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| Nestes dias de não cassação, de não punição, de não prisão... de continuísmo |
(...)
Essas são verdades irrefutáveis e evidentes, que ninguém pode negar. Por que
nos empenhamos, então — negando essa realidade —, em conservar o estado de
coisas?
Porque o egoísmo e a indiferença são características dos cegos às evidências dos
satisfeitos com suas próprias vantagens, que negam a desvantagem dos demais.
Não querem ver o que está à vista de todos, para assim manterem seus
privilégios em todos os campos.
O
que fazer diante dessa situação? A quem cabe agir?
E claro que quem deveria agir são os prejudicados. Mas eles, em meio às suas
necessidades, angústias e tragédias, dificilmente têm consciência dessa
situação objetiva, não a interiorizam, não a tornam subjetiva.
Por mais paradoxal que pareça — mas a história mostra que tem sido assim —,
cabe a alguns daqueles que a vida pôs em melhores condições despertar os
oprimidos e explorados para que reajam e tentem mudar as injustas condições que
os prejudicam.
Foi assim que ocorreram as mais importantes mudanças nas condições de vida dos
habitantes de muitos países, e estamos sem dúvida vivendo uma etapa histórica
em que, por todo o mundo, há grupos de pessoas eticamente superiores que não
aceitam como um fato natural a perpetuação da desigualdade e da injustiça.
Sua luta contra o establishment é uma luta dura e arriscada. Têm de enfrentar a
resistência e a ira dos grupos política e economicamente mais poderosos. Têm de
enfrentar consequências, com o prejuízo de sua própria tranquilidade com seus
interesses individuais, abdicando de alcançar o chamado “sucesso” na sociedade
estabelecida.
Hector Abad
*
Milícia
palaciana
Talvez
devido a minha situação geográfica, sempre trabalhei a ideia de que deveria
manter-me da forma mais independente possível, dentro da lei, sem atacar o
estado vigente e assim sobreviver sem maiores dissabores de preferência
observando o que está acontecendo a minha volta, mais para uma melhor adequação
ao último item, ao invés de usar isso como uma paixão ou transformar em ânsia
de movimentar-me contra o sistema.
O
Sistema é superior a tudo e a todos e ainda que nos unamos, enquanto o homem
não entender o que realmente é a fraternidade não é possível que esta união
transcenda o estado prisional lamentável em que vivemos, ainda que ele insista
que somos livres e estamos por ele protegido.
Exatamente
agora qualquer boa análise trás em seu bojo a impressão convicta de que alguns
governos se estabeleceram – talvez por razões a nós nada precisas - como milícias
oficialmente disfarçadas de democracia e que, se utilizam dos mais sórdidos
argumentos tanto hipócritas quanto demagogos, tornados necessários, em extorsões
sob os mais variados nomes: impostos, taxas, juros, e uma desavergonhada pitada
de corrupção e mais leis para, sob o manto da obrigatoriedade da (sua)
necessidade de manter-se assim atuando afirmar que o achaque escamoteado é tão
somente para defender os interesses comum a todos.