quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Paternalismo por paternalismo!?!



“Qualquer governo é melhor que a ausência de governo.
O despotismo, por pior que seja, é preferível ao mal maior da anarquia,
 da violência civil, da morte violenta.”

Thomas Hobbes

*

Quantas vezes; bons e maus homens prestaram atenção nesta máxima?

E a que pretexto dela se utilizaram?

Quantos governos se apoiaram nela inventando, moldando significados por conta de interesses exclusivos; e o farão para todo o sempre?

E quantos governantes não souberam refrear seus instintos frente a essa rédea solta, que podem ser autorizados na crueza de seu sentido mais direto, e descarrilaram para, justamente, o abismo que Sir Thomas Hobbes tenta evitar?

Ou

E quantos dela se aproveitaram como o faço agora por entendê-la pronta, propícia, a despertar um manancial criativo por assim também o ser?

Hobbes vê como solução o aparecimento dominador de uma figura temerosa... então tento trazer isso para os nossos dias; para o nosso país, e emprego o meu espírito mais isento procurando vislumbrar uma sociedade organizada, ainda que acuada por esta figura. Mas, infelizmente, me é impossível conjecturar sua aplicabilidade hoje. Ainda que entenda: fosse melhor isso a suportar essa renca de calhordas chauvinistas que insistem com suas faces sínicas por terem garantido à sombra, que não há nada que possamos fazer. Não porque vivamos distante demais do século XVI; XVII, mas porque estamos todos suficientemente domados. Viemos nos acovardando e nos dessocializando no que se refere a união. Jamais estivemos tão próximos no que diz respeito à aglomeração, e nunca estivemos tão distantes uns dos outros no quesito luta por direitos. As tradições e costumes foram trabalhados intencionalmente a nos arrastar para a individualidade mentirosa. A disposição de leis, hábitos e costumes tidos como sérios e honestos, somado a comportamentos voltado ao modismo vulgar vaidoso, mostrou-nos e o faz diariamente, insistindo no quão únicos somos, e, sem perceber, nos tornamos individualistas e superficiais por conta da azáfama imposta por um sistema político econômico que a isso nos obriga, no entanto vem par e passo, há séculos, sendo milimetricamente estudado por comandantes que insistem em embalagens pomposas cujo destaque são as agora combalidas, liberdade e democracia, quando jamais estivemos tão reféns, exatamente da oposição ao que remete estes símbolos máximos de uma sociedade sadia a que deveríamos ter direito. 

*


A despeito da época em que escrevo este manifesto, - é certo que muito do dito não faz mais sentido por razões óbvias – ao longo destes séculos, após o sábio filósofo declarar suas análises, foi por milhares contestado, porém acredito que nenhum de seus detratores sofreu realmente: como um ente a parte do status quo, do estado vigente; afinal é acertado afirmar que apenas aqueles que estiveram sempre amparados por estudiosos e proprietariados, tiveram e têm interesse em contestar esse pensador, porque, a parte maior jamais poderia imaginar que antes um Leviatã com mão de ferro e calcado na correção do que séculos de governos libertinos que contestavam o monstro enquanto seus governos de barbárie nem organizaram a sociedade nem prepararam, com seus desmandos absurdos, um estado com bases sólidas ainda agora, tão distante das primeiras constituições que se queriam efusivamente democráticas na sua justeza quando agora esclareceu-se: na prática, não vingou.      

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