quarta-feira, 9 de março de 2016

É assombroso







“É devido ao seu assombro que os homens principiam a filosofar. Eles se assombraram originalmente diante das dificuldades óbvias, e então avançaram pouco a pouco e formularam dificuldades acerca das grandes questões, como, por exemplo, os fenômenos da Lua, do Sol e das estrelas e o surgimento do universo. Um homem que está intrigado e sob efeito do assombro se considera ignorante (daí que o amante dos mitos é de certo modo um amante da sabedoria, pois o mito é constituído de assombros); portanto, dado que a filosofia era praticada tendo em vista escapar de uma condição de ignorância, eles perseguiam a ciência com o intuito de conhecer, e não para alcançar qualquer fim utilitário. Isso é confirmado pelos fatos, pois foi só a partir do momento em que quase todas as coisas necessárias à vida e promotoras do conforto e da recreação já se faziam presentes que tal conhecimento começou a ser buscado.”

Aristóteles (século IV A.C.)

Aqui não é assim, nada assombra realmente.

Essa observação serve apenas para você, Aristóteles, que tudo tinha na Grécia; nós, ao se observar a janela, não temos, ou não chegamos ao ponto de poder nos entregar ao analisar sério... não nos fartamos ainda de recreação.

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