuímos ou que encontramos quando às reuniões. Por conta dessas não-respostas, distribuímos prêmios a matemáticos e economistas que nos salvem ou protelem da derrocada, tentando encontrar um caminho em meio ao cipoal de acertos e acordos imediatos – em contínuos arranjos que não levaram em consideração o preço final, porém são anunciadas como passos inteligentes – quando a resposta, o sabem: não existe. Arrastar-nos-emos e assassinaremos quanto mais devido a buscas equivocadas em pranchetas, quando era preciso humildade para admitir a necessidade em voltar às negociações de confiança e pautadas em caráter, honra, moral e justiça verdadeiros. Não há outro caminho; não há um único PhD catedrático; por mais prêmios que ofereçamos que vá resolver esta questão.
  
Já provamos nossa capacidade, provamos a nós mesmos e ao mundo o quanto podemos ser bons; isso desunidos. Gostaria que imaginassem esse potencial sendo usado em um acordo comum universal, como uma família em necessidade do pós-guerra. E, ao mesmo tempo que precisamos chegar a isso urgentemente, não precisamos e não é possível chegar lá de imediato, então, uma grande família em cada província, e uma grande mãe em cada estado, em cada país e ao final, todas se entendendo como uma grande família única da Terra.

Não devemos nada para o desenvolvimento. Devemos nos orgulhar do que fizemos em prol de nós mesmos e de tantos outros projetos em andamento; somos e temos inteligência suficiente para realizarmos o que quisermos, porém esse querer não utópico e também não supérfluo precisa ser buscado; um querer real e altruísta, mas precisamos entender antes que desaceleramos de alguma maneira no que se refere ao humano, foi como se nos considerássemos superiores e autossuficientes de tal forma que não precisamos respeitar limites.

Frankensteins hi-tec

Nós fabricamos as bombas; e nos armaremos suficientemente contra aqueles que as fabricam também, e isso acontece em todas as cátedras. Orgulhamo-nos de ser concorrentes habilidosos, e o somos; quando não, desenvolvemos capacidade para sê-lo. Nada nos detém, mas isso é um perigo, vivemos como adolescentes inconsequentes e armados. Em algum tempo passado dizíamos que os médicos brincavam de deus, agora todos os jubilados com acesso a um bom projeto de pesquisas científica torna-se desafiador por entender-se pronto para criar, para desenvolver o que bem entender e dar à luz sem acercar-se dos cuidados necessários, sem entender todo o processo criativo ou a nocividade final de sua cobiça, mais ou menos como Frankenstein. O problema é que os pais dos novos Frankensteins tem a tecnologia a seu favor para dissimular as emendas horríveis planejadas durante o desenvolvimento do seu projeto, disfarçando o engodo e vendendo um artigo nocivo como uma novidade que merece todos os prêmios do mercado (sucesso alcançado somente devido ao des-conhecimento laico, óbvio); o problema maior até não está nas mãos do doutorzinho, mas na necessidade ou inúmeros interesses até mesmo, alguns, com sentido humano do estado instalado. A referência se perdeu na miopia de visionários que enriqueceram e estão longe em suas mansões e iates, alheios e despreocupados enquanto seus filhos criados em laboratório seguem como verdadeiras armas aprontando no “worldshopping”.

Tomemos como exemplo três casos recentes; ao olhemos com mais atenção para o que eram: a Síria, o Egito, a Ucrânia imediatamente antes de seus dois ou três anos das últimas e aterradoras notícias – países prontos, com uma vida quase “normal” aos padrões tido como aceitáveis ao resto do mundo, ainda que com os percalços de governo e região ou ao que conta, deitando um olhar mais criterioso àqueles países, porém, não foi pura falta de diálogo, de inteligência no que se refere a visão futura e talvez, deixar de lado as negociatas e orgulho, partindo para um acordo buscado com vontade e conhecimento, que transformou estas sociedades prontas em escombros? Quem são as pessoas que destroem; e quem são os destruídos! É bastante provável que um único grupo ou indivíduo poderia ter parado em determinado instante e pensar no que adviria, não em vias de tudo ser destroçado, porém antes. Alguns dirão, mas ele teria que se sacrificar, então, onde estão os heróis de hoje? Basta lermos, e teremos uma série de histórias muito mais belas sobre o mártir que o algoz.

*

Falta-nos instrução a ponto de precisarmos de religiões,
porém são ainda menos instruídos aqueles que entendem o contrário.

AS




[1] A tragédia dos comuns é um tipo de armadilha social, frequentemente econômica, que envolve um conflito entre interesses individuais e o bem comum no uso de recursos finitos. Ela declara que o livre acesso e a demanda irrestrita de um recurso finito termina por condenar estruturalmente o recurso por conta de sua superexploração. A expressão provém originalmente de uma observação feita pelo matemático amador William Forster Lloyd sobre posse comunal da terra em aldeias medievais, em seu livro de 1833 sobre população. 1 O conceito foi estendido e popularizado por Garrett Hardin no ensaio "The Tragedy of the Commons", publicado em 1968 na revista científica Science2 Todavia, a teoria propriamente dita é tão antiga quanto Tucídides3 e Aristóteles.4
Tal noção não é meramente uma abstração, mas suas consequências manifestam-se literalmente, em questões práticas, como a do Boston Common, onde a superexploração fez com que o Common não fosse mais usado como área de pastagem pública.5(retirado da Wikipédia)

[2] O Grande Cientista não foi o único a fazer referência à existência de uma organização do universo além da compreensão científica; opinião esta que amealhou alguns poucos e é ignorada na sua totalidade por todos os demais, e o cito aqui não por ser o único, mas por sua unanimidade entre estudiosos e não.

[3] A pobreza ainda como um empecilho ao desenvolvimento mundial; as constantes e cada vez mais sérias crises entre países; a dificuldade em equalizar a economia mundial; as sempre mais urgentes, questões ambientais; a dificuldade em estabelecer uma regra de comércio comum; governos corruptos ou sob orientações em desalinho a uma política única ou ao menos que possa ser emparelhada a mundial; violência de toda ordem; epidemias; estados radicais; o sempre atuante terrorismo, grupos entendendo-se excluídos ou injustiçados etc.