domingo, 4 de setembro de 2016

Uma vez vice...

Nosso Jeca Tatu pagando de Mujica


A nova comunicação dinâmica, online, madura, criou também sua linguagem própria; sua identidade, e sua rapidez a obrigou ao alinhar da escrita, sempre odiada ao jovem inconsequente criativo, ou melhor, original por natureza, normal ao gaiato, ao indivíduo originado da Torre de Babel atual, que conecta informação fácil a necessidades cada vez mais urgentes.

Uma destas expressões aglutinadora – o muito com pouco - nascida e amplamente difundida, utilizada até mesmo por representantes consagrados na mídia, é a fácil: “mimimi”. Por mais avesso que seja o profissional que se depara com essa e tantas outras “palavras inventadas”; acaba se convencendo de que escolher por princípios pessoais manter-se alheio a esse aluvião barato, porém criativo da “piazada” e continuar defendendo o baluarte do expressar condizente, o tornará outro chato a se juntar aos velhos que insistem na ortodoxia que não aglutina mas mantém travada as portas para o desenvolvimento, sempre aberto naturalmente a mudança e a construção de situações que se mostraram e se mostrarão pertinentes ao longo da continuação da história.

Ontem, a expressão “mimimi” tomou uma dimensão particularmente maior. Até então a observava como apenas uma reclamação chorosa, ou a designar a fala choramingante do coitadinho de mim de plantão etc. Porém ao assistir ao senhor Temer na sua primeira e tão importantíssima quanto icônica, carregada de simbologias e expectativa, incursão a China para o encontro do G20, o que encontro!?! Um coitado ainda vice, ou ainda menos, se comparado ao “í tá mar”; um sujeito que me pareceu acuado e quase medroso ao continuar a medir palavras quando frente às câmeras.

Confesso que tenho neste instante certo desconforto em apontar este registro, quando imagino agora este homem sentado em uma poltrona qualquer ao lado do avesso Renan “topetudo” Calheiros, a falar com o que parecia ser um bando de repórteres com seus celulares a gravar palavras monossilábicas.

Ainda mais em cima do muro do que quando obrigado a interinidade. Ao falar das manifestações contrarias ao seu agora estado de presidente, continua a escolher palavras, - sempre normal ao político, mas sua ação é evidente de quem quer agradar a todos, ou quer ser aprovado. Me repito; nos pareceu que suas palavras buscavam abrandar mas possuíam ares de um não-sei-o-que de medo, porém não do medo do que possa acontecer; medo de “mimimi” mesmo. Coisa de ainda vice, sem postura impositiva, de alguém meio acovardado que não consegue assumir algo de envergadura superior ao seu estado presente. O cara é o novo presidente de uma nação que muitos consideram um continente. Maior país da América Latina; e fica colocando panos quentes sobre a manobra executada há três dias no senado para não ferrar com o futuro político de outra pau mandado de um partido que ferrou com todo este “continente”!!!

O que falar de um vice de uma zé ninguém política? É apenas isso que ele quer que os editoriais futuros lhe concedam? Ou, então por assim se assumir; deve manter-se no seu lugar; pianinho? O que é isso; respeito: medo, conchavo político, sem-vergonhice?

Sou apartidário, sou apolítico e não me criaria neste meio, mas moro no Brasil, aqui nasci e não é porque não voto a mais de vinte anos – faço questão de votar em trânsito – que não vejo o que está acontecendo e portanto posso, como brasileiro, apontar não as ações políticas, mas o comportamento humano de cada um dos políticos, o que não é nada difícil, afinal qual o político que está livre de ser apontado por suas ações como desumano, como impopular; então, para alguém na minha condição é fácil.

Tenho vibrado contra as ações do PT há anos, queria a saída da Dilma, não porque é ela, mas porque ela é uma coitada e não soube se impor; se fazer respeitar. Agora volto ao Temer; o que é ser vice de uma coitada?

Senhor Temer, o senhor está tendo a chance de mostrar a que veio, e independentemente de sua situação política, abandone tudo em nome de uma de suas primeiras frases ainda como presidente interino; “quero sair da presidência como a pessoa que deixou este país melhor”, ou coisa que o valha.


Pegando carona na sua declaração, entendo que só há uma forma de conseguir isso senhor Temer; usando toda a sua inteligência e conhecimentos de, sei lá, meio século de política e aproveitar que não lhe resta mais futuro político devido à idade, somado a não precisão, e pare de “mimimi” e então diga a que veio, mostre ao mundo que o Brasil tem alguns poucos com brio; até mesmo na política.

Nenhum comentário:

Postar um comentário