quinta-feira, 25 de junho de 2015

Cristiano Araujo



               A comoção nas redes sociais com a morte desse garoto faz refletir em três pontos interessantes:

                Seria essa movimentação um sinal dos tempos?

                A população migrou dos cotovelos da janela para os teclados?

                Ou é um sinal claro de, a quantas anda a sua cultura?  

                Da minha parte vejo que se soma a tudo isso, uma enorme falta do que fazer, e isso não tem nada a ver com a crise do país, pois não é raro encontrar um que outro que diga, no Brasil sempre foi assim; a crise sempre existiu; ao fato de que a massa movimenta-se com o movimento da massa, ao frigir dos ovos, acredito que os governantes, no intuito de manterem seus governados alienados para suas ações devem começar a se preocupar, pois é visto que erraram a mão e não há mais volta.


                Temos como certo um trabalho menor e mais barato no que diz respeito à coleta de dados, afinal não precisamos mais recorrer ao IBOPE para entender algumas das inegáveis preferências a que tende a população.  

quarta-feira, 17 de junho de 2015

Armas na basílica



Vendilhões do Templo Já era; agora o máximo que a “ética” ou no que transformou-nos as religiões permite é:o que pode ou não ser comercializado no  templo? No caso da notícia em epigrafe, fica a dúvida até sobre se há alguma espécie de limite ou, dada a visível não existência desse; ao que nos levará!?!

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Notícias do dia



Loja na Basílica de Aparecida vende réplicas de fuzil por R$ 25

Parte dos comerciantes do Santuário Nacional de Aparecida (SP) está desnorteando o caminho da fé. É que alguns dos 380 lojistas instalados em boxes no interior da área que circunda o maior monumento mundial dedicado à Santa Padroeira do Brasil descumprem o Estatuto do Desarmamento. Eles vendem, para fiéis e turistas que visitam o local, brinquedos que imitam armas de fogo de grosso calibre.

As réplicas de metralhadoras são brinquedos de origem chinesa, mas muito parecidas com as verdadeiras. Imitações do tipo representam 28,4% das apreensões de armas pela polícia de São Paulo, em 2013, segundo o Instituto Sou da Paz. A venda foi condenada pela administração do Centro de Apoio ao Romeiro, subordinado ao Santuário e à Arquidiocese.
Por dois dias (sexta e segunda-feira passadas) a reportagem do DIA flagrou, com fotos e filmagens, o comércio de fuzis de brinquedo em Aparecida. As armas ficam expostas nos boxes, penduradas ou misturadas a brinquedos e objetos religiosos. Ao perceber a presença da reportagem, que já havia comprovado a venda em três pontos, um vendedor alertou os outros, que retiraram os produtos da área de venda.
Segundo especialistas em armas, a principal imitação vendida lá, de um fuzil calibre 12, é confundido facilmente com o verdadeiro. “Esse tipo de simulacro é uma ameaça real para qualquer cidadão se cair nas mãos de criminosos, principalmente em ambientes mais escuros”, alerta Paulo Storani, ex-capitão do Batalhão de Operações Especiais (Bope). Consultor e especialista em armamentos pesados, ele analisou a arma.

Inofensivo, o brinquedo, um atirador de dardos de plástico, se torna perigoso, na opinião de Storani, por causa da sua “alta semelhança” com um fuzil original. “Tem quase o mesmo tamanho de um fuzil de verdade, estrutura do corpo do artefato e cor aproximada. Além de promover assaltos e sequestros-relâmpago, bandidos podem fazer até com que policiais abram fogo contra quem estiver portando isso, colocando terceiros em risco”, justificou.

De acordo com o Artigo 26 do Estatuto do Desarmamento (Lei 10.826/\03), “são vedadas a fabricação, a venda e a importação de brinquedos, réplicas e simulacros de armas de fogo, que podem ser confundidas com originais”. A exceção da lei vale só para os equipamentos destinados a instruções de policiais e colecionadores autorizados pelo Exército.

Assaltante comprou arma em Aparecida

O uso de armas de brinquedo em crimes chega a um terço dos fuzis, pistolas e revólveres de verdade apreendidos em São Paulo. Estudo do Instituto Sou da Paz mostrou que 28,4% (3,7 mil) das armas apreendidas pela PM em 2013 eram de mentira.

A venda de armas semelhantes às verdadeira no quintal do Santuário de Aparecida para todo o país é antiga. Há um ano, Carlos Lourenço, 21 anos, confessou, após assalto em Uberaba (MG), que tinha comprado a réplica de pistola ponto 40, em Aparecida.

“Os pais devem evitar dar brinquedos desse tipo. Hoje em dia, ao contrário do passado, induzem à violência”, diz Maria Ângela Carneiro, coordenadora do Núcleo de Cultura e Pesquisas do Brincar da PUC-SP.

Arquidiocese contra a venda

Em nota da assessoria do Santuário de Aparecida, o Centro de Apoio ao Romeiro garantiu que “vai intensificar campanhas para reafirmar sua posição contrária à prática de locatários, que desobedecem a legislação”, mas que cabe à PM autuar infratores.


Até o fechamento da edição, a PM paulista não tinha se manifestado sobre o assunto, apesar de questionada. A Associação Brasileira de Fabricantes de Brinquedos (Abrinq) informou que há 18 anos as indústrias nacionais pararam de fabricar armas de brinquedo. O Instituto Nacional de Metrologia não certifica brinquedos clandestinos.

segunda-feira, 1 de junho de 2015

Resposta ao Sr. Roger Waters



Caro Sr. Roger Waters

Poderia dizer que temo que o senhor esteja perdendo seu tempo, porém, tenho quase certeza disso.

Dificilmente o Gil e o Caetano lhe darão ouvidos; é preciso que muita gente mesmo, mas muita gente; filie-se a corrente “#cancela Caetano & Gilberto Gil”, por exemplo, para que estes dois desistam de ir à Israel.

Meu caro amigo; ainda sou seu fã, apesar de sua declaração infeliz ao elogiar a nossa política na sua última turnê em 2012.

Porém nós os brasileiros, o senhor precisa saber e vai descobrir agora, não somos um povo de opiniões contundentes. Somos uma miscelânea de povos sem uma ideia de pátria, - aprendemos a assim conviver e nos suportar - e, portanto, vivemos em cima do muro como pobres que nada têm e “curtindo” uma hipocrisia estúpida que entendemos ser a única capaz de manter a boa vizinhança.

Estes dois autores o senhor tem razão, são ótimos, fazem parte do melhor que temos, porém são pessoas que envelheceram mantendo a cultura hippie, com todo o respeito aos hippies. Mas não comungam de uma personalidade forte, de alguém aguerrido a um processo descente fora da arte; seus engajamentos vão, ao máximo, até dar uma canja sem comprometer-se com o status quo no final do evento; não perca seu tempo.

Mas valeu seu recado. Sua carta é muito boa; até desfez um pouco minha opinião sobre as suas últimas declarações aqui no Brasil. Tem muita energia e tem muita vontade; energia nós temos, mas não para essas coisas de bronca séria, e nossa vontade é limitadíssima...

...a bem da verdade, senhor Roger, nós somos um bando de cagões, talvez o senhor entenda melhor se dissermos que aqui não temos culhões, ou culhones; abraços.

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 Chance perdida de mostrar que podemos ser mais

Hoje às 11h51 - Atualizada hoje às 12h03
Roger Waters pede que Caetano e Gil cancelem show em Israel

O ex-baixista do Pink Floyd, Roger Waters fez um pedido para que Caetano Veloso e Gilberto Gil cancelem seus shows em Tel Aviv, em Israel, no dia 28 de junho, parte da turnê internacional. Em uma carta aberta, o baixista fez o pedido de boicote alegando que os mortos e aprisionados estendem as mãos para eles.

De acordo com Waters, os brasileiros são focos de luz para o resto do mundo. "Caros Gilberto e Caetano, os aprisionados e os mortos estendem as mãos. Por favor, unam-se a nós cancelando seu show em Israel. De tantas maneiras, vocês são um foco de luz para o resto do mundo", disse em sua carta.

A carta, divulgada pelo BDS ("boicote, desenvolvimento e sanções"), um movimento interncaional que pressiona Israel para acabar com as ocupações em territórios palestinos, o músico acredita que o mundo esteja com uma oportunidade significativa para mudar a situação. "Após o ataque brutal de Israel à população palestina de Gaza, no último verão, a opinião pública, acertadamente, pendeu a favor das vítimas, a favor dos oprimidos e dos sem privilégios, a favor dos aprisionados e mortos", ele declarou.

Quando olho para suas fotos, escuto suas músicas, leio a história de suas lutas pessoais e profissionais, lembro de todas as lutas de todos os povos que resistiram a um domínio imperial, militar e colonial através do milênio, que lutaram pelos aprisionados e pelos mortos. Nunca foi fácil, mas sempre foi certo.

Em uma de suas músicas, Gil, você menciona o arcebispo Desmond Tutu. Eu não falo português, mas assumo que vocês dois aplaudam a resistência do arcebispo Tutu ao racismo e ao apartheid que acabaram derrubados na África do Sul. Eram dias impetuosos, quando a comunidade mundial de artistas estava lado a lado com seus irmãos e irmãs oprimidos na África. Nós, os músicos, lideramos o levante naquele momento, em apoio a Nelson Mandela, a ANC, ao povo africano oprimido e a todos os aprisionados e mortos.

Estamos diante de uma oportunidade igualmente significativa agora. Estamos em um ponto culminante. Aqueles de nós que estamos convencidos que o direito a uma vida humana decente e à autodeterminação política devem ser universais estamos, em consonância com 139 nações da Assembleia Geral da ONU, focados na Palestina.

Após o ataque brutal de Israel à população palestina de Gaza, no último verão, a opinião pública, acertadamente, pendeu a favor das vítimas, a favor dos oprimidos e dos sem privilégios, a favor dos aprisionados e mortos.

O primeiro-ministro de Israel, Netanyahu, com seu governo de extrema-direita, lembra-me da história da "Nova roupa do imperador"; com certeza nunca houve um gabinete mais exposto em sua calúnia como este. Eles se condenam mais a cada fôlego, a cada discurso racista. "Olha, mamãe, o imperador está nu!"

Tive a oportunidade, recentemente, de escrever uma carta a um jovem artista inglês, Robbie Williams; eu compartilhei com ele o destino de quatro jovens palestinos que jogavam futebol numa praia de Gaza, mortos por artilharia israelense. Por que eu traria à tona uma praia e futebol? Por quê? Porque eu amo o Brasil, eu tenho a praia de Ipanema nos olhos da minha mente; eu lembro de shows que fiz em São Paulo, Porto Alegre, Manaus e Rio. Como poderia esquecê-los? Eu tenho uma camiseta de futebol, assinada: "para Roger, de seu fã Pelé".

Quando estive aí pela última vez, uma criança inocente tinha acabado de ser morta, arrastada por um carro dirigido por criminosos que escapavam da cena do crime. O remorso nacional era palpável, era todo abrangente, vocês, todos vocês, importavam-se com aquela pobre criança. De tantas maneiras, vocês são um foco de luz para o resto do mundo.

Como vocês sabem, artistas internacionais preocupados com direitos humanos na África do Sul do apartheid se recusaram a atravessar a linha de piquete para tocar em Sun City. Naqueles dias, Little Steven, Bruce Springsteen e cinquenta ou mais músicos protestaram contra a opressão cruel e racista dos nativos da África do Sul. Aqueles artistas ajudaram a ganhar aquela batalha, e nós, do movimento não-violento de Boicote, Desinvestimentos e Sanções (BDS) pela liberdade, justiça e igualdade dos palestinos, vamos ganhar esta contra as políticas similarmente racistas e colonialistas do governo de ocupação de Israel. Vamos continuar a pressionar adiante, a favor de direitos iguais para todos os povos da Terra Santa. Do mesmo modo que músicos não iam tocar em Sun City, cada vez mais não vamos tocar em Tel Aviv. Não há lugar hoje no mundo para outro regime racista de apartheid.

Quando tudo isso acabar, nós iremos à Terra Santa, cantaremos nossas músicas de amor e solidariedade, olharemos as estrelas através das folhas das oliveiras, sentiremos o cheiro da madeira queimando das fogueiras de nossos anfitriões, estimaremos essa lendária hospitalidade.

Mas, até que isso termine, até que todos os povos sejam livres, nós vamos fincar nosso emblema na areia, há uma linha que não cruzaremos, nós não vamos entreter as cortes do rei tirano.


Caros Gilberto e Caetano, os aprisionados e os mortos estendem as mãos. Por favor, unam-se a nós cancelando seu show em Israel.