sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Barbaridades



 

Há poucos dias houve uma exposição de fotos, principalmente de fotógrafos free lance que participaram das últimas manifestações de ruas.

Entendi a ideia como válida, sempre é bom incentivar um bom trabalho, e digo que muitas fotos lá expostas mereceram as devidas comendas.

Acredito que isto incentive – e muito – que mais pessoas participem, além dos fotojornalistas oficiais, não apenas na cobertura, mas com a intenção única, como falou um destes novos personagens, de, principalmente, obter uma boa foto.

Ok, como diz a música, “tá tudo muito bem, tá tudo muito bom, mas realmente...” o que não pode ser negligenciado é o fato de que em algumas destas manifestações estamos lidando com um verdadeiro campo de guerra.

E isto significa que nossos “bravos” guerreiros; seja profissionais voltados a cobertura, o cara safo buscando a melhor película, ou mesmo algum “bobo-alegre”, entendendo patavina do que está acontecendo ou preocupado apenas com uma visão focada, qual animal de carga que usa tapa olhos para não distrair-se; não pode manter-se alheio ao anseio bárbaro de manifestantes e polícia, por exemplo.

Ontem um profissional da Band foi atingido em cheio por um destes morteiros que vagam alheios após aceso. A visão é bárbara, - alguém estava a postos e flagrou o instante - e o caso é sério, e independente de este cidadão ser um profissional responsável ou não, isso não vem ao caso, fato é que estamos solidários com a dor dos familiares, porém é preciso que algumas das barbaridades que foram ditas na imprensa hoje sejam reavaliadas.

 É claro que toda a classe jornalista deva estar revoltada neste momento, mas nem por isso eles podem falar o que querem sem que sejam observados e criticados em declarações que nem de perto são dignas de pessoas estudadas e de conhecimento íntegro.

Digo que em alguns casos, mais pareceu – mais uma vez – que os repórteres e profissionais da imprensa, em alguns casos, aproveitaram o instante para uma oportunidade desavergonhada de destilar o lado hipócrita da profissão – espero que eu esteja enganado.

Refiro-me ao fato de que na sua maioria, estes profissionais intocáveis, – tidos como preparados - registraram o fato como um ataque a imprensa, um ataque aos direitos de expressão. Um cala-boca ou mesmo uma ação inapropriada e desavergonhada e deliberadamente contra o direito a liberdade de expressão.

Que absurdo.

Em uma emissora, pediram desculpas por ontem “no calor dos acontecimentos”, terem atribuído a culpa aos policias, e hoje? Ainda estamos no calor dos acontecimentos que devemos entender que um morteiro sem direção foi lançado propositalmente contra um jornalista?

Deve-se, é justo, procurar o culpado e enquadrá-lo, mas não por ter atingido “um jornalista”; - a bomba não era teleguiada, qualquer um poderia ter se ferido - mas sim, prender o autor e julgá-lo por seu ato, no mínimo, irresponsável, por saber o risco que corria ao acender o artefato.


Vivemos um momento bastante complicado socialmente. É visto que o desgoverno por ineficiência não vai dar conta do recado. São tempos de mudanças, etc. e tal e todo aquele blá, blá, blá manjado; porém era preciso que principalmente a imprensa, como uma das poucas instituições com profissionais em seus quadros com verdadeiro conhecimento de causa, - por participar ativamente de tudo o que acontece no mundo - deixasse para lá estas ignorantes reportagens de caderno marrom, de apoteose a violência, da preocupação com o índice de audiência, e começasse algum trabalho de conscientização da moral, da ética e de como deveremos restabelecer, redesenhar o caminho para este milênio que se inicia bárbaro, controverso, animoso, desconfiado e inquieto, não somente no Brasil, pois sofremos isto em boa parte do mundo moderno, porque, do contrário, corem o risco de não terem audiência, emprego ou quem sabe, nem mesmo a instituição como a conhecemos agora resista se nada for pensado, se não tivermos uma pró ação inteligente e corajosa a este respeito.
A imprensa tem o poder o que ela não tem é coragem ou homens preparados para os turbulentos tempos de agora – e assim sempre foi.

E assim sempre será?

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