segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Escritor e político



Intelectuais que preste podem ser comparados, em algum grau, aos políticos; quando têm a liberdade de tudo dizer sem fazer nada. Afinal, apenas as intenções são diferentes quando o primeiro reserva-se a não pertencer a classe da diplomática profissional. Assim os postos são diligentemente definidos e o primeiro pensa com sua abrangência holística, quando o segundo apenas trabalha o ofício de produzir palavras de efeito.

“Prisão deve ser lugar de justiça, e não de vingança da sociedade”.
Aécio Neves em editorial hoje na Folha

Quem me garante que ele não tenha declarado isso pensando também em si e em seus pares que este ano terão que gastar alguma saliva para se manter elegíveis, se não pela justiça, mas por conta de seus créditos junto a massa votante?

Ao final, esta frase pode conter a ânsia do “nobre” senador; mais uma súplica velada; um pedido de fim de ano: "que todos trabalhem a justiça desconhecida, ao invés da vingança apaixonada e “sem razão” nascida dos desmandos que diariamente invadem os noticiários nacional" - deve ter sido o seu desejo antes de degustar seus primeiros três goles de champanhe na virada do ano.  


Não se preocupe senador; o senhor é um "ótimo político". Nem mesmo tema ir para uma prisão de isopor, como a desta imagem publicada hoje, também na Folha, designada como uma ala de um dos presídios, palco da chacina; afinal, estamos em um país de impunidade política. 

E o senhor vem me apelar à justiça; só o senhor mesmo. 

Sossegue "nobre", porém não nos lembre de justiça. Mas, cuidado; invariavelmente, é bastante delicado recorrer a ela. 

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