Casal defensor da Amazônia é morto no Pará / Primeira Página
Casal de extrativistas é assassinado no Pará
HOMICÍDIO
José Cláudio Ribeiro da Silva e Maria do Espírito Santo, autores de denúncias de exploração ilegal da floresta no Estado, foram mortos a tiros. Eles vinham sendo ameaçados
BELÉM – Um casal de extrativistas que desde 2008 lutava contra a devastação florestal e a exploração ilegal de madeira no sudeste do Pará foi assassinado a tiros por pistoleiros na manhã de ontem. A polícia abriu inquérito para apurar o caso, mas ainda não tem pistas dos criminosos. Equipes policiais estão fazendo buscas pela região.
José Cláudio Ribeiro da Silva e Maria do Espírito Santo, que há pelo menos três anos sofriam ameaças de morte, foram surpreendidos por pistoleiros na estrada que leva ao projeto de assentamento agroextrativista Praia Alta Pirandeira, área de 22 mil hectares às margens do lago da Hidrelétrica de Tucuruí, onde vivem 500 famílias. Residente na comunidade de Maçaranduba, a dupla não teve chances de defesa e levou tiros na cabeça e no peito.
Homens estranhos, segundo familiares do casal, vinham nos últimos dias rondando a residência de Maria e José Cláudio, principalmente à noite. Para intimidar, costumavam atirar para o alto e depois desapareciam em motocicletas. A suspeita é de que estariam a serviço de madeireiros incomodados com a vigilância do casal contra a derrubada das florestas em volta do assentamento.
O secretário de Segurança Pública do Pará, Luiz Fernandes Rocha, enviou à região peritos sediados em Marabá e um grupo de policiais civis para apurar as circunstâncias do crime. “O Estado não vai tolerar mais esse tipo de violência. Mobilizamos uma grande equipe para ir até o local e investigar o problema e, se possível, voltar com os responsáveis presos”, afirmou. Os corpos já estão na Delegacia de Nova Ipixuna, município a 50 quilômetros do local do crime. O delegado-geral adjunto de Polícia Civil, Rilmar Firmino, chefiará pessoalmente as investigações.
A área da reserva extrativista do assentamento é rica em espécies de madeira nobre, como angelim e jatobá, de alta cotação no mercado internacional. A castanheira, cujo corte e comercialização são proibidos na Amazônia há 20 anos, também sofre ataques contínuos.
A propriedade do casal tinha 80% da mata preservada. Eles viviam há 24 anos na região e faziam parte da Conselho Nacional das Populações Extrativistas (CNS), ONG criada por Chico Mendes, assassinado no Acre na década de 80 por também defender a floresta.
A presidente Dilma Rousseff determinou ao ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, que acionasse de imediato a Polícia Federal para investigar o duplo homicídio.
Notícia veiculada em um site qualquer neste dia.
-0-
Uma senhora de idade dá entrevistas na TV e questiona com tanta força que provavelmente uma autoridade superior no assunto não o faria tão bem:
“Não é possível que ainda hoje uma pessoa seja morta por defender a floresta”
Independentemente de interesse ou do interesse que este casal buscava, é realmente inadmissível a omissão da sociedade e das autoridades competentes em casos similares que sabemos, existem aos pares.

Nenhum comentário:
Postar um comentário