Há
poucos dias houve uma exposição de fotos, principalmente de fotógrafos free
lance que participaram das últimas manifestações de ruas.
Entendi
a ideia como válida, sempre é bom incentivar um bom trabalho, e digo que muitas
fotos lá expostas mereceram as devidas comendas.
Acredito
que isto incentive – e muito – que mais pessoas participem, além dos
fotojornalistas oficiais, não apenas na cobertura, mas com a intenção única,
como falou um destes novos personagens, de, principalmente, obter uma boa
foto.
Ok,
como diz a música, “tá tudo muito bem, tá tudo muito bom, mas realmente...” o
que não pode ser negligenciado é o fato de que em algumas destas manifestações
estamos lidando com um verdadeiro campo de guerra.
E
isto significa que nossos “bravos” guerreiros; seja profissionais voltados a
cobertura, o cara safo buscando a melhor película, ou mesmo algum “bobo-alegre”,
entendendo patavina do que está acontecendo ou preocupado apenas com uma visão focada,
qual animal de carga que usa tapa olhos para não distrair-se; não pode manter-se
alheio ao anseio bárbaro de manifestantes e polícia, por exemplo.
Ontem
um profissional da Band foi atingido em cheio por um destes morteiros que vagam
alheios após aceso. A visão é bárbara, - alguém estava a postos e flagrou o
instante - e o caso é sério, e independente de este cidadão ser um profissional
responsável ou não, isso não vem ao caso, fato é que estamos solidários com a
dor dos familiares, porém é preciso que algumas das barbaridades que foram
ditas na imprensa hoje sejam reavaliadas.
É claro que toda a classe jornalista deva estar
revoltada neste momento, mas nem por isso eles podem falar o que querem sem que
sejam observados e criticados em declarações que nem de perto são dignas de
pessoas estudadas e de conhecimento íntegro.
Digo
que em alguns casos, mais pareceu – mais uma vez – que os repórteres e
profissionais da imprensa, em alguns casos, aproveitaram o instante para uma oportunidade
desavergonhada de destilar o lado hipócrita da profissão – espero que eu esteja
enganado.
Refiro-me
ao fato de que na sua maioria, estes profissionais intocáveis, – tidos como preparados
- registraram o fato como um ataque a imprensa, um ataque aos direitos de
expressão. Um cala-boca ou mesmo uma ação inapropriada e desavergonhada e
deliberadamente contra o direito a liberdade de expressão.
Que
absurdo.
Em
uma emissora, pediram desculpas por ontem “no calor dos acontecimentos”, terem atribuído
a culpa aos policias, e hoje? Ainda estamos no calor dos acontecimentos que
devemos entender que um morteiro sem direção foi lançado propositalmente contra
um jornalista?
Deve-se,
é justo, procurar o culpado e enquadrá-lo, mas não por ter atingido “um
jornalista”; - a bomba não era teleguiada, qualquer um poderia ter se ferido -
mas sim, prender o autor e julgá-lo por seu ato, no mínimo, irresponsável, por
saber o risco que corria ao acender o artefato.
Vivemos
um momento bastante complicado socialmente. É visto que o desgoverno por
ineficiência não vai dar conta do recado. São tempos de mudanças, etc. e tal e
todo aquele blá, blá, blá manjado; porém era preciso que principalmente a imprensa,
como uma das poucas instituições com profissionais em seus quadros com
verdadeiro conhecimento de causa, - por participar ativamente de tudo o que
acontece no mundo - deixasse para lá estas ignorantes reportagens de caderno
marrom, de apoteose a violência, da preocupação com o índice de audiência, e começasse
algum trabalho de conscientização da moral, da ética e de como deveremos restabelecer,
redesenhar o caminho para este milênio que se inicia bárbaro, controverso,
animoso, desconfiado e inquieto, não somente no Brasil, pois sofremos isto em
boa parte do mundo moderno,
porque, do contrário, corem o risco de não terem audiência, emprego ou quem sabe,
nem mesmo a instituição como a conhecemos agora resista se nada for pensado, se
não tivermos uma pró ação inteligente e corajosa a este respeito.
A
imprensa tem o poder o que ela não tem é coragem ou homens preparados para os turbulentos
tempos de agora – e assim sempre foi.
E
assim sempre será?

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