A barbárie sempre existiu, porém ela
advém da nossa falta de instrução, então ela explica-se por si até o
desenvolvimento do homem; e porque então vemos perpetuado o nosso instinto
animal propenso ao roubo, a matar e exterminar?
*
Evoluímos num ascendente, possivelmente
inimaginável a nossos antepassados, - talvez, também, graças a eles – porém o
aprendizado laico foi negligenciado. A elite mundial, uma nata, uma faixa
muitíssimo pequena preocupou-se em buscar o conhecimento e desenvolver
pesquisas, algumas delas observando a qualidade produtiva almejando antes a
superação financeira, e não vai aqui tipo algum de despeito, muito menos esta é
uma carta panfletária, - não sou panfletário e não carrego bandeiras - não é
mais hora, não temos mais tempo nem estomago para isso, para estas disputas
mesquinhas. Um assim comportar-se – generalizado - acaba explicando o ponto em
destaque: o desenvolvimento desordenado vem cobrando um preço, a parte pobre do
condomínio não consegue atingir o pensamento, o conhecimento e nem mesmo a
educação da parte alta; e ainda que não vai aqui novidade alguma: isso vem se
dando em escala mundial, há séculos. Esse desequilíbrio está cobrando seu preço
e ao que parece, a médio prazo – falo em níveis de história - nada poderá ser
feito, porque, ou não estamos dando a devida importância a essa ocorrência, ou
pior – o que é difícil de acreditar -, porque continuamos alheios a essa verdade.
*
Existe uma questão intrincada e
inexplicável que deveria ser entendida ou ao menos trazida à luz, como agora,
que diz respeito a pureza do homem - pureza no sentido de desconhecimento ou
pouco conhecimento. Algumas correntes de pensamento, trazidas à discussão
poderiam com razão lembrar que ainda que tendesse o homem à brutalidade, era
detentor de uma pureza natural nos primórdios e, felizmente, tanto uma quanto a
outra continuaram conosco, porém, a despeito de outras vertentes que insistem
no aumento da barbárie, é certo que a pureza continua presente, porém ao
tocarmos nesse assunto precisamos nos perguntar; como é possível que o homem
conserve sua pureza e ainda assim evolua?
Porque este sonho esse estado utópico não
combina com o progresso.
A sociedade, como economia, nem
sempre se contenta em permanecer em um estado de autarcia e passa a buscar – se
necessário lançando mão de certa agressividade - a superação econômica de
grupos concorrentes, em algumas situações sobrepõem-se a isso; como estamos vendo
acontecer com o estado russo sobre a modesta Ucrânia.
E o
estado puro! O que aconteceu com ele? O que existia de errado com aquela forma
de vida – ou ao menos; por que desviamos (fugindo ou esquecendo) dela de tal
maneira? O que acordamos em nós que aflorou uma espécie de gana inaudita, um
querer sem par que não apenas busca a mecânica do cômodo possível (não mais
possível ou, agora tornado impossível), como se fosse instigado um instinto
animalesco jamais imaginado, ou ao menos, visto com mais freqüência em nossos
ancestrais lutando pela sobrevivência, despertado ao que parece, apenas para o
prazer ou como um capricho somente, para que nos sintamos superior aos demais?
Queima
de etapa
Acontece que a disparidade de
entendimento, de compreensão entre nós, é nata, não obstante, processo natural
da nossa caminhada rumo ao que entendemos por evolução, porém nós mesmos,
tratamos, inopinadamente, de dar um salto nessa natureza, fazendo com que,
acredito, o natural se perdesse, fosse atropelado pelo querer humano,
desequilibrando também nesse ponto, em prejuízo próprio. Ouso um parafrasear irônico
à Darwin em sua citação polêmica; acreditando que a natureza não evoluía em
saltos até ele.
Busco aqui compartilhar uma observação
pertinente ao nosso agora, quando estamos assistindo uma confluência oportuna
de manifestações, tanto boas quanto não, mas a preocupação, a intenção
principal, reside no desequilíbrio contínuo dessa equação que pende favorável,
inequivocamente, ao segundo grupo e, ainda que dispare a equação que faça
entender, perigosamente, a necessidade de toda a degradação fazer algum tipo de
sentido, convencendo-nos, portanto de sua inevitabilidade, devemos sempre
trilhar nossas decisões para caminhos que apontam para uma resposta
indefectível: em determinado nível de avanço toda a situação, por mais perversa
que possa parecer sofrerá intervenções ao ponto de reversão, demonstrando a
versão inequívoca de que a ordem natural sempre prevalecerá, e que, todas as
mazelas sofridas servirão também para a reconstrução; porém é sabido que esse
estado reverso somente pode acontecer quando um ou vários grupos chegam a um
consenso sobre o fato de que um ponto inaceitável de abjeção foi atingido e
medidas outras, muitas, contrárias às velhas correntes, precisarão ser tomadas.
O desentendimento sobre essa lei e o
abuso da descontinuidade de um cabresto a corrigir o desgaste aviltante por
parte do homem, dispara, inevitavelmente, leis outras de correção a nossa
revelia fazendo então com que, naturalmente, mas obrigatoriamente, sofram
também as conseqüências, todos aqueles que outrora não tiveram a coragem da
correção, e, jamais devemos entender essa máxima como castigo, pois a ordenação é caminho natural como foi lembrado.
Podemos nos orgulhar dos avanços e
pesquisas tecnológicas alcançados, e de jamais desfrutarmos, de tanto conforto,
ainda que a diferença mundial entre ricos e pobres continue - vide “tragédia dos
comuns”[1] -; mas também o vórtice família,
religião e vida social está por um fio (ainda mais fino) do desmantelamento no
que se refere à verdade sobre esse tripé, digo, sem a hipocrisia de se estar
vivendo bem em sociedade; tanto quanto
as dúvidas sobre onde está a certeza com base nas: razão, ciência e
divindade.
A questão é; é possível que aceitemos
uma nova questão diferenciando-a de todas até aqui propostas, assumindo a
partir de então, apenas sua porção metafísica e não teológica, trazendo-a a
contextualização do nosso agora? Que seria: Em que medida (ainda) podemos seguir descuidados
ou negar o fato de que o que estamos vendo é a resposta direta da lei de causa
e efeito transcendendo espaço e tempo? Quem pode afirmar; concordar; negar ou
refletir sobre essa verdade: Deus não castiga; ou, que Deus nem mesmo participa
nestas questões insanas que se envolve e desenvolve - medita por inúmeras, (e
suas) razões - o homem, mas, jamais por não ser de Seu interesse, e, portanto,
assumir que de alguma maneira é mais fácil ou até oportuno incluí-Lo no assunto
para justamente não abordá-lo? É hora de assumirmos que a ordem natural cobrará
seu preço, como sempre o fez, juntamente com o fato de que não fomos
suficientemente cuidadosos no que diz respeito a compilar dados passados e que
seguimos em desvantagem e a mercê dos números e estatísticas.
O mundo é muito maior do que podemos
imaginar – mesmo o mais romântico dos cientistas -, e não somos o suprassumo do
universo. Tudo até aqui foi muito bem romanceado e acreditamos ou queremos
acreditar apenas nos capítulos que nós mesmos criamos onde nos vemos como seres
superlativos, convenientemente; nossa soberba então, não nos permite acreditar
que estamos sob o arbítrio de Leis Maiores, e o que enfrentamos é parte desse
processo: efeito da nossa megalomania desenfreada e contínua. Volto, e preciso
ponderar ainda mais uma vez: não sou panfletário, muito menos um intelectualóide
piegas perdido no tempo/espaço, bem
como não procuro atacar ninguém, justamente por entender os meandros da mente
humana e compreender parte de suas patologias, em determinadas situações, ainda
melhor que alguns biólogos - sem ofensa.
Todos dizem que a filosofia não dá
respostas, não sou filósofo no que se refere ao rótulo. O sou no que diz
respeito ao pensamento sério e positivo pragmático, destarte, analiso, avalio,
pondero e medito, e agora, falo com convicção que finalmente podemos refletir
sobre o continuarmos existindo, vivendo e morrendo e voltando à vida - isso
para fazer uso de palavras que podem ser compreendidas, afinal a bem da verdade
a morte não existe.
De onde vem essa convicção? Por jamais
ser devoto a um único partido em detrimento a outros. Não é mais possível discussão
onde ocorram defesas de opiniões de ideologias exclusivistas e excludentes, ou
um filonar baseado em leis antigas não reformadas – definitivamente, não mais. Precisamos
entender a evolução como um aceitar o que honrados seres e senhores deixaram
escrito ou mesmo apenas dito. O tomar partido sem a instrução adequada, é retroceder, é se fechar para o
outro, para a inteligência externa, para a evolução que aponta para uma existência
que assegure algum tipo de liberdade; é defender interesses herméticos
ultrapassados ou passíveis de reformas. O defensor da política exclusiva,
padrão, limitada, não pensa o humano como um todo por não entender, por
desconhecer a unicidade do existir em prejuízo ao "grupo menor", protegendo, não equivocadamente, mas oportunamente, causas próprias – isso também não é mais aceitável. Os membros
das novas comissões, dos novos conselhos precisam estudar todo o processo que
desencadeou o gargalo em que nos encontramos e entender, primariamente, que não
foi apenas uma opinião, a do seu partido, a da sua raça, a da sua política, a
da sua religião que esteve sempre agindo em conformidade com a ordem natural do
universo; foi e está sendo, exatamente o contrário.
Deus não castiga, mas devemos
finalmente acreditar que existem leis que desconhecemos – Einstein já o
sinalizou[2] - ou preferimos
negligenciar; fingir que não sabemos – em troca do tempo imediato (imediatismo;
superficialismo) - que inexoravelmente foram aviltadas e virão, fatidicamente,
cobrar seu quinhão. Não por vingança, mas devido à ordem natural. É chegada à
hora de absorvermos isso – e não há romance aqui -; não é castigo, é a conta.
Entendo também a dificuldade de
incluir Deus entre as negociações, até por isso tenho mesclado Ele com Leis
Superiores, para aos poucos podermos inseri-Los nos discursos políticos não
como um ponto a favor daquele que discursa, mas a todos. É certo que estamos todos
de mãos atadas, - esse é o preço da democracia do conchavo; precisamos admitir
nosso desconhecimento quanto a nossa crença de que o sistema de troca-troca na
confiança não é nada confiável no meio corporativo (devido à multiplicidade de
partidos), ele tem um tempo de validade, apenas não vem impresso, justamente
por ser determinado pela parte que encontrará alguém que lhe ofereça mais
vantagens.
Em um meio que fabrica conluios e
negociatas com todos os lados para tentar manter a política da “boa vizinhança”
– onde pretensos espertos tidos como os mais fortes enganam seus vizinhos; não
quero aqui criar caso, porém era preciso que começássemos a trabalhar com um
mínimo de cara limpa, sem a hipocrisia que dita nosso discurso – a democracia
dos partidos concede poder a todos e em um mundo dinâmico de pessoas (grupos)
dispares não há lealdade; fica tudo muito instável. Essa política dos panos
quentes diante das câmeras e acordos escusos ou não em frente aos cofres precisa
urgentemente ser revista, e ainda que não seja possível concatenar Leis
Superiores com acordos ilícitos, precisamos encontrar uma forma, urgente, para
melhorar nossa posição frente a nós mesmo e a nossos grupos afins, precisam,
alguns, ao menos, ter a coragem de mentir que não está entendendo nada e partir;
porém esse não é o melhor caminho, todos precisam estar juntos nesse realinhamento
e usar de forma positiva o que foi aprendido até aqui na degradação da vida humana.
Quando refiro-me a hora chegada
posso estar sendo utópico, afinal não serei eu a definir este momento, mas
afirmo que estamos passando por um gargalo terrível no que se refere a condição
humana. Uma série de itens de pauta[3],
discutidos em reuniões de G8 ou G80, está ficando tempo demais sem respostas, e
o que assistimos são medidas paliativas de recursos e leis para estancar a
hemorragia. São pouquíssimas as respostas definitivas que possuímos ou que
encontramos quando às reuniões. Por conta dessas não-respostas, distribuímos prêmios a matemáticos e economistas que nos salvem ou protelem da derrocada,
tentando encontrar um caminho em meio ao cipoal de acertos e acordos imediatos
– em contínuos arranjos que não levaram em consideração o preço final, porém
são anunciadas como passos inteligentes – quando a resposta, o sabem: não
existe. Arrastar-nos-emos e assassinaremos quanto mais devido a buscas
equivocadas em pranchetas, quando era preciso humildade para admitir a necessidade
em voltar às negociações de confiança e pautadas em caráter, honra, moral e
justiça verdadeiros. Não há outro caminho; não há um único PhD catedrático; por
mais prêmios que ofereçamos que vá resolver esta questão.
Já provamos nossa capacidade,
provamos a nós mesmos e ao mundo o quanto podemos ser bons; isso desunidos. Gostaria
que imaginassem esse potencial sendo usado em um acordo comum universal, como
uma família em necessidade do pós-guerra. E, ao mesmo tempo que precisamos
chegar a isso urgentemente, não precisamos e não é possível chegar lá de
imediato, então, uma grande família em cada província, e uma grande mãe em cada
estado, em cada país e ao final, todas se entendendo como uma grande família
única da Terra.
Não devemos nada para o
desenvolvimento. Devemos nos orgulhar do que fizemos em prol de nós mesmos e de
tantos outros projetos em andamento; somos e temos inteligência suficiente para
realizarmos o que quisermos, porém esse querer não utópico e também não
supérfluo precisa ser buscado; um querer real e altruísta, mas precisamos
entender antes que desaceleramos de alguma maneira no que se refere ao humano,
foi como se nos considerássemos superiores e autossuficientes de tal forma que
não precisamos respeitar limites.
Frankensteins hi-tec
Nós fabricamos as bombas; e nos
armaremos suficientemente contra aqueles que as fabricam também, e isso
acontece em todas as cátedras. Orgulhamo-nos de ser concorrentes habilidosos, e
o somos; quando não, desenvolvemos capacidade para sê-lo. Nada nos detém, mas
isso é um perigo, vivemos como adolescentes inconsequentes e armados. Em algum
tempo passado dizíamos que os médicos brincavam de deus, agora todos os
jubilados com acesso a um bom projeto de pesquisas científica torna-se desafiador
por entender-se pronto para criar, para desenvolver o que bem entender e dar à
luz sem acercar-se dos cuidados necessários, sem entender todo o processo criativo
ou a nocividade final de sua cobiça, mais ou menos como Frankenstein. O problema é que os pais dos novos Frankensteins tem a tecnologia a seu favor
para dissimular as emendas horríveis planejadas durante o desenvolvimento do
seu projeto, disfarçando o engodo e vendendo um artigo nocivo como uma novidade
que merece todos os prêmios do mercado (sucesso alcançado somente devido ao
des-conhecimento laico, óbvio); o problema maior até não está nas mãos do
doutorzinho, mas na necessidade ou inúmeros interesses até mesmo, alguns, com
sentido humano do estado instalado. A referência se perdeu na miopia de
visionários que enriqueceram e estão longe em suas mansões e iates, alheios e
despreocupados enquanto seus filhos criados em laboratório seguem como
verdadeiras armas aprontando no “worldshopping”.
Tomemos como exemplo três casos
recentes; ao olhemos com mais atenção para o que eram: a Síria, o Egito, a
Ucrânia imediatamente antes de seus dois ou três anos das últimas e aterradoras
notícias – países prontos, com uma vida quase “normal” aos padrões tido como
aceitáveis ao resto do mundo, ainda que com os percalços de governo e região ou
ao que conta, deitando um olhar mais criterioso àqueles países, porém, não foi
pura falta de diálogo, de inteligência no que se refere a visão futura e
talvez, deixar de lado as negociatas e orgulho, partindo para um acordo buscado
com vontade e conhecimento, que transformou estas sociedades prontas em
escombros? Quem são as pessoas que destroem; e quem são os destruídos! É
bastante provável que um único grupo ou indivíduo poderia ter parado em
determinado instante e pensar no que adviria, não em vias de tudo ser
destroçado, porém antes. Alguns dirão, mas ele teria que se sacrificar, então, onde
estão os heróis de hoje? Basta lermos, e teremos uma série de histórias muito
mais belas sobre o mártir que o algoz.
*
Falta-nos instrução a ponto de
precisarmos de religiões,
porém são ainda menos instruídos
aqueles que entendem o contrário.
AS
[1]
A tragédia dos comuns é um tipo de armadilha social, frequentemente econômica,
que envolve um conflito entre interesses individuais e o bem comum no uso de
recursos finitos. Ela declara que o livre acesso e a demanda irrestrita de um
recurso finito termina por condenar estruturalmente o recurso por conta de sua
superexploração. A expressão provém originalmente de uma observação feita pelo
matemático amador William Forster Lloyd sobre posse comunal da terra em aldeias
medievais, em seu livro de 1833 sobre população. 1 O conceito foi estendido e
popularizado por Garrett Hardin no ensaio "The Tragedy of the
Commons", publicado em 1968 na revista científica Science2 Todavia, a
teoria propriamente dita é tão antiga quanto Tucídides3 e Aristóteles.4
Tal noção não é meramente uma abstração, mas suas
consequências manifestam-se literalmente, em questões práticas, como a do
Boston Common, onde a superexploração fez com que o Common não fosse mais usado
como área de pastagem pública.5(retirado da Wikipédia)
[2]
O Grande Cientista não foi o único a fazer referência à existência de uma
organização do universo além da compreensão científica; opinião esta que amealhou
alguns poucos e é ignorada na sua totalidade por todos os demais, e o cito aqui
não por ser o único, mas por sua unanimidade entre estudiosos e não.
[3]
A pobreza ainda como um empecilho ao desenvolvimento mundial; as constantes e
cada vez mais sérias crises entre países; a dificuldade em equalizar a economia
mundial; as sempre mais urgentes, questões ambientais; a dificuldade em
estabelecer uma regra de comércio comum; governos corruptos ou sob orientações
em desalinho a uma política única ou ao menos que possa ser emparelhada a mundial;
violência de toda ordem; epidemias; estados radicais; o sempre atuante
terrorismo, grupos entendendo-se excluídos ou injustiçados etc.

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