Jamais, nem
mesmo sobre o domínio de Hitler, serviu tanto à Terra, o epíteto que à aludisse
a um estado; um mero ponto de transição do homem; uma área de testes para o
“como comportar-se” humano.
É agora
aqui tão somente um estado de transição. Adentramos às portas do início do fim.
Aqui nascemos. Onde nos foi dada a oportunidade de reavivar parte de um estado
particular esquecido, um estado adormecido de sabe-se-lá, eras, eons, ou
qualquer outra medida de não tempo, de não mais tempo, e sim mensurado em
dores, males e doenças e sintomas do recanto mais profundo de nossos espíritos
a ser espiada. Assim, uma outra nova oportunidade fantástica em uma terra
maravilhosa e abundante acontece; porém o que aqui encontramos? Contrariamente,
outras formas engenhosas de provocar dor e fazer sofrer, transformando
novamente em carga, em peso, em sacrifício ainda maior, tudo o que poderia ser
acordado.
Parafraseando
o poeta que auto intitulou-se original, e o foi; todo o ser humano em toda a
extensão do planeta inventou seu próprio pecado e agora agonizará a sua maneira
com o antídoto que nada mais é também que o próprio veneno retirado, espremido,
excretado de suas presas peçonhentas através das mandíbulas ainda ávidas e
vorazes num epilogo mórbido e continuado da autodestruição quando, enquanto se
flagelam mordendo e autoinjetando o líquido que contém a cepa maligna
somatizada por anos, para então; nos últimos estertores entender o que é a dor
da tristeza infinda enquanto em meio a todo este perturbador atordoamento,
aloucado descobre que a vida invalidada aos poucos dá lugar a uma morte de dor
eterna quando finalmente, através de uma lucidez que é mais um castigo, percebe
que jamais morremos, ao acordar para a derradeira verdade ao relembrar que é na
morte agora viva que poderá afinal viver para sempre. Por certo que faltarão cérebros
para inventar orações a apagar o mal feito.
Quem sabe,
o fogo que o profeta aludiu, demorou mais a propósito de os elementos combinarem
também formas outras de derreter em chamas, não de forma rápida as moléculas
que se combinam em sangue; porém o contrário: igualando a dor à vontade humana
de machucar.
Vocês míseros
miseráveis que acreditam em um porvir além do tempo, continuem acreditando. Sim
é possível, algo mais, algo maior, algo enormemente inimaginável existe além
desses muros invisíveis que nos enclausuram em uma pseudo liberdade há muito crível
e jamais palpável. Não aqui, não agora; agora não mais. Foi perdido o fio
condutor do respeito mútuo. Agora sim é possível avistar o resultado dos
estragos cumulados. Não é mais possível voltar atrás e reconquistar o retorno;
não há volta. Nosso espaço/terra foi transformado só e unicamente em um estado
de transição, onde somos todos, colocados, posicionados frente a frente com uma
série de situações cujo único objetivo, a única serventia é que em algum momento
muito distante enfrentemos ainda com mais rigor ou com o rigor maior do que
finalmente entenderemos como: os próprios injustiçados observando agora sim,
sob a ótica da justiça as injustiças praticadas por eles mesmos - em algum grau;
é isso que nos espera.
*
Chegará um
tempo em que desejaremos a morte verdadeira e então aumentará ainda mais nossa
dor ao saber que ela não virá por já estarmos nela, porém, vivos.

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