quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Um homem de uma dialética exaurida



Nosso anuário, o ComPêndio Fla To Lancy, entrevistou o senhor filósofo, bobo da corte e membro da banda intelectualóide ministerial patetista, Sr. Roboboberto Mangabobeira Ulque

Fla To LancyQual é seu diagnóstico sobre a integração regional?

Roboboberto Mangabobeira Ulqe – A convergência desse processo econômico diagnosticado por cabeças outras não significa e não significará a unanimidade de pensamento do conglomerado econômico disposto no centro sul da América ou qualquer outro espaço onde as oligarquias da não democratização buscam um que de não produtividade embarcados na possibilidade utópica do produtivismo antagônico quando precisamos construir um processo capacitor que qualifique toda essa demanda já pavimentada na escola bolivariana que agora ainda que claudicante possa ser aventada através da cultura dos povos latinos que ainda que apenas latam não são vira latas a meu ver embora possa não ser exatamente assim.

Qual o objetivo dessas visitas?
Dos três objetivos principais preciso qualificar dois como o princípio básico da premissa do desenvolvimento da minha ideia de desenvolvimento que automaticamente converge para um processo de elevação do continente que busca engajar não apenas nosso país com seus vizinhos mais próximos como buscarei através da Unesul unir não apenas o sul, mas o norte e todos os pontos cardeais incluindo o sudeste e o boreste. A aliança cretina e engodada do Mercosul foi até agora um princípio que não auxiliou no sectarismo comercial e ainda que os governos tenham conseguido escamotear ideias não explicáveis devido a premissa de que o governo precisa esconder para governar, a Aliança do Pacífico é algo que deverá ficar no futuro como um legado aos bo e não bolivarianos.

Quais medidas concretas?
Continentalmente falando digo e repito o que venho dizendo nas minhas visitas ao Paraguai, a Bolívia, a Argentina, ao Chile, ao Equador, a Colômbia, ao Uruguai, e a Caracas e a Venezuela e agora também a Cuba ao México e também aos Estados Unidos da América e de outros continentes incluindo o Canadá. Repito aqui o que fala um amigo meu quando diz que seu dinheiro não dá para ir para o Canadá, mas para a cana dá; isso é o que estamos vivenciando hoje e que se arrasta desde o século passado e não é mais útil. O modelo alemão como podemos ver foi vencido nas teorias do louco e mais que alugado comunista Groucho Marx, não é possível que somente nós intelectuais de Harvard enxerguemos isso. O foco foi desfocado do processo insustentável da Amazônia e o agronegócio deveria institucionalizar-se na capacitação tecnológica do não absurdo, o paradoxo de todo o processo desenvolvido no Paraguai desbanca em muito o não sectarismo alemão. Prova disso tai, o Erei a Magica que acertou em desconvencionar os modelos do “não desmatamento” tornando-se um pujante empolgado constitucionalista centrista e cretino de vanguarda tornando o Centro-Oeste brasileiro um celeiro de soja para o mundo, ainda que à custa do aviltamento das matas.

Essa agenda seria implementada de maneira bilateral ou por meio de organismos como Unasul e Mercosul?
Ainda que seja um defensor da Unasul, no meu ideário não imagino o Mercosul não fazendo história, então organizar a convergência para a união das Américas é nó mínimo um ato não crítico de economialismo onde exponho minha tese simples de que a clareza das ideias fazem com que o mecanismo de concertação do que está errado acabe quase que obviamente, mais claramente falando que o concerto se dê não apenas no âmbito da legalidade democrática, afinal o caudilho do velho espírito é criticar o modelo comercial desde a época de Celso Furtado e do Raul Prebisch, porém estes, invariavelmente intratáveis, tendem ao desagravo e não raro insistem em limitar as chances visando resoluções intempestivas nas intempéries de um caldo insosso chamado neoliberalismo, mas isso foi predominantemente no passado, a concertação política pode e pede um ajuste democrático que nosso governo tem a capacidade de instaurar através da ampliação do consumo e exportação de commodities afora da negativa das oitivas da esquerda que nem sempre o é quando o interesse é a assertiva do próprio mercado

Há muita resistência no governo brasileiro a discutir o Mercosul e conceber modelos alternativos.
A resistência já vem da França, esses garnizézes relutantes que pensam ser galos e não passam de umas galinhas que cacarejam a verborragia política não assimilada no processo da nova política díspar do modelo alemão que deveria vestir algo como uma camisa de força no Sarkozy caso ele vencesse o último pleito . Ontem ainda, na ausência de sua eminência junto ao congresso daquele continente, nós do Mercosul, Mercosur para nós latinos e membros das cadeias produtivas integradas na ausência de um projeto convergente de desenvolvimento entendemos que a realidade requer medidas superiores a atitude de avestruz. Talvez de uma capivara, ou de um tateto, mas jamais de uma avestruz, quem sabe de um texugo. Precisamos eliminar tabus tanto do pragmatismo antipragmático da pseudo euforia latina advinda da bolha macro invólucro chinesa. Agora, isso não é o momento de um debate fragmentarista que não é a favor do Mercosul, ou Mercosur, é o Unesul que está em vias de evidência, precisamos entoar o canto democrático da nova aurora bolivariana; e viva o Hugo.

O que o senhor acha de flexibilizar a união aduaneira?
A flexibilidade não é e nunca foi um processo de desenvolvimento democrático possível, há que se endurecer sem perder la ternura como dizia o profeta pouco correto e símbolo do comunismo do assassínio do culto humano. Precisamos criar um desenvolvimento, um “desarollo” onde o Mercosul prime a não flexibilização, onde os ajustes não sejam que tudo seja menos o ajuste, e os parceiros que não se afastarem de eventuais querelas intransponíveis terão enfraquecido a decisão e isso é certo que não recomendo. Aqui sem o modelo alemão se faz necessário que endureçamos contra a desconstrução do Mercosul onde sem que suspeitassem que não somos o que tentamos mostrar flexibilizássemos as ações desconjuntadas antes que enxergassem nosso enfraquecimento a olhos vistos.

Qual a maneira de criar essa convergência hoje, então?
Convergindo, é claro. A convergência é um processo científico matemático que nada mais é que a conversão, no nosso caso a direita, embora à esquerda direita nos queira derrubar em um processo que entendo ser bilateral, porque a qualquer instante eles se passam para “acá”, junto a “nossotros”. Os primeiros passos rumo à convergência se dá em direção a ela, e superar essa etapa é garantia de que, se estamos não multilateralizando o processo, mas justamente e finalmente para dor dos sectaristas intransponíveis, estamos indo em direção a convergência perguntada por si.

Se houvesse convergência, qual deveria ser essa agenda revisionista que o senhor defende?
Sou partidário, ainda que único, de que o Brasil é uma potência catastrófico petista emergente que emperra sem querer imperar ainda que somente impere no emperramento da máquina do estado, contanto, com características que proliferam a possibilidade de nos tornarmos o Tigre das Américas, agora que a China dá sinais de claudicância, não podemos nos esquecer do regime pluralista mais que abastado de Gatt, onde gatos não tinham vez, nunca lá poderia haver uma operação Lava Jato, afinal quando eles se utilizavam do Gráfico de Giant o processo todo se agigantava e é exatamente isso que desde o final do século passado estamos vivendo não a eminência do rótulo de emergente, o somos. Devemos pleitear, através de uma estratégia de experimentalismo consensual onde o mercado se agita, mas a caravana petista passa; entender e deixar que as formas humanas de coordenação humana executada por nossos imbuídos babuínos ministros executam não com insignificância parva de um tolo, mas com a compostura aliada dos aliados nosso tão bolivarianos quando peronistas.

Sua descrição é exatamente o que a diplomacia brasileira tenta fazer há bastante tempo. O senhor. está defendendo mais do mesmo?
Como cidadão bebo na fonte do soro fisiológico da fisiologia não armamentista defendida por setores não privilegiados pelo processo decisório do partido que antes de discorrer contra a democracia progressista transformadora, atendeu aos anseios populistas e urnistas do fornecimento do pão e circo aqueles que nada possuíam, porém possuíam um título. Nada mais obsceno que acenar ao parvo esquálido com a bandeira vermelha da equanimidade. Onde estarão no jargão popular dos poetas do caudilho os púlpitos armados além terra, na aurora póstuma onde acostumar-nos-emos a sentar em torno de uma fogueira com nossos charutos e uísques rindo-nos do que já não mais será porque foi. Agora como parte do Staff do bureau ambivalente dono de cadeira cativa na posteridade revisionista entendo que o mais do mesmo é igual, porém diferente sob o ponto de vista ambíguo e paradoxal das cadeias produtivas não integradas.

Qual o espaço para construir convergência na região quando há vizinhos atravessando crises profundas, como é o caso da Venezuela? O Brasil tem responsabilidades especiais na Venezuela?
A crise não necessariamente existe, e é nela que aproveitaremos para desvendar os seus mistérios convencendo-nos e convencendo os venezuelanos bolivarianos dentro de uma convergência regional que devemos qualificar a produção, que temos que nos engajar todos nós da Unasul, do Mercosul e do Mercosur na indispensável concertação regional do continente do Mercosul, digo Mercosur, numa força de embate jamais vista, não porque não acreditamos que possamos passar des-avantajados de um processo de reconciliação fora de acordos comerciais anti crise, não, mas porque sim, uma vez sob a tutela dos nossos companheiros de luta demonstraremos que nada há que não possa ser superado com palavras e um bom discurso que, ainda que poucos entendam eles entendem que nós entendemos e não sabem que não sabemos o que estamos fazendo.

Se a convergência sul-americana depende da saúde do projeto interno brasileiro, então as perspectivas neste momento não são boas, correto?
Não entendo sua questão como uma questão válida. Já explanei que a convergência tem seu parecer no desenvolvimento de um processo que se exauriu, porém o que se exauriu não necessariamente é o processo, mas os causadores do processo, ainda que não possa dizer isso eu disse, porém o fiz por saber que nenhum dos senhores entendem o que digo, mas falo por agora e quando isso for entendido estarei construindo uma nova estratégia para falar algo que os envolva no novo processo que estarei desenvolvendo; muito além das divisões partidárias um novo projeto Estado, não um plano de fuga, mas um plano de manutenção do estado vigente. Sabemos, nós do partido que o país ainda possui reservas intocáveis. E o que isso significa? Que elas e nós, ainda que sejamos intocáveis, podemos tocá-las, se nosso discurso continuar com essa divisão partidária que provoca a embromação, o rebuliço onde ninguém se entende, mas a supervisão constitucionalista do processo desenvolvido nacionalmente tem por base o continuísmo ainda que ninguém saiba de nossa politicagem da isca adulativa que seduz, e se não o faz, e, o que isso não consegue; a ameaça consegue.

O senhor então está otimista?
A crise e suas multilateralidades jamais serão um capacitador muito menos um capacitor incandescente a disseminar alternativas de mudanças. Sou um otimista inato, pois aprendi com os atropelos inquebrantáveis de um errante positivista que a liberdade tarda, mas não falha e no iluminismo de minha maturidade compreendi o que repasso aos meus pupilos em Harvard ou em qualquer colegiado apocalíptico que visa a estruturação e a concertação de um poderio econômico beneficiado pela vitalidade assombrosa do homem latino e latinizado ainda que europeizado mesmo porque somos nós quem estamos pisando o novo estado; enfrangalhando-os, dizem uns, com altivez digo eu.

De que forma a China facilita ou atrapalha esse processo?
O continente asiático como um todo é um gigante que tem muito a aprender com o populismo do capitalismo patetista, digo, petista dentro de um processo econômico que faz inveja a tecnologia mais avançada. Digo que a China só atrapalha o processo, porque se ela fosse menor não teria a desenvoltura descabidamente insana de um gigante ingovernável. Ainda que possamos presenciar a derrocada de uns e a intempestividade das agruras de outros que insistem em subir onde não devem, devemos entender o que se apossou do processo inimaginável há mais de dois mil e quinhentos anos com Platão na Grécia. Digo que apenas por isso a China é um estorvo ao crescimento democrático com sua opulência comunista.

Mas a América do Sul está longe de ser unida nesse quesito.
Não esperem que responda com incertezas. A quintessência do que vive a nomenclatura serena que esboça o sorriso da Mona Liza não necessariamente passa por este escaninho escuso do cérebro humano que espera o inesperado. E tudo certo está. Somos e estamos unidos no orgulho bolivariano ainda que não o sejamos. Temos um peronismo que insiste com a dona Cristina, mas isso não é e não será desanimador dentro de um priorado que busca a priorização dos acontecimentos que todos pensam; isso seria iludir o ilusório. As pontiagudas facas que enfrentam nossos muros não são inquebrantáveis e nossa união se faz à surdina, ainda que ninguém nos veja juntos, o estamos e, mais do que nunca, partilhamos e partilharemos por muito tempo dessa união que não se faz a olhos vistos, porém que há, há. Não busco aqui me vangloriar do posto avantajado intelectualmente falando, afora a beleza ilusória que me envaidece, porém defenderei as ideias do partido da patetice auxiliando no que for preciso para que o escamote continue acontecendo com essa comunicação distributiva e alheia ao não querer que enobrece; obrigado.

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Modelo de desenvolvimento da era Lula está exaurido, diz ministro

Publicado em 30/08/2015 às 13:04 por John Cutrim

Folha de São Paulo – O modelo de desenvolvimento da era Lula –o tripé composto por ampliação do consumo, da renda popular e da exportação de commodities– está exaurido.

Agora, o governo deveria buscar uma nova estratégia, que passa pela integração produtiva da América do Sul e não se limita ao Mercosul ou à Unasul.

Essa é a tese de Roberto Mangabeira Unger, ministro-chefe da secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República.

Mangabeira Unger não está pessimista com a situação atual do país, apesar da crise política e do encolhimento da economia:

“Se não estivéssemos vivendo uma crise ou múltiplas crises, não estaríamos considerando alternativas. A maior aliada de quem quer transformação é a crise”, afirma ele, que propõe “uma grande união de repúblicas sul-americanas, que precisam ter como base a convergência nesse projeto [de desenvolvimento], não apenas em acertos comerciais como o Mercosul ou em práticas de concertação política como a Unasul.”

Abaixo, trechos da entrevista concedida à Folha na última quinta-feira (27), no escritório da Presidência da República, em São Paulo.

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Folha – Qual é seu diagnóstico sobre a integração regional?
Roberto Mangabeira Unger – Falta em toda a América do Sul convergência num projeto de desenvolvimento que dê certo. Esta convergência é impossível sem a participação decisiva do Brasil. Nossa tarefa prioritária é organizar uma nova estratégia de desenvolvimento nacional, baseada em capacitações educacionais e oportunidades produtivas, com uma qualificação e democratização do processo produtivo. Precisamos construir um produtivismo inclusivo e capacitador. O cumprimento dessa tarefa nos dá uma grande oportunidade para avançarmos na união sul-americana. Por isso iniciei uma série de viagens para vizinhos como Chile, Equador, Paraguai e, na sequência, Colômbia e Peru.


Qual o objetivo dessas visitas?
Há três objetivos: explicar a construção da nova estratégia de desenvolvimento brasileira, com o ajuste fiscal como ponte entre a estratégia anterior e a nova; engajar nossos vizinhos numa discussão a respeito das alternativas de desenvolvimento no nosso continente e identificar ações concretas para ancorar a convergência no modelo de desenvolvimento. Esse processo vai ajudar a superar sectarismos comerciais, como a divisão entre Mercosul e Aliança do Pacífico, ou entre países `bolivarianos’ e `não bolivarianos’.

Quais medidas concretas?
Com o Equador, o foco é criar um novo modelo de escola média técnica capaz de priorizar a capacitação exigida pelas novas tecnologias. É preciso superar o antigo modelo alemão de ensino rígido de ofícios convencionais, que era útil para o parque industrial do século passado. Também queremos explorar a possibilidade de um centro de desenvolvimento tecnológico para promover desenvolvimento sustentável na Amazônia. No Paraguai, o foco é discutir o modelo agropecuário –recuperação de pastagens degradadas, industrialização de produtos agropecuários– em parceria com os governadores do Centro-Oeste brasileiro. Com o Chile, o foco foi educação e o desenho institucional propício ao fomento de empresas de vanguarda: eles têm uma indústria extrativa, mas contam com uma classe média educada que gostaria de se transformar num centro de serviços.

Essa agenda seria implementada de maneira bilateral ou por meio de organismos como Unasul e Mercosul?
Sou um defensor da Unasul, mas ela é um mecanismo de concertação política e de segurança regional. A concertação política é muito valiosa, mas não basta para produzir unificação. No caso do Mercosul, apesar da existência de grandes aspirações de união sul-americana, o elemento mais forte tem sido mercantil. No entanto, o comércio é base estreita demais para uma união regional. O Mercosul não é um centro de ideias para organizar a convergência de projetos de desenvolvimento. Não estou criticando o Mercosul, mas ele é uma base muito limitada para carregar o projeto de unificação sul-americana. Na ausência desse projeto maior, os problemas comerciais tendem a ser mais intratáveis. Os problemas comerciais têm maior chance de resolução se o projeto regional for mais do que comercial. A minha tese é que nós não temos um ideário amplamente difundido a respeito de desenvolvimento na América do Sul desde a época de Celso Furtado e Raul Prebisch. Vivemos o período de ascendência do chamado neoliberalismo, que por sua vez levou a um período em que as bases predominantes do desenvolvimento na maioria dos países sul americanos foram ampliação do consumo e aumento da renda popular de um lado, e a produção e exportação de commodities de outro lado.

Há muita resistência no governo brasileiro a discutir o Mercosul e conceber modelos alternativos.
Quem reluta em admitir essa discussão mais ampla exibe um pragmatismo antipragmático. Sou um defensor do Mercosul, mas é necessário reconhecer suas dificuldades com realismo. O livre comércio entre seus membros nunca foi completado. E, na ausência de um projeto convergente de desenvolvimento entre as partes e de cadeias produtivas integradas, a união aduaneira é visto como uma camisa de força. Não enfrentar a realidade é uma atitude de avestruz. Quem é a favor do Mercosul não pode ter tabus na hora do debate. Isso é ser contra o Mercosul.

O que o sr. acha de flexibilizar a união aduaneira?
Poderia ser feito em algum momento, mas é inconveniente e impossível no ambiente atual, porque seria visto como uma tentativa de desconstrução do Mercosul, não de seu fortalecimento. Se avançarmos no aprofundamento do modelo comum de desenvolvimento, tudo se torna mais possível. Isso mostraria união e ninguém vai suspeitar que eventuais ajustes sejam um pretexto para afastar os parceiros. Se flexibilizássemos hoje, a decisão seria vista como enfraquecimento do Mercosul, então não recomendo isso.

Qual a maneira de criar essa convergência hoje, então?
A forma mais prática de começar esse processo é país a país, de forma bilateral, explicando a cada um o que queremos fazer, e identificando ações concretas que podem encarnar aquele esforço de convergência e servir como primeiros passos. Depois, haverá uma segunda etapa para multilateralizar esse esforço. E, por fim, uma terceira etapa para superar os sectarismos comerciais e políticos que dividem a América do Sul e, assim, ter uma base da qual fazer revisões da ordem global em temas de segurança, finanças e comércio.

Se houvesse convergência, qual deveria ser essa agenda revisionista que o sr. defende?
O Brasil é uma potência emergente de características especiais. Somos o único país de nossa dimensão que emerge sem imperar e sem querer imperar. Isso não nos exime de responsabilidades revisionistas, entretanto. Devemos pleitear uma ordem mundial propícia ao experimentalismo. Devemos resistir à ideia de que todos os países devem aderir a uma forma específica de economia de mercado que proíbe, sob o rótulo de ‘subsídio’, todas as formas de coordenação estratégica entre governos e empresas (que os países ricos de hoje em dia usaram no passado para enriquecer). O sistema de patentes e propriedade intelectual desenvolvido no final do século 19 ainda concentra a tecnologia em poucas multinacionais. Esse tipo de convergência não nos interessa. Queremos liberdade para experimentar, com abertura econômica máxima e restrição ao experimento mínima. Isso é possível, basta lembrar do regime do Gatt no passado recente. O objetivo da ordem mundial de comércio não deve ser maximizar o livre comércio, mas criar espaço para as divergências nacionais. O objetivo é o pluralismo.

Sua descrição é exatamente o que a diplomacia brasileira tenta fazer há bastante tempo. O sr. está defendendo mais do mesmo?
Falo agora como cidadão, não como ministro. Toda potência emergente na história moderna exibe uma ambivalência: busca um lugar mais favorável dentro da ordem existente e, ao mesmo tempo, pleiteia uma mudança da ordem. Uma grande democracia progressista transformadora, como a nossa, deve carregar no pleito revisionista, e não apenas na busca de um lugar ao sol.

Qual o espaço para construir convergência na região quando há vizinhos atravessando crises profundas, como é o caso da Venezuela? O Brasil tem responsabilidades especiais na Venezuela?
Nós temos responsabilidades, mas nosso caminho não é o da tutela. Temos de engajar os nossos vizinhos e compartilhar com eles tudo o que ajude a qualificar sua produção, liberte as pessoas e construa as bases para uma convergência regional. Meu esforço não é para substituir ou andar em paralelo ao esforço de concertação política admirável e indispensável que a Unasul desenvolve. Não tenho instrumentos para propor reconciliação num país onde há forças em embate. Isso pode ser feito pela Unasul. Minha vantagem comparativa não é negociar acordos comerciais ou juntar forças que estão brigando. Meu papel é trabalhar junto com países engajados em buscas semelhantes.

Se a convergência sul-americana depende da saúde do projeto interno brasileiro, então as perspectivas neste momento não são boas, correto?
O modelo anterior de desenvolvimento se exauriu. Nossa tarefa nacional prioritária agora é construir uma nova estratégia nacional de desenvolvimento com base em educação e produtividade. É um projeto de Estado, não apenas um plano de governo. Um projeto de desenvolvimento nacional tem der ser projeto de Estado, e tem de ser discutido e apoiado por uma ampla gama de forças. O Brasil é capaz de produzir uma grande obra coletiva de transformação por cima das divisões partidárias.

O sr. então está otimista?
Se não estivéssemos vivendo uma crise ou múltiplas crises, não estaríamos considerando alternativas. A maior aliada de quem quer transformação é a crise. A crise não atrapalha a mudança. Pelo contrário, sem crise, não há mudança. Esse é o material com o qual estou trabalhando. E o Brasil tem o benefício de ter uma vitalidade assombrosa, anárquica e quase cega. Não há país do mundo mais disponível para uma grande construção transformadora que o Brasil de hoje. O foco deve ser um projeto de produtivismo inclusivo e capacitador, que se desdobre numa grande união de repúblicas sul-americanas, que precisam ter como base a convergência nesse projeto, não apenas acertos comerciais como o Mercosul ou práticas de concertação política como Unasul.

De que forma a China facilita ou atrapalha esse processo?
Todas as minhas contrapartes nos países que visitei levantaram a questão. A posição sul-americana comum deve ser a de demandar da China o compartilhamento de capacitação tecnológica, e não apenas uma relação pela qual nós exportamos commodities para eles. Por isso, devemos construir uma posição comum para tratar com eles. Eles não estão atuando na América do Sul por uma lógica apenas comercial, mas pela lógica da geopolítica de segurança alimentar. Em todos os países que visitei esse problema foi levantado. Não por mim, mas pelos colegas ministros dos outros governos.

Mas a América do Sul está longe de ser unida nesse quesito.

Não precisa esperar termos união para construirmos uma posição comum. Podemos ter isso em pouco tempo. Já começamos a fazê-lo. Tenho certeza de que nossos diplomatas estão muito conscientes desse problema e, muito eficientes, já começaram a resolvê-lo. Eu apenas estou dando uma pequena ajuda.

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