A invasão do Nepal pelo
homem/turista/comum e
aventureiro,
talvez possa ser comparado apenas
à invasão do homem branco - “o cara pálida” –
sobre os territórios indígenas,
no que se refere a miscigenação e costumes.
Ou seja, não foi nada bom para os incomodados.
*
Ainda
que entenda o fato de a natureza, através de movimentações colossais, vir,
secularmente, embaralhando elementos a nossa revelia em todo o planeta, digo
que este terremoto no Nepal merece um olhar mais atento sob o ponto de vista da
compaixão.
O
Nepal é uma pedra preciosa incrustada na Terra. Quando os vejo morrendo aos
milhares, em condições de abandono - não por eles próprios; ainda que pareça
desesperados nos vídeos introduzidos por nós ocidentais e por aqueles que,
incentivados pela National Geographic vivem os incomodando, desrespeitando-os,
buscando furos de reportagem, mesmo na desgraça alheia e, até mesmo lá. Então
entendendo que diante do quadro atual quando eles nada podem fazer, eu, um
espiritualista simpático à doutrina budista penso se não é melhor morrer a
viver como eles vivem neste plano?
Trezentos,
quinhentos, um milhão de turistas emporcalhando um local puro. Esses são os
números que nos são apresentados. Mijando e cagando por todo o Everest, por
todos os Himalaias; quem é que precisa disso? Então, quando essa colossal
montanha apresenta, fazendo uma analogia, uma sacudidela derrubando seus
inoportunos escaladores, deveríamos entender como uma autodefesa e não como uma
catástrofe natural se esse movimentar-se soterra alguns pares desses
aventureiros que a imundam.
O
Nepal é uma pedra preciosa de pureza incrustada na Terra. Seu povo deposita
toda sua crença em mantras que são recitados a exaustão, toda a sua energia é
depositada com o maior zelo na prática do budismo, diuturnamente e, diferente
de nós ocidentais eles entendem o significado dessa dedicação, ou da dedicação
honesta porque compreendem o seu momento no planeta.
Uma
tribo exclusiva e autônoma no que se refere ao auto sustento minguado, porém,
escolhido, adotado. Isso é deles, é sua propriedade cultural, faz parte da sua
tradição. Mas o homem não quer assim, o homem por natureza não aceita que o
outro por si só se exclua, ele, por mais que o outro insista na solidão, ele
avança contra, ele invade, ele se entende superior e não entende, não aceita
como alguma outro possa viver sem a sua presença – incômoda ou mesmo negativa -
ao lado; pretensiosos arrogantes.
Sei
que estas palavras não combinam em nada com a doutrina budista, porém, eu posso
assim me manifestar por estar infectado com a crença urbana ocidental – ser mais
um. Sendo apenas um simpatizante, como todos somos por aqui, mais por invejar que
por admirar culturas que observam a pureza à ganância.
O Nepal
é uma sagrada pedra preciosa incrustada na Terra. E como tal deveria ser
respeitada; “o topo do mundo”, e, a despeito do que é revelado de sua política,
precisamos entender que antes de tudo eles são humanos, porém ao final, e
sempre, é o povo, dentro de sua ignorância; somado a pureza – não pobreza - de
espírito, que sofre os maiores ônus advindos seja do próprio homem, seja da
natureza.
Não
sinto mais dor pela morte de tantos nepaleses quando é meu sentimento de
repúdio por todos aqueles que ainda não entenderam o que significa a presença
de um povo como esse entre nós não os tratando com o valor devido, ou seja,
desrespeitando-os, ou não respeitando o que eles deveriam representar para nós.
The Last Mantra

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