“Qualquer governo é melhor que a
ausência de governo.
O despotismo, por pior que seja, é
preferível ao mal maior da anarquia,
da violência civil, da morte violenta.”
Thomas Hobbes
*
Quantas
vezes; bons e maus homens prestaram atenção nesta máxima?
E a que pretexto dela se utilizaram?
Quantos
governos se apoiaram nela inventando, moldando significados por conta de
interesses exclusivos; e o farão para todo o sempre?
E
quantos governantes não souberam refrear seus instintos frente a essa rédea
solta, que podem ser autorizados na crueza de seu sentido mais direto, e
descarrilaram para, justamente, o abismo que Sir Thomas Hobbes tenta evitar?
Ou
E
quantos dela se aproveitaram como o faço agora por entendê-la pronta, propícia,
a despertar um manancial criativo por assim também o ser?
Hobbes
vê como solução o aparecimento dominador de uma figura temerosa... então tento trazer
isso para os nossos dias; para o nosso país, e emprego o meu espírito mais
isento procurando vislumbrar uma sociedade organizada, ainda que acuada por
esta figura. Mas, infelizmente, me é impossível conjecturar sua aplicabilidade
hoje. Ainda que entenda: fosse melhor isso a suportar essa renca de calhordas
chauvinistas que insistem com suas faces sínicas por terem garantido à sombra,
que não há nada que possamos fazer. Não porque vivamos distante demais do
século XVI; XVII, mas porque estamos todos suficientemente domados. Viemos nos
acovardando e nos dessocializando no que se refere a união. Jamais estivemos
tão próximos no que diz respeito à aglomeração, e nunca estivemos tão distantes
uns dos outros no quesito luta por direitos. As tradições e costumes foram
trabalhados intencionalmente a nos arrastar para a individualidade mentirosa. A
disposição de leis, hábitos e costumes tidos como sérios e honestos, somado a
comportamentos voltado ao modismo vulgar vaidoso, mostrou-nos e o faz
diariamente, insistindo no quão únicos somos, e, sem perceber, nos tornamos
individualistas e superficiais por conta da azáfama imposta por um sistema
político econômico que a isso nos obriga, no entanto vem par e passo, há
séculos, sendo milimetricamente estudado por comandantes que insistem em
embalagens pomposas cujo destaque são as agora combalidas, liberdade e
democracia, quando jamais estivemos tão reféns, exatamente da oposição ao que
remete estes símbolos máximos de uma sociedade sadia a que deveríamos ter
direito.
*
A
despeito da época em que escrevo este manifesto, - é certo que muito do dito não
faz mais sentido por razões óbvias – ao longo destes séculos, após o sábio
filósofo declarar suas análises, foi por milhares contestado, porém acredito
que nenhum de seus detratores sofreu realmente: como um ente a parte do status
quo, do estado vigente; afinal é acertado afirmar que apenas aqueles que
estiveram sempre amparados por estudiosos e proprietariados, tiveram e têm
interesse em contestar esse pensador, porque, a parte maior jamais poderia
imaginar que antes um Leviatã com mão de ferro e calcado na correção do que
séculos de governos libertinos que contestavam o monstro enquanto seus governos
de barbárie nem organizaram a sociedade nem prepararam, com seus desmandos
absurdos, um estado com bases sólidas ainda agora, tão distante das primeiras
constituições que se queriam efusivamente democráticas na sua justeza quando agora
esclareceu-se: na prática, não vingou.

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