No
entanto, mais uma vez os políticos brasileiros mostraram sua força.
Onde
elegeram um condenado, e não é um condenado comum, pois no mínimo três crimes
(que apareceram) são imputados a ele. E, se não foi condenado pela justiça, foi
condenado por todas as provas veiculadas abundantemente por toda a mídia nacional.
Porém,
ao que tudo indica (se observarmos as notícias do dia), parece não ser o
suficiente: ser acusado por um órgão de fiscalização oficial do governo, - e
isto não é pouco, – repito - embora pareça que de nada vale – se o que está em
jogo é o direito de responder por um dos cargos mais importantes na política
brasileira, ou seja, isto significa força. A que custo; a que preço; em que
condições; não cabe aqui comentar.
Vamos
primeiro as distrações de hoje:(a distração aqui refere-se ao fato de manter o
povo distraído para que as pessoas não prestem atenção ao que não precisa)
Aumento da gasolina, paralisação dos moto taxistas, notícias sobre a comoção de
“Santa Maria” e a devassa de fiscalização momentânea (obrigatória mas tardia,
diga-se de passagem)do poder público sobre as boates. Rodada dos campeonatos
estaduais, véspera da maior festa pagã do mundo, (o pagã aqui não se refere a
minha contrariedade a respeito deste tipo de festa, mas ao fato de que boa
parte do povo brasileiro está muito pouco preocupada com o que realmente
interessa nesta época do ano), e é claro, o clima de expectativa do que está
para acontecer neste país a partir deste ano com relação ao maior esporte do
país.
Talvez
nem mesmo precisasse haver isso tudo para que o Renan velho de guerra voltasse
em alto estilo.
Que
estilo tem essa turma!
Ele
e toda uma corja de contra e a favores. Reclamando ou pagando favores em meio
ao disque me disque de que, se isso foi possível, nada mais neste pardieiro é
impossível. Lavaram a alma podre de todos os políticos, afinal, hoje, esta
turma fez história, ao abrir (abrir não, escancarar) um precedente onde todos
aqueles que roubaram o poder público podem aventar a enorme possibilidade de:
não só não ir preso como voltar a exercer um cargo dando mostras da oficialização
da roubalheira pública.
Hoje
a política brasileira deu mais uma, se não a sua maior, demonstração de força.
A
partir de agora se ampliou o salvo conduto para o: “é! Definitivamente! Hoje
ficou provado: o poder que detém a classe política brasileira”, ou seja, tudo.
Realmente,
neste país, a classe política pode tudo. Este é o estado que foi instaurado,
que foi oficializado hoje com a posse deste condenado miserável.
O
clima de impunidade foi definitivamente cimentado hoje por todos estes
indivíduos que se dizem representantes de um povo. Digo todos porque se um ao
menos fosse digno de ali estar deveria imediatamente renunciar ao cargo e
jamais voltar a politicar no Brasil.
Como
alguém já disse: nada está tão ruim que não possa piorar.
É
verdade, é um clichê batido, mas nada de novo hoje pode ser dito, aliás,
ninguém precisa tomar conhecimento do que aqui exporei, por não haver nada de
novo a ser dito. Falarei de favas contadas, falarei de velhas raposas, de
fábulas manjadas. Falarei ainda mais uma vez: mais do mesmo.
É
este o Brasil que apresentaremos lá fora? Em épocas desse agora? Quando o mundo
está ficando mais igual devido à comunicação, a evolução mecanicista,
eletrônica, de engenharia, de pesquisas... O que realmente nós queremos? Por
outro lado como poderemos mudar este estado vigente? São perguntas que não têm
respostas, mas elas demonstram toda uma verdade preocupante, pois, elas não têm
respostas porque não querem ser respondidas.
As
possibilidades de mudança neste país são tão faraônicas quanto o seu tamanho
geográfico, e, o que o torna fantástico, o transforma em prisioneiro em si
mesmo. Sua força, o tamanho, é também sua fragilidade.
Não
poderemos fazer nada. Nós que somos apolíticos teremos que ficar assistindo as
raposas se lambuzarem com nossos ovos, ou amealhando nossas crias para serem
criadas no mesmo galinheiro de luxo que elas. Nossos filhos estão alugados pelo
poder, pelo luxo, pela posse. Não é possível que mudemos isto. Não é mais
possível.
Teremos
que assistir passivos a passividade de todos. Nós, que mesmo que indignados,
mas refém do processo, entendemos que uma boa parte da humanidade que detém o
poder da mudança, detém também o poder de saber como fazer, para realizar ou não
esta mudança, e é claro que este poder será exercido levando em consideração
interesses próprios do grupo. Se é ou não conveniente para eles esta ou
qualquer outra mudança.
Não
podemos fazer nada, e mesmo quando escrevo isto, como o pouco que posso fazer.
É mais para mostrar a mim mesmo que continuo firme em meu propósito de permanecer
contra toda e qualquer injustiça, onde, mesmo nada podendo fazer, repito,
afirmo a mim mesmo, como um mantra: Eu não sou conivente com isso. Pra mim isto
é importante.
Digo
que isto é meu; esta é a minha ética. Continua me parecendo que em tempos como
os de hoje é muito importante reafirmar isto, mesmo que isto aconteça apenas
para você mesmo, mesmo que seja uma auto afirmação. Acredito que todo aquele
que ainda consiga entender ou interpretar valores e ética, justiça e
honestidade deve continuar fazendo, mesmo que só, mesmo que para as paredes do
seu quarto, mesmo que quando engarrafado no transito, mesmo que enquanto toma banho
e pensa que está, enquanto a água suja escorre, se limpando do que assiste ao
seu lado diariamente, continue afirmando: “Eu não sou assim, eu não sou
conivente com este estado podre que aí está. Eu permanecerei um ignorante
entendendo que valor, ética, justiça e honestidade tem uma constituição
totalmente diferente da anunciada por estas pessoas que insistem em me
convencer de que estou errado, de que sou diferente, de que não sou confiável.”.
Vou
continuar repetindo: eu não sou assim. Eu penso diferente. Existe, - e eu vivo
isso – prazer em viver como eu vivo. Eu vivo bem apesar de ser humilhado
diariamente pela minha raça. Eu vivo bem apesar de ser desprezado diariamente
pelos meus iguais. Eu sinto que sou diferente por pensar assim, porém quero
manter o meu mantra, a minha reza, a minha oração, a minha afirmação, a minha
repetição, independente de religião, independente de crença – isto está
estigmatizado na minha alma: eu vou continuar um ignorante que acredita na honestidade
que a vida ensinou. Que meu pai, ao me dar umas boas palmadas, por entender que
eu estava errado me ensinou. Quero e vou continuar afirmando isso.
Voltando
aos homens diferentes, ou seriam iguais? Afinal, eu é que sou o estranho.
No
seu discurso de empossado o velho Renan fala também em ética e transparência, e
qual o significado disso tudo? Que significado há nestas palavras para este
indivíduo.
Tudo
bem, não há provas, mas até quando ficaremos reféns deste, que em algumas
situações é um mero detalhe, afinal todos sabem que se a pessoa ficar quieta é
admitir culpa, então; mesmo que tenha feito besteira, que não tenha sabido
roubar, – por seu um ignorante até na arte do roubo - mas forjou um estado para
se esquivar da lei, temos que aceitar; compreender e dar nova chance à raposa
de cuidar de um galinheiro ainda maior?
E,
alguns de nós sabemos, existem as brechas que continuarão dando respaldo aos
facínoras. Temos aí os advogados que lutam pelo seu direito a dar direito aos condenados
que não confessam, ou coisa que o valha. Isto tudo é muito longo, desgastante e
não leva a lugar algum, porque no meu mundo, não há provas, há honra, e quando há
honra, o indivíduo primeiro: não comete o delito, e segundo, se foi pego cometendo
ou em vias de cometer; ou pesar sobre ele a insinuação de que cometeu, ele deve
ter a hombridade de primeiro: assumir que o fez, e, se não fez, sumir de perto
de seus iguais por entender que desconfiaram dele injustamente; e por aí vai - s
cláusulas voltadas aos Verdadeiros Valores são extensas e ninguém quer dedicar
muita importância a elas.
Como
um último apontamento quero afirmar que um acontecimento como este em questão,
esta injustiça com o povo brasileiro - embora eu mantenha meu pé no mote de que
cada um tem o governo que merece. Então, quero afirmar que este episódio me
permite ainda uma certeza maior no eterno, na vida após a morte, no continuar
da existência humana, ou na alma além do agora; e explico minha tese.
Não
me é possível acreditar que, ao assistir a miserabilidade do serviço público,
das estradas brasileiras, dos bois morrendo por falta de água no nordeste, das
vias tomadas por usuários de craque. Da existência de clínicas de abortos
clandestinas, do cancro da corrupção, da violência contra o velho e as
crianças, da violência que atinge o homem de bem. Do absurdo das obras
superfaturadas, das oportunidades funestas que os políticos têm de se aproveitarem
de catástrofes e pelas leis oportunistas de urgência que tramitam diariamente
nos gabinetes públicos fazendo com que programas como a merenda escolar se
transforme em uma ONG que lucra milhões com o leite azedo, o pão duro, e a sopa
insossa das crianças, ou a falta de carteiras, de cadernos, de livros, de
professores ou dos professores sem qualificação que são contratados, por
exemplo,(ssss...), não me é possível então, repito, entender que os
responsáveis por isso ficarão impunes.
É
por isso que acredito na vida após a morte. Há algo mais, deve haver algo mais,
não é possível que um Cachoeira fique impune tomando caipirinha na praia, por
exemplo, porque sabe demais a respeito destes que foram eleitos por estes todos
que sofrem, como relatei no parágrafo anterior, por serem ludibriados pela
ignorância de não terem tido escolas justamente para que assim pudessem ser
iludidos de dois em dois anos.
Há
mais, tenho certeza, deve haver mais. Não é possível que um condenado como o
Renan que já está com quase um século na carcunda, ou como o Sarney que deixou
o cargo e que está quase com um século e meio, morram aproveitando o que eles
dizem ser vida; sem sofrer minimamente os revezes daqueles que neles votaram!
Do
meu lado entendo que a vida que eles têm já é um inferno. Definitivamente eu não
quero este inferno para mim. Porém é pouco. Isso não é nada, afinal isso eles
escolheram para eles. Este inferno é bom para eles porque eles escolheram este
inferno.
No
meu mundo, ou no mundo em que acredito; de ética e justiça verdadeira, o
inferno é ainda pior do que a vida que eles levam hoje.
E
é por isso, por eu ser justo que jamais quero condená-los. Eu seria muito
complacente. O problema de quem sabe exatamente o significado de justiça é nem
sempre ser verdadeiramente justo se levado em consideração os valores deste
plano no que se refere a aplicação das injustiças cometidas.
Não,
eles devem ser julgados por cada crime que não foi combatido por conta de suas
corrupções – e por quem sabe como cobrar. Por cada morte em cada rodovia devido
ao problema de superfaturamento sem que a estada fosse terminada, demorasse, ou
saísse como o nariz deles, por exemplo.
Não,
no meu mundo eles não ficarão impunes, e tenho certeza, depois de hoje tenho
certeza, há mais... há um além.