quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Câmara de comércio



       Durante os protestos de ontem na sessão do congresso, em que iria ser votada a meta fiscal, o senhor Arlindo Chinaglia, contrariado e tão exaltado quanto a segurança, pergunta a uma mulher que integrava o pequeno grupo, quanto ela estava recebendo para participar do levante.

        Imediatamente e bastante acomodado em frente a televisão, respondi a minha esposa que essa era uma pergunta muito burra, afinal, quem é que em sã consciência se disporá a protestar contra o estado de mãos abanando, apenas por ideologia; hoje não existe mais isto senhor Chinaglia.

        Vai longe a época do sentimento pátrio, da pureza, do ser incauto que lutava por algum ideal imaginário, agora é: ou se recebe para isso, ou é por algum interesse muito grande que as pessoas se deslocam de seus afazeres para tentar alguma coisa contra vocês. Pode ficar tranqüilo deputado, a menos que você queira aparecer ou pagar mico, como é o caso.

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Pauta do dia de ontem:


Tumulto faz Renan suspender sessão do Congresso que votaria meta fiscal

Presidente do Congresso determinou retirada de manifestantes das galerias.

Devido ao conflito, ele marcou reinício da sessão para as 10h desta quarta.

O presidente do Congresso Nacional, senador Renan Calheiros (PMDB-AL), decidiu na noite desta terça-feira (2) suspender – e retomar às 10h desta quarta – a sessão destinada a votar o projeto de lei que altera a Lei de Diretrizes Orçamentárias a fim de que o governo não seja obrigado a cumprir neste ano a meta de superávit primário (poupança para pagamento dos juros da dívida pública).

O motivo da suspensão foi um tumulto iniciado depois que Renan Calheiros determinou a retirada das galerias de manifestantes contrários ao projeto (veja no vídeo ao lado). Ele deu a determinação à Polícia Legislativa após a deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ) protestar contra supostas ofensas à senadora Vanessa Grazziotin (PC do B-AM), que discursava da tribuna. De acordo com a deputada, a senadora foi xingada de "vagabunda" por manifestantes, mas, segundo o líder do PSDB na Câmara, deputado Antonio Imbassahy (BA), eles gritavam "Vai para Cuba".

Antes de adiar a sessão para esta quarta, Renan suspendeu temporariamente os trabalhos – durante cerca de uma hora – na expectativa de reiniciá-la depois que os policiais legislativos retirassem os manifestantes. Mas isso não foi possível. Um conflito nas galerias envolveu manifestantes, policiais e até mesmo parlamentares.

O projeto que altera a meta fiscal é considerado prioritário pelo governo. Nesta segunda-feira, a presidente Dilma Rousseff recebeu líderes de partidos aliados ao governo e fez um apelo para que a proposta seja aprovada. A redução da meta permitirá ao governo fechar as contas deste ano sem descumprir a Lei de Responsabilidade Fiscal. Parlamentares de oposição são contrários ao projeto. Eles argumentam que a "manobra" é decorrência do desequilíbrio das finanças públicas e acusam o governo de, em ano eleitoral, ter gastado mais do que podia.

Ou



Manifestantes balançam carro de Sarney e impedem desembarque

O senador José Sarney (PMDB-AP) foi impedido nesta quarta-feira (3) de desembarcar na chapelaria do Congresso, entrada principal do prédio, quando chegava para acompanhar a votação da manobra fiscal que o governo tenta aprovar para fechar as contas do ano.

Os manifestantes balançaram o carro do peemedebista e deram tapas na lataria. O senador ficou visivelmente assustado. Ele desistiu de descer no local e seguiu para outra portaria do Congresso.
A Polícia Militar e a Polícia Legislativa reforçam a segurança. O acesso está sendo liberado apenas para funcionários e pessoas autorizadas.

Mais cedo, manifestantes também cercaram o carro do vice-presidente da Câmara, deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), e cobraram a liberação das galerias do plenário, local que permite ao público acompanhar as votações.

Após ouvir gritos de “ditadura!, ditadura!”, Chinaglia perguntou quanto os manifestantes estavam recebendo para permanecer no local. Irritado, o petista desistiu de desembarcar e se dirigiu a outra portaria.

Depois do episódio, o deputado reconheceu que reagiu de forma alterada. “Fui abordado por algumas pessoas de forma provocativa. Acusaram-me de tudo e mais um pouco. Cheguei ao limite e respondi de forma baixa”, explicou o petista.

GRAVATA

Agredida com uma gravata por um dos agentes do Congresso na sessão tumultuada de ontem, a aposentada Ruth Gomes de Sá, de 79 anos, voltou a protestar nesta quarta. Com uma bandeira do Brasil enrolada no corpo, ela disse que vai seguir com as manifestações. “Não vou desistir nunca”.

A senhora apresentou cópia do Boletim de Ocorrência que registrou contra a Polícia Legislativa.

Cobrado por parlamentares da oposição sobre a agressão à aposentada, o presidente do Congresso, senador Renan Calheiros (PMDB-AL), disse que não respondia por excessos de seguranças e de deputados.


“Como presidente do Congresso, não me cabe tratar de excesso da Polícia nem dos deputados que foram para galerias bater nos policiais, invocando a condição de mandatários.

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