sábado, 19 de abril de 2014

Alinhamento Infeliz



Assistimos esta semana a mais uma tragédia sem precedentes no mar da Coréia, onde temos notícias de quase trezentos desaparecidos. Dias atrás foi o avião da Malásia, há mais de ano tivemos o naufrágio do Costa Concórdia; aqui, tivemos desabamentos de prédios no Rio de Janeiro o incêndio na Boate Kiss, depredações em passeatas e queima de ônibus, lembrando ainda das famigeradas torcidas organizadas, digo que tudo isso é um Alinhamento Infeliz de pequenas negligências que nos permitimos no cotidiano, situações estas que fazemos sem pensar, ao proteger alguns ou alguém de nossa estima em suas demandas impensadas por falta de profissionalismo, de estudo, conhecimento, capacidade, ética, ou parelhas dessa ordem.

Acima relato apenas catástrofes materiais, ou seja, situações visíveis que ocorrem em nosso entorno – diretamente relacionadas à morte -, quando as temos no campo da política: em maior número e em grau elevado; porém aí precisaríamos abrir um extenso leque de situações que dão condições para que a corrupção, o lobby escuso, de conchavo; proteções inomináveis e acordos indizíveis, por exemplo, sejam alinhadas matreiramente – são décadas de conluio perpetrado; organizado – onde a morte também ocorre, mas agora, é esta que precisa ser negligenciada; quando isto ocorre, significa que nossos trambiqueiros conseguiram fazem um bom trabalho de proteção, de blindagem. 

Desse contexto, desse estado instalado têm-se os elementos necessários para startar o acidente ou a catástrofe, qual incêndio que necessita dos elementos precisos para a ignição; quando se alinham combustível, comburente e calor.     

Defendo a tese de que a negligência é mais fraca, tem menos peso que a proteção a um membro do grupo; quando nos esquecemos que ao proteger alguém do nosso meio, nosso protegido, nem sempre levamos em consideração que o indivíduo não foi bem preparado para a função ou o trabalho.

É verdade que aprendemos bastante com a negligência humana, e também é certo que melhoramos muito, mas ela jamais será totalmente eliminada enquanto verdadeiras confrarias de interesses continuam a acobertar seus grupinhos de protegidos; o ninho de víboras que se auto-sustentam, se auto-mantém, socorrendo-se mutuamente a qualquer custo, e então, negligenciando todas as regras, mesmo aquelas que deveriam ser inegociáveis, para que seu reinado, seu estado de ganho continue se perpetuando até que seus ossos tenham sido atacados pela osteoporose.

Fala-se o que quer...

 


A Irene Ravache disse que se pudesse fazer uma pergunta a Deus, perguntaria por que o sapo existe; ao saber disso minha esposa, indignada, fuzilou, “eu perguntaria a Deus porque a Irene Ravache existe”, penso cá com meus botões que eu perguntaria ao sapo: “Sr. Sapo, porque a Irene Ravache existe?”