Ouvia na infância que a criança é o futuro do Brasil. Penso agora que poucas frases somam redundância e clichê quanto
essa; entendo hoje que ela é uma frase tão redundante quanto inadequada,
afinal a criança será o futuro em si, ou seja, não há como ser diferente, mas também
não há como cobrar que o professor de escola pública haja diferente, se o
fazem ainda hoje, como posso cobrar o feito há meio século.
Mas
é ela que me veio à mente nesta última semana em meio às noticias do tumultuoso
e contínuo desastre chamado também de petrolão. Este novo novelão não apenas, e
naturalmente, se arrasta como todos os imbróglios políticos deste país, como,
diferentemente, traz por mais tempo que de costume, novidades a cada capítulo;
o desta semana foi muito interessante.
Venina
Velosa, que combina com “vela” e com “velar”, desculpem a associação ridícula,
mas ela é providencial, -“providencial” também é – afinal, ainda que tudo o que
jamais foi dito em público sobre a lama de um país faça com que todos os
culpados sejam arrolados no processo, é possível que com a entrada dessa
senhora nas discussões, relatando ações e novas denúncias impossíveis de
refutar, não tenhamos a justiça conclusiva do caso, e ainda assim, corremos o risco
de que muitos envolvidos escapem sem atingir a média mínima de condenação do
país nestes casos; que por sinal, é baixíssima.
Então,
somente recorrendo ao Altíssimo, mesmo que através de trocadilhos podres.
Volto
á criança...
Diferentemente
da criança que ouvia e quando assimilava acreditava que a coisa ia acontecer,
posso afirmar hoje que passado quase quatro décadas dos meus tempos de escola,
não tenho e não temos mais motivo algum para acreditar no futuro prometido – está
mais fácil acreditar nas previsões pessimistas.
Porém, ainda que não seja ouvido, quero fazer
um apelo aos senhores que há quatro décadas eram crianças iguais a mim e que
hoje frequentam os postos mais queridos deste pais, os políticos. Vocês também
passaram por essa fase de acreditar que poderiam mudar o país, e hoje vocês tem
esse poder nas mãos. O façam. Lembrem dessa frase infantil e, de posse dela, atuem,
hajam, com o espírito de uma criança que na sua pureza acredita que pode fazer
a diferença ainda hoje, e hoje vocês podem.
Não
é culpa do Lula, da Dilma ou de todos os corruptos; a culpa é daqueles que
detém o poder o podem fazer a diferença – vocês que já foram as crianças.
Ouvindo as vozes de pessoas maduras e inteligentes que anunciam, até fora de
nossos muros, que a continuar nestes trilhos, o futuro de nossas crianças,
ainda que elas mudem seus pensamentos, como nós o fizemos, será muitíssimo
difícil. Apelo ao mínimo de caráter que possa existir na classe política
brasileira que descubram também que assim como vocês tiveram inteligência
suficiente para se entocarem aí, consigam entender que podem também ser
inteligentes para tirar o país dessa enrascada que apenas a vocês é benéfica;
provem a nós que existe vida inteligente na política brasileira, honrem a
criança que vocês foram.
É
a nossa geração, no comando de vocês, que pode arregaçar as mangas e tomar a
luta como uma causa que nos honre; façam a diferença... e façam história...
mudando-a para melhor.

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