sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Intelectuais sim, inteligentes, não


  
“Tudo me é permitido, mas nem tudo me convém”
(1 Cor 6,12).

Que me desculpe meu amigo Paulo por incluí-lo neste tema tão triste que se transformou a política brasileira; porém lembrei-me dele ao ler o manifesto desses senhores, afinal, é certo que existem as leis, porém, é devido a elas, devido a omissão travestida hipocritamente de retidão; devido a negligência de que ela, a olhos vistos, está sendo mal aplicada, onde milhares de pessoas devem sofrer sem que uma ação imediata e inteligente aconteça para estancar, para conter o depauperamento de toda uma nação, ainda que esta não perceba, ainda que poucos o perceba, ainda que muitos sofrerão por conta de pessoas como estes senhores que, antes de defenderem a lei, ato muitíssimo justo, afinal tudo deve ser feito dentro da mais pacífica lei. Então, antes de se manifestarem, de se dignarem a, se entendendo senhores corretos, pautar uma missiva forte em teor e tão fraca e razão, deviam calar-se. Ainda o calar é menos perverso; a omissão ao menos não encoraja desavisados. E, se nada tem-se contra esse governo corrupto que aí está: temos um estado claudicante, temos um dos piores quadros ainda agora que nos parece o caos não está diligentemente instalado, e o que teremos quando isso acontecer? O que os senhores falarão, se tiverem coragem de mostrar a cara, quando pessoas começarem a saquear e a roubar para dar de comer aos filhos, ou por pura animalidade. Ou, o que os senhores me dizem da educação, da saúde, da segurança, da infra estrutura e dos inúmeros casos de corrupção que apontam nossos governantes que teimam em insistir que mesmo dividindo salas no mesmo andar, ou com amigos de extrema confiança seguindo juntos por bons pares de anos, ainda assim insistem em dizer que nada tem a ver com dezenas de casos que se multiplicam a cada dia mais. Logo a nós que sabemos como funciona o corolário político. Que não saibam; que não sejam eles os ladrões, porém, se todos pedem que se retirem: deem o melhor dos senhores para fazer com que saiam da política, e não o contrário, incentivando-os a permanecer e mais, insistindo que errado são aqueles que não os querem mais ver pela frente. Deixemos que partam; que fiquem bem longe, que nem mesmo sejam julgados por seus crimes ou por suas, omissão e negligencia - como me parece ser a vontade dos senhores, pensei ao ler o registro abaixo. Deixemo-los, inclusive em paz, porém, senhores, ajude o povo brasileiro que não entende o que está acontecendo se livrar do que está por vir, sim, os senhores podem mais que isso; os senhores podem mais que assinar em baixo de toda uma história de podridão e lama, agora, já no final, como avalista de crimes inafiançáveis, acredito, aos olhos do meu amigo.   


*

Quero fazer questão de registrar aqui o nome dessas figuras, apenas por isso me dignei a perder tempo com esse post:

http://www.revistaforum.com.br/blog/2015/10/intelectuais-lancam-manifesto-contra-o-impeachment-de-dilma/


outubro 16, 2015 13:24
Intelectuais lançam manifesto contra o impeachment de Dilma


“O processo de impeachment sem embasamento legal rigoroso de um governo eleito democraticamente causaria um dano irreparável à nossa reputação internacional e contribuiria para reforçar as forças mais conservadoras do campo internacional”, diz o documento, assinado por nomes como Paulo Sérgio Pinheiro (ex-ministro de FHC), Antonio Candido, André Singer e Marilena Chauí

Por Redação*

Nesta sexta-feira (16), um encontro entre intelectuais, promovido pelo Núcleo de Estudos da Violência (NEV) da USP, discutirá as tentativas de impedimento em curso contra Dilma Rousseff. As informações são da coluna da jornalista Mônica Bergamo na Folha de S. Paulo.

Na reunião, será lançado um manifesto contrário à “aventura do impeachment”, que, segundo o documento, sem “embasamento legal rigoroso de um governo eleito democraticamente causaria um dano irreparável à nossa reputação internacional e contribuiria para reforçar as forças mais conservadoras do campo internacional.”

Confira, abaixo, a íntegra do manifesto:

A sociedade brasileira precisa reinventar a esperança

A proposta de impeachment implica sérios riscos à constitucionalidade democrática consolidada nos últimos 30 anos no Brasil. Representaria uma violação do princípio do Estado de Direito e da democracia representativa, declarado logo no art.1o. da Constituição Federal.

Na verdade, procura-se um pretexto para interromper o mandato da Presidente da República, sem qualquer base jurídica para tanto. O instrumento do impeachment não pode ser usado para se estabelecer um “pseudoparlamentarismo”. Goste-se ou não, o regime vigente, aprovado pela maioria do povo brasileiro, é o presidencialista. São as regras do presidencialismo que precisam vigorar por completo.

Impeachment foi feito para punir governantes que efetivamente cometeram crimes. A presidente Dilma Rousseff não cometeu qualquer crime. Impeachment é instrumento grave para proteger a democracia, não pode ser usado para ameaçá-la.

A democracia tem funcionado de maneira plena: prevalece a total liberdade de expressão e de reunião, sem nenhuma censura, todas as instituições de controle do governo e do Estado atuam sem qualquer ingerência do Executivo.

É isso que está em jogo na aventura do impeachment. Caso vitoriosa, abriria um período de vale tudo, em que já não estaria assegurado o fundamento do jogo democrático: respeito às regras de alternância no poder por meio de eleições livres e diretas.

Seria extraordinário retrocesso dentro do processo de consolidação da democracia representativa, que é certamente a principal conquista política que a sociedade brasileira construiu nos últimos trinta anos.

Os parlamentares brasileiros devem abandonar essa pretensão de remover presidente eleita sem que exista nenhuma prova direta, frontal de crime. O que vemos hoje é uma busca sôfrega de um fato ou de uma interpretação jurídica para justificar o impeachment. Esta busca incessante significa que não há nada claro. Como não se encontram fatos, busca-se agora interpretações jurídicas bizarras, nunca antes feitas neste país. Ora, não se faz impeachment com interpretações jurídicas inusitadas.

Nas últimas décadas, o Brasil atingiu um alto grau de visibilidade e respeito de outras nações assegurado por todas as administrações civis desde 1985. Graças a políticas de Estado realizadas com soberania e capacidade diplomática, na resolução pacifica dos conflitos, com participação intensa na comunidade internacional, na integração latino-americana, e na solidariedade efetiva com as populações que sofrem com guerras ou fome.

O processo de impeachment sem embasamento legal rigoroso de um governo eleito democraticamente causaria um dano irreparável à nossa reputação internacional e contribuiria para reforçar as forças mais conservadoras do campo internacional.

Não se trata de barrar um processo de impeachment, mas de aprofundar a consolidação democrática. Essa somente virá com a radicalização da democracia, a diminuição da violência, a derrota do racismo e dos preconceitos, na construção de uma sociedade onde todos tenham direito de se beneficiar com as riquezas produzidas no pais. A sociedade brasileira precisa reinventar a esperança.

Assinam, entre outros: Antonio Candido; Alfredo Bosi; Evaristo de Moraes Filho e Marco Luchesi, membros da Academia Brasileira de Letras; Andre Singer; o físico Rogério Cézar de Cerqueira Leite; Ecléa Bosi; Maria Herminia Tavares de Almeida; Silvia Caiuby; Emilia Viotti da Costa; Fabio Konder Comparato; Guilherme de Almeida, presidente Associação Nacional de Pós-Graduação em Direitos Humanos, ANDHEP; Maria Arminda do Nascimento Arruda; Gabriel Cohn; Amelia Cohn; Dalmo Dallari; Sueli Dallari; Fernando Morais; Marcio Pochman; Emir Sader; Walnice Galvão; José Luiz del Roio, membro do Fórum XXI e ex-senador da Itália; Luiz Felipe de Alencastro; Margarida Genevois e Marco Antônio Rodrigues Barbosa, ex-presidentes da Comissão Justiça e Paz de São Paulo; os cientistas políticos Cláudio Couto e Fernando Abrucio; Regina Morel; o biofísico Carlos Morel; Luiz Curi; Isabel Lustosa; José Sérgio Leite Lopes; Maria Victoria Benevides, da Faculdade de Educação da USP; Pedro Dallari; Marilena Chaui; Roberto Amaral e Paulo Sérgio Pinheiro


*Com informações dos Jornalistas Livres

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