quarta-feira, 16 de setembro de 2015

À Petra László



Jamais, nem mesmo sobre o domínio de Hitler, serviu tanto à Terra, o epíteto que à aludisse a um estado; um mero ponto de transição do homem; uma área de testes para o “como comportar-se” humano.

É agora aqui tão somente um estado de transição. Adentramos às portas do início do fim. Aqui nascemos. Onde nos foi dada a oportunidade de reavivar parte de um estado particular esquecido, um estado adormecido de sabe-se-lá, eras, eons, ou qualquer outra medida de não tempo, de não mais tempo, e sim mensurado em dores, males e doenças e sintomas do recanto mais profundo de nossos espíritos a ser espiada. Assim, uma outra nova oportunidade fantástica em uma terra maravilhosa e abundante acontece; porém o que aqui encontramos? Contrariamente, outras formas engenhosas de provocar dor e fazer sofrer, transformando novamente em carga, em peso, em sacrifício ainda maior, tudo o que poderia ser acordado.

Parafraseando o poeta que auto intitulou-se original, e o foi; todo o ser humano em toda a extensão do planeta inventou seu próprio pecado e agora agonizará a sua maneira com o antídoto que nada mais é também que o próprio veneno retirado, espremido, excretado de suas presas peçonhentas através das mandíbulas ainda ávidas e vorazes num epilogo mórbido e continuado da autodestruição quando, enquanto se flagelam mordendo e autoinjetando o líquido que contém a cepa maligna somatizada por anos, para então; nos últimos estertores entender o que é a dor da tristeza infinda enquanto em meio a todo este perturbador atordoamento, aloucado descobre que a vida invalidada aos poucos dá lugar a uma morte de dor eterna quando finalmente, através de uma lucidez que é mais um castigo, percebe que jamais morremos, ao acordar para a derradeira verdade ao relembrar que é na morte agora viva que poderá afinal viver para sempre. Por certo que faltarão cérebros para inventar orações a apagar o mal feito.

Quem sabe, o fogo que o profeta aludiu, demorou mais a propósito de os elementos combinarem também formas outras de derreter em chamas, não de forma rápida as moléculas que se combinam em sangue; porém o contrário: igualando a dor à vontade humana de machucar.

Vocês míseros miseráveis que acreditam em um porvir além do tempo, continuem acreditando. Sim é possível, algo mais, algo maior, algo enormemente inimaginável existe além desses muros invisíveis que nos enclausuram em uma pseudo liberdade há muito crível e jamais palpável. Não aqui, não agora; agora não mais. Foi perdido o fio condutor do respeito mútuo. Agora sim é possível avistar o resultado dos estragos cumulados. Não é mais possível voltar atrás e reconquistar o retorno; não há volta. Nosso espaço/terra foi transformado só e unicamente em um estado de transição, onde somos todos, colocados, posicionados frente a frente com uma série de situações cujo único objetivo, a única serventia é que em algum momento muito distante enfrentemos ainda com mais rigor ou com o rigor maior do que finalmente entenderemos como: os próprios injustiçados observando agora sim, sob a ótica da justiça as injustiças praticadas por eles mesmos - em algum grau; é isso que nos espera.

*


Chegará um tempo em que desejaremos a morte verdadeira e então aumentará ainda mais nossa dor ao saber que ela não virá por já estarmos nela, porém, vivos.

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