domingo, 9 de julho de 2017

Homenagem a Raulzito



Estou pelado em minha cama

comendo uma mulher pra fumá.

quinta-feira, 6 de julho de 2017

Coragem e paixão, ou miopia?



Cegueira e linchamento, por Raduan Nassar

Em artigo publicado na Folha de São Paulo no ano passado, o escritor Raduan Nassar resgata o papel histórico do ex-presidente Lula e os esforço dos setores retrógrados do Brasil para retroceder os avanços que o país obteve nos últimos anos. Ao final afirma: "Sem vínculo com qualquer partido político, assisto com tristeza a todo o artificioso esquema de linchamento a que Lula vem sendo exposto, depois de ter conduzido o mais amplo processo de inclusão social que o Brasil conheceu em toda a sua história".
   O inglês Robert Fisk, em artigo no jornal londrino "The Independent", afirma que, segundo as duras conclusões do relatório Chilcot sobre a invasão do Iraque, o ex-primeiro ministro Tony Blair e seu comparsa George W. Bush deveriam ser julgados por crimes de guerra, a exemplo de Nuremberg, que se ocupou dos remanescentes nazistas.

O poodle Blair se deslocava a Washington para conspirar com seu colega norte-americano a tomada do Iraque, a pretexto de este país ser detentor de armas de destruição em massa, comprovado depois como mentira, mas invasão levada a cabo com a morte de meio milhão de iraquianos.

Antes, durante o mesmo governo Bush, o brutal regime de sanções causou a morte de 1,7 milhão de civis iraquianos, metade crianças, segundo dados da ONU.

Ao consulado que representava um criminoso de guerra, Bush, o então deputado federal Michel Temer (como de resto nomes expressivos do tucanato) fornecia informações sobre o cenário político brasileiro. "Premonitório", Temer acenava com um candidato de seu partido à Presidência, segundo o site WikiLeaks, de Julian Assange.

Não estranhar que o interino Temer, seu cortejo de rabo preso e sabujos afins andem de braços dados com os tucanos, que estariam governando de fato o Brasil ou, uns e outros, fundindo-se em um só corpo, até que o tucanato desfeche contra Temer um novo golpe e nade de braçada com seu projeto de poder -atrelar-se ao neoliberalismo, apesar do atual diagnóstico: segundo publicação da BBC, levantamento da ONG britânica Oxfam, levado ao Fórum Econômico Mundial de Davos, em janeiro, a riqueza acumulada pelo 1% dos mais ricos do mundo equivale aos recursos dos 99% restantes. Segundo o estudo, a tendência de concentração da riqueza vem aumentando desde 2009.

O senador Aloysio Nunes foi às pressas a Washington no dia seguinte à votação do impeachment de Dilma Rousseff na exótica Câmara dos Deputados, como primeiro arranque para entregar o país ao neoliberalismo norte-americano.

Foi secundado por seu comparsa tucano, o ministro das Relações Exteriores, José Serra, também interino-itinerante que, num giro mais amplo, articula "flexibilizar" Mercosul, Brics, Unasul e sabe-se lá mais o quê.

Além de comprometer a soberania brasileira, Serra atira ao lixo o protagonismo que o país tinha conseguido no plano internacional com a diplomacia ativa e altiva do chanceler Celso Amorim, retomando uma política exterior de vira-lata (que me perdoem os cães dessa espécie; reconheço que, na escala animal, estão acima de certos similares humanos).

A propósito, o tucano, com imenso bico devorador, é ave predadora, atacando filhotes indefesos em seus ninhos. Estamos bem providos em nossa fauna: tucano, vira-lata, gato angorá e ratazanas a dar com pau...

Episódio exemplar do mencionado protagonismo alcançado pelo Brasil aconteceu em Berlim (2009), quando, em tribunas lado a lado, a então poderosa Angela Merkel, depois de criticar duramente o programa nuclear do Irã, recebeu a resposta de Lula: os detentores de armas nucleares, ao não desativá-las, não têm autoridade moral para impor condições àquele país. Lula silenciou literalmente a chanceler alemã.

Vale também lembrar o pronunciamento de Lula de quase uma hora em Hamburgo (2009), em linguagem precisa, quando, interrompido várias vezes por aplausos de empresários alemães e brasileiros, foi ovacionado no final.

Que se passe à Lava Jato e a seus méritos, embora supostos, por se conduzirem em mão única, quando não na contramão, o que beira a obsessão. Espera-se que o juiz Serio Moro venha a se ocupar também de certos políticos "limpinhos e cheirosos", apesar da mão grande do inefável ministro do STF Gilmar Mendes.

Por sinal, seu discípulo, o senador Antonio Anastasia, reproduz a mão prestidigitadora do mestre: culpa Dilma e esconde suas exorbitantes pedaladas, quando governador de Minas Gerais.

Traços do perfil de Moro foram esboçados por Luiz Moniz Bandeira, professor universitário, cientista político e historiador, vivendo há anos na Alemanha. Em entrevista ao jornal argentino "Página/12", revela: Moro esteve em duas ocasiões nos EUA, recebendo treinamento. Em uma delas, participou de cursos no Departamento de Estado; em outra, na Universidade Harvard.

Segundo o WikiLeaks, juízes (incluindo Moro), promotores e policiais federais receberam formação em 2009, promovida pela embaixada norte-americana no Rio.

Em 8 de maio, Janio de Freitas, com seu habitual rigor crítico, afirmou nesta Folha que "Lula virou denunciado nas vésperas de uma votação decisiva para o impeachment. Assim como os grampos telefônicos, ilegais, foram divulgados por Moro quando Lula, se ministro, com sua experiência e talento incomum de negociador, talvez destorcesse a crise política e desse um arranjo administrativo".

Lula não assumiu a Casa Civil, foi rechaçado no Supremo Tribunal Federal pelo ministro Gilmar Mendes, um goleirão sem rival na seleção e, no álbum, figurinha assim carimbada por um de seus pares, Joaquim Barbosa, popstar da época e hoje estrela cadente: "Vossa Excelência não está na rua, está na mídia, destruindo a credibilidade do Judiciário brasileiro... Vossa Excelência, quando se dirige a mim, não está falando com seus capangas do Mato Grosso, ministro Gilmar".

Sugiro a eventuais leitores, mas não aos facciosos que, nos aeroportos, torciam o nariz ao ver gente simples que embarcava calçando sandálias Havaianas, que acessem o site Instituto Lula - o Brasil da Mudança.

Poderão dar conta de espantosas e incontestes realizações. Limito-me a destacar o programa Luz para Todos, que tirou mais de 15 milhões de brasileiros da escuridão, sobretudo nos casebres do sertão nordestino e da região amazônica. E sugiro o amparo do adágio popular: pior cego é aquele que não quer ver.

A não esquecer: Lula abriu as portas do Planalto aos catadores de matérias recicláveis, profissionalizando-os, sancionou a Lei Maria da Penha, fundamental à proteção das mulheres, e o Estatuto da Igualdade Racial, que tem como objetivo políticas públicas que promovam igualdade de oportunidades e combate à discriminação.

Que o PT tenha cometido erros, alguns até graves (quem não os comete?), mas menos que Fernando Henrique Cardoso, que recorria ao "Engavetador Geral da República", à privataria e a muitos outros expedientes, como a aventada compra de votos para sua reeleição.

A corrupção, uma enfermidade mundial, decorre no Brasil do sistema político, atingindo a quase totalidade dos partidos. Contudo, Lula propiciou, como nunca antes, o desempenho livre dos órgãos de investigação, como Ministério Público e Polícia Federal, ao contrário do que faziam governos anteriores que controlavam essas instituições.

A registrar ainda, por importante: as gestões petistas nunca falaram em "flexibilizar" a CLT, a Previdência, a escola pública, o SUS, as estatais, o pré-sal inclusive e sabe-se lá mais o quê, propostas engatilhadas pelos interinos (algumas levianamente já disparadas), a causar prejuízo incalculável ao Brasil e aos trabalhadores.

Sem vínculo com qualquer partido político, assisto com tristeza a todo o artificioso esquema de linchamento a que Lula vem sendo exposto, depois de ter conduzido o mais amplo processo de inclusão social que o Brasil conheceu em toda a sua história.
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Raduan Nassar é autor dos livros "Lavoura Arcaica" (1975), "Um Copo de Cólera" (1978) e "Menina a Caminho e Outros Textos" (1997). Recebeu o Prêmio Camões, principal troféu literário da língua portuguesa

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Qual é a obrigação de um governo?

O que um governo não pode fazer?

Todo o respeito à manifestação espontânea e apaixonada, bem trabalhada e rica, contudo não estará aí a força maior; na construção, na coragem! O tempo dirá se a ideia, o desejo e a pretensão foi urdida em uma sementeira cujos grãos germinarão uma defesa perene ou não vingará além do calor sazonal encolerizado que, não respeitando o fator tempo, mostrará além: uma história esturricada ao se entender que apenas alguns poucos cuidados foram caprichosamente atendidos, quando sabemos que toda boa plantação necessita de atenção com o equilíbrio sempre obrigatório.  


Posso estar errado, mas vou registrar esta passagem aqui, e com paciência, aguardar um juiz verdadeiro que condene minha pretensão ou observe a defesa míope do senhor Nassar e sua militância.

domingo, 2 de julho de 2017

Prisão “drive thru”



Indignado e rasgando impropérios contra a soltura de mais um desses meliantes da política ou a ela ligados que, segundo especialistas são levados à prisão sob acusações e provas tão robustas quanto incontestáveis, ouço entre o bater de panelas vindo da cozinha durante o tele jornal da noite a voz da amada cozinheira.

É a esposa a me alertar sobre as prisões “Drive thru”; soluções rápidas adequadas às obrigatórias reprimendas politiqueiras em otários autores de patacoadas homéricas por que não souberam como fazer o serviço ou confiaram em demasia nos seus iguais em conluio, ou simplesmente porque alguém precisa ir para o sacrifício – ainda que por pouco tempo:

“É, mas você tem que entender que pelo menos agora eles passam uns dias presos.” Pondera minha atenta companheira.

É, antes nem isso tínhamos; melhor ficar calado. 


sábado, 1 de julho de 2017

Síndrome do Faustão



Fausto "falastrão" Silva, no "Domingão do Chinelão",volta e meia detona o BBB porque entende que todos aqueles aficionados ao lamentável quadro continuarão seguindo o entretenimento absurdo, assim também está o mundo político atual, todos podem falar o que querem, - basta observar as obscenidades ditas nas redes sociais - afinal ninguém está mais aí para nada, e se o fizer com algum fragor embaraçoso, virão aqueles que comprarão a sua energia para lutar a favor do que até então era contra.

Absurdos a parte, esta semana, assistimos no JN que o Brasil é o segundo pais cujo povo acredita, confia no que está sendo reproduzido; no trabalho informativo da sua mídia, e os jornais estão se vangloriando por isso.

A questão mais importante é; é a mídia que é de confiança, imparcial e combativa ou o povo que é "um lesado" por nem mesmo entender o que está sendo veiculado?

Quem, de alguma honestidade psicológica, se interessa por algo noticiado hoje: por entender a parcialidade contundentemente marcante, de todas as mídias nacionais?

Pesquisas já demonstraram o grau de desentendimento na interpretação das notícias por aqueles que assistem ou leem jornais; como então confiar ou se vangloriar sobre o escrutínio de uma massa que está totalmente a margem do que está acontecendo no país???