“Tudo me é
permitido, mas nem tudo me convém”
(1 Cor 6,12).
Que me
desculpe meu amigo Paulo por incluí-lo neste tema tão triste que se transformou
a política brasileira; porém lembrei-me dele ao ler o manifesto desses senhores,
afinal, é certo que existem as leis, porém, é devido a elas, devido a omissão
travestida hipocritamente de retidão; devido a negligência de que ela, a olhos
vistos, está sendo mal aplicada, onde milhares de pessoas devem sofrer sem que
uma ação imediata e inteligente aconteça para estancar, para conter o
depauperamento de toda uma nação, ainda que esta não perceba, ainda que poucos
o perceba, ainda que muitos sofrerão por conta de pessoas como estes senhores
que, antes de defenderem a lei, ato muitíssimo justo, afinal tudo deve ser
feito dentro da mais pacífica lei. Então, antes de se manifestarem, de se
dignarem a, se entendendo senhores corretos, pautar uma missiva forte em teor e
tão fraca e razão, deviam calar-se. Ainda o calar é menos perverso; a omissão
ao menos não encoraja desavisados. E, se nada tem-se contra esse governo
corrupto que aí está: temos um estado claudicante, temos um dos piores quadros
ainda agora que nos parece o caos não está diligentemente instalado, e o que teremos quando isso acontecer? O que os senhores falarão, se tiverem coragem
de mostrar a cara, quando pessoas começarem a saquear e a roubar para dar de
comer aos filhos, ou por pura animalidade. Ou, o que os senhores me dizem da
educação, da saúde, da segurança, da infra estrutura e dos inúmeros casos de
corrupção que apontam nossos governantes que teimam em insistir que mesmo
dividindo salas no mesmo andar, ou com amigos de extrema confiança seguindo
juntos por bons pares de anos, ainda assim insistem em dizer que nada tem a ver
com dezenas de casos que se multiplicam a cada dia mais. Logo a nós que sabemos
como funciona o corolário político. Que não saibam; que não sejam eles os
ladrões, porém, se todos pedem que se retirem: deem o melhor dos senhores para
fazer com que saiam da política, e não o contrário, incentivando-os a permanecer
e mais, insistindo que errado são aqueles que não os querem mais ver pela
frente. Deixemos que partam; que fiquem bem longe, que nem mesmo sejam julgados
por seus crimes ou por suas, omissão e negligencia - como me parece ser a vontade dos senhores, pensei ao ler o registro abaixo. Deixemo-los, inclusive em
paz, porém, senhores, ajude o povo brasileiro que não entende o que está
acontecendo se livrar do que está por vir, sim, os senhores podem mais que isso;
os senhores podem mais que assinar em baixo de toda uma história de podridão e lama,
agora, já no final, como avalista de crimes inafiançáveis, acredito, aos olhos
do meu amigo.
*
Quero fazer questão de registrar aqui o nome dessas figuras, apenas por isso me dignei a perder tempo com esse post:
http://www.revistaforum.com.br/blog/2015/10/intelectuais-lancam-manifesto-contra-o-impeachment-de-dilma/
outubro 16,
2015 13:24
Intelectuais
lançam manifesto contra o impeachment de Dilma
“O processo
de impeachment sem embasamento legal rigoroso de um governo eleito
democraticamente causaria um dano irreparável à nossa reputação internacional e
contribuiria para reforçar as forças mais conservadoras do campo
internacional”, diz o documento, assinado por nomes como Paulo Sérgio Pinheiro
(ex-ministro de FHC), Antonio Candido, André Singer e Marilena Chauí
Por
Redação*
Nesta
sexta-feira (16), um encontro entre intelectuais, promovido pelo Núcleo de
Estudos da Violência (NEV) da USP, discutirá as tentativas de impedimento em
curso contra Dilma Rousseff. As informações são da coluna da jornalista Mônica
Bergamo na Folha de S. Paulo.
Na reunião,
será lançado um manifesto contrário à “aventura do impeachment”, que, segundo o
documento, sem “embasamento legal rigoroso de um governo eleito
democraticamente causaria um dano irreparável à nossa reputação internacional e
contribuiria para reforçar as forças mais conservadoras do campo
internacional.”
Confira,
abaixo, a íntegra do manifesto:
A sociedade
brasileira precisa reinventar a esperança
A proposta
de impeachment implica sérios riscos à constitucionalidade democrática
consolidada nos últimos 30 anos no Brasil. Representaria uma violação do
princípio do Estado de Direito e da democracia representativa, declarado logo
no art.1o. da Constituição Federal.
Na verdade,
procura-se um pretexto para interromper o mandato da Presidente da República,
sem qualquer base jurídica para tanto. O instrumento do impeachment não pode
ser usado para se estabelecer um “pseudoparlamentarismo”. Goste-se ou não, o
regime vigente, aprovado pela maioria do povo brasileiro, é o presidencialista.
São as regras do presidencialismo que precisam vigorar por completo.
Impeachment
foi feito para punir governantes que efetivamente cometeram crimes. A
presidente Dilma Rousseff não cometeu qualquer crime. Impeachment é instrumento
grave para proteger a democracia, não pode ser usado para ameaçá-la.
A
democracia tem funcionado de maneira plena: prevalece a total liberdade de
expressão e de reunião, sem nenhuma censura, todas as instituições de controle
do governo e do Estado atuam sem qualquer ingerência do Executivo.
É isso que
está em jogo na aventura do impeachment. Caso vitoriosa, abriria um período de
vale tudo, em que já não estaria assegurado o fundamento do jogo democrático:
respeito às regras de alternância no poder por meio de eleições livres e
diretas.
Seria
extraordinário retrocesso dentro do processo de consolidação da democracia
representativa, que é certamente a principal conquista política que a sociedade
brasileira construiu nos últimos trinta anos.
Os
parlamentares brasileiros devem abandonar essa pretensão de remover presidente
eleita sem que exista nenhuma prova direta, frontal de crime. O que vemos hoje
é uma busca sôfrega de um fato ou de uma interpretação jurídica para justificar
o impeachment. Esta busca incessante significa que não há nada claro. Como não
se encontram fatos, busca-se agora interpretações jurídicas bizarras, nunca
antes feitas neste país. Ora, não se faz impeachment com interpretações
jurídicas inusitadas.
Nas últimas
décadas, o Brasil atingiu um alto grau de visibilidade e respeito de outras
nações assegurado por todas as administrações civis desde 1985. Graças a
políticas de Estado realizadas com soberania e capacidade diplomática, na
resolução pacifica dos conflitos, com participação intensa na comunidade
internacional, na integração latino-americana, e na solidariedade efetiva com
as populações que sofrem com guerras ou fome.
O processo
de impeachment sem embasamento legal rigoroso de um governo eleito
democraticamente causaria um dano irreparável à nossa reputação internacional e
contribuiria para reforçar as forças mais conservadoras do campo internacional.
Não se
trata de barrar um processo de impeachment, mas de aprofundar a consolidação
democrática. Essa somente virá com a radicalização da democracia, a diminuição
da violência, a derrota do racismo e dos preconceitos, na construção de uma
sociedade onde todos tenham direito de se beneficiar com as riquezas produzidas
no pais. A sociedade brasileira precisa reinventar a esperança.
Assinam,
entre outros: Antonio Candido; Alfredo Bosi; Evaristo de Moraes Filho e Marco
Luchesi, membros da Academia Brasileira de Letras; Andre Singer; o físico
Rogério Cézar de Cerqueira Leite; Ecléa Bosi; Maria Herminia Tavares de
Almeida; Silvia Caiuby; Emilia Viotti da Costa; Fabio Konder Comparato;
Guilherme de Almeida, presidente Associação Nacional de Pós-Graduação em
Direitos Humanos, ANDHEP; Maria Arminda do Nascimento Arruda; Gabriel Cohn;
Amelia Cohn; Dalmo Dallari; Sueli Dallari; Fernando Morais; Marcio Pochman;
Emir Sader; Walnice Galvão; José Luiz del Roio, membro do Fórum XXI e
ex-senador da Itália; Luiz Felipe de Alencastro; Margarida Genevois e Marco
Antônio Rodrigues Barbosa, ex-presidentes da Comissão Justiça e Paz de São
Paulo; os cientistas políticos Cláudio Couto e Fernando Abrucio; Regina Morel;
o biofísico Carlos Morel; Luiz Curi; Isabel Lustosa; José Sérgio Leite Lopes;
Maria Victoria Benevides, da Faculdade de Educação da USP; Pedro Dallari;
Marilena Chaui; Roberto Amaral e Paulo Sérgio Pinheiro
*Com
informações dos Jornalistas Livres