No
filme Auto da Compadecida o cangaceiro vivido por Enrique Diaz precisa, a mando
do chefe Virgulino, levar para fora da igreja o padre, o bispo, o padeiro e sua
mulher para serem mortos. O jagunço pau mandado, resmungando, vai e faz o
serviço, em uma das falas resmunga, ainda na igreja, sobre matar o padre e o
bispo “mato, mas não gosto”.
Na
Folha, edição de domingo, saiu uma pequena matéria (Juiz responsável por
executar penas diz não ter instruções) sobre o doutor Ademar Vasconcelos que, a
mando do STJ precisa executar as prisões dos foras-da-lei do mensalão, em mais
um capítulo desta novela ridícula.
Tudo
normal; ele, segundo meu entendimento, reclama da situação toda, mas o que mais
chama a atenção é a fala final do excelentíssimo - e eu não registraria este
texto se não entendesse que o contexto da matéria levasse a esta conclusão: “A
gente, como cidadão, fica até mesmo muito decepcionado com essas coisas. Fico
pensando no homem comum, do povo, que não tem muita oportunidade vendo um homem
notório sendo preso” – me desculpem, pode que eu não tenha compreendido
corretamente o dono da matéria, mas acredito oportuno o registro.
Coincidentemente,
ontem, assisti nos telejornais a substituição do juiz, embora a reportagem
abaixo expressa que isto veio se concretizando a partir já, da última sexta-feira.
-0-
Na
net
dom, 24/11/2013
O juiz da VEP (Vara de Execuções Penais) de Brasília
Ademar Vasconcelos não é mais o responsável pelo processo do mensalão. Em seu
lugar ficará o substituto Bruno André Silva Ribeiro.
A ida do ex-presidente do PT José Genoino para a casa
de um familiar na manhã deste domingo logo após receber alta do hospital em que
estava internado já foi comandada por Ribeiro.
Ele inclusive estabeleceu uma série de condicionantes
para a permanência de Genoino em casa.
Conforme a Folha
apurou, Genoino não poderá sair nem dar entrevistas no período em que estiver
na casa de familiares em Brasília. Ele deve permanecer no local até que a junta
médica que o examinou dê um parecer ao STF (Supremo Tribunal Federal) e o
presidente da corte, Joaquim Barbosa, decida se ele cumprirá pena na Papuda ou
em prisão domiciliar.
A substituição de Vasconcelos, de acordo com fontes do
STF, teria acontecido ainda na sexta-feira. Isso porque, nos últimos dias,
diversas ações do juiz teriam irritado Barbosa, que deixou clara sua insatisfação
para o TJDF (Tribunal de Justiça do Distrito Federal).
Desde o início das prisões, Vasconcelos já não havia
recebido de Barbosa as determinações para comandar o processo. No dia anterior à
expedição dos mandados, o presidente entrou em contato justamente com o juiz
substituto Ribeiro, e enviou para ele os documentos relativos às prisões.
Como estava em férias, Ribeiro tentou entregar a
documentação para Vasconcelos. AFolha
apurou que ele se negou a receber o material e isso teria criado um mal-estar
dentro do TJDF.
Vasconcelos ainda chegou a dar entrevistas dizendo que não havia recebido o material e por diversas vezes destacou que este era um caso do STF. As declarações contrariaram Barbosa e foi preciso que o presidente do TJDF, Dácio Vieira, entrasse no circuito para que Vasconcelos iniciasse os procedimentos relativos à execução penal dos condenados.
Vasconcelos ainda chegou a dar entrevistas dizendo que não havia recebido o material e por diversas vezes destacou que este era um caso do STF. As declarações contrariaram Barbosa e foi preciso que o presidente do TJDF, Dácio Vieira, entrasse no circuito para que Vasconcelos iniciasse os procedimentos relativos à execução penal dos condenados.
Após isso, com os sentenciados já presos e a situação
de saúde do ex-presidente do PT sendo questionada, Vasconcelos informou Barbosa
que não havia a necessidade de internação do preso.
No dia seguinte, o próprio Vasconcelos entrou em
contato com o presidente do Supremo para dizer que o caso era perigoso e que o
melhor seria levar Genoino ao hospital.
No despacho que autorizou o tratamento fora da Papuda,
Barbosa fez questão de destacar a situação, dizendo que havia recebido de
Vasconcelos informações conflitantes sobre a saúde de Genoino.
O despacho de Barbosa, conforme a Folha apurou, fez
com que colegas de TJ de Vasconcelos também passassem a criticá-lo e a
questionar sua permanência na execução penal do mensalão.
Outro fato que chamou a atenção de Barbosa foi a
publicação de uma entrevista na revista "IstoÉ" com Genoino. Este
tipo de procedimento só pode ser feito com autorização expressa da Justiça.
Procurado, Vasconcelos disse que não daria entrevistas
e que qualquer informação deveria ser solicitada à assessoria de comunicação do
tribunal.
A assessoria, por sua vez, disse desconhecer críticas à atuação de Vasconcelos e não esclareceu se a substituição por Ribeiro era temporária ou permanente.
A assessoria, por sua vez, disse desconhecer críticas à atuação de Vasconcelos e não esclareceu se a substituição por Ribeiro era temporária ou permanente.

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