Assistimos esta semana a mais uma
tragédia sem precedentes no mar da Coréia, onde temos notícias de quase
trezentos desaparecidos. Dias atrás foi o avião da Malásia, há mais de ano
tivemos o naufrágio do Costa Concórdia; aqui, tivemos desabamentos de prédios
no Rio de Janeiro o incêndio na Boate Kiss, depredações em passeatas e queima
de ônibus, lembrando ainda das famigeradas torcidas organizadas, digo que tudo
isso é um Alinhamento Infeliz de pequenas negligências que nos permitimos no
cotidiano, situações estas que fazemos sem pensar, ao proteger alguns ou alguém
de nossa estima em suas demandas impensadas por falta de profissionalismo, de estudo,
conhecimento, capacidade, ética, ou parelhas dessa ordem.
Acima relato apenas catástrofes
materiais, ou seja, situações visíveis que ocorrem em nosso entorno –
diretamente relacionadas à morte -, quando as temos no campo da política: em
maior número e em grau elevado; porém aí precisaríamos abrir um extenso leque de
situações que dão condições para que a corrupção, o lobby escuso, de conchavo;
proteções inomináveis e acordos indizíveis, por exemplo, sejam alinhadas
matreiramente – são décadas de conluio perpetrado; organizado – onde a morte
também ocorre, mas agora, é esta que precisa ser negligenciada; quando isto
ocorre, significa que nossos trambiqueiros conseguiram fazem um bom trabalho de
proteção, de blindagem.
Desse contexto, desse estado
instalado têm-se os elementos necessários para startar o acidente ou a catástrofe, qual incêndio que necessita dos
elementos precisos para a ignição; quando se alinham combustível, comburente e
calor.
Defendo a tese de que a negligência
é mais fraca, tem menos peso que a proteção a um membro do grupo; quando nos
esquecemos que ao proteger alguém do nosso meio, nosso protegido, nem sempre
levamos em consideração que o indivíduo não foi bem preparado para a função ou
o trabalho.
É verdade que aprendemos bastante
com a negligência humana, e também é certo que melhoramos muito, mas ela jamais
será totalmente eliminada enquanto verdadeiras confrarias de interesses
continuam a acobertar seus grupinhos de protegidos; o ninho de víboras que se
auto-sustentam, se auto-mantém, socorrendo-se mutuamente a qualquer custo, e
então, negligenciando todas as regras, mesmo aquelas que deveriam ser
inegociáveis, para que seu reinado, seu estado de ganho continue se perpetuando
até que seus ossos tenham sido atacados pela osteoporose.

